Vila Nova de Milfontes com o CPEP
09 Fevereiro 2008
Roendo uma laranja na falésia,
Olhando o mundo azul à minha frente.
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente
Carlos Tê
09 Fevereiro 2008
Roendo uma laranja na falésia,
Olhando o mundo azul à minha frente.
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente
Carlos Tê
O tempo estava agradável. Uma leve brisa, fresca, não comprometia os quase vinte graus previstos. Em pleno Inverno, não se pode exigir melhor.
A proposta era tentadora. Uma caldeirada em Vila Nova de Milfontes, indo de moto, com amigos motociclistas. É o mínimo que se exige.
A expectativa cresceu. Um dia, com gente catita, a andar de moto, pela costa alentejana. Exigir mais?
Com uma manhã luminosa e provocante, o motivo para atravessar o Sado, de barco, estava justificado. Lá, entre a península e a serra, a charneira de mar e rio é um cartão de visita excelente da costa alentejana.
Tróia já não resiste ao avanço do betão, como subsistia aos assaltos gregos. Mas, por enquanto, a travessia ainda dá um dos lados à serra que, apesar de esventrada, insiste em acentuar o verde da barra do Sado.
Previa-se que houvesse troços onde a raiz dos pinheiros rompesse o asfalto em apneia. Assim foi. Entre um e outro salto mais caótico, conseguimos seguramente não bater em todos.
Tal como todos os almoços anteriores, este também não brotou de geração espontânea. Como se um não bastasse, foram dois Barrigas a encomendar o assunto. Como estão “em casa”, a coisa faz-se com alguns panelões que vão abastecendo pratos rasos, de sopa e de sobremesa. E podem ser todos com a mesma essência.
As gerações também se fizeram representar. Três de Barriga’s, as mais recentes dos Santos e dos Pontes, e até as das Pans se manifestaram com uma ou outra ST que reaparecia.
Se apetecia ficar a olhar o fim da tarde na foz do Mira, mais provocante estava o rubor do sol a esconder-se antes de Alcácer, ou se revelava nítida a silhueta de Lisboa oriental.
Milfontes amparava o Mira, cujo leito se despede com aparente serenidade do castelinho e do farol.
São Torpes, porém, destaca-se. Apertada e extensa, acolhe sempre como nómada, oferece o que tem de melhor e não precisa fazer disso alarde. Ali, é o brilho argênteo da água que atrai, a proximidade da areia, a planura da praia, os cenários gémeos de céu e mar.
É um Alentejo diferente. Distintas são as profissões (pesca-se e navega-se), a luz, a cor e o cheiro (o mar é decisivo), a paisagem (a falésia é determinante). Mas é o todo que deslumbra.
Por mais que o adágio porfie que “se não deve voltar onde se foi feliz”, a costa alentejana parece estar imune à voz do povo. Não está ilesa, porém, de mais dia, menos dia, nos desvendar de novo.
Música: Alhambra Trance Flamenco
Álbum: Alhambra
Autores: Oliver Shanti & friends