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domingo, 11 de novembro de 2018

Um quarto de século de Clube Paneuropean




A ideia era gira: escolher um sítio com bom ambiente onde todos pudessem dele usufruir e aí celebrar um quarto de século do CPEP. Tróia já tinha sido eleita e parecia reunir essas condições. Estimava-se que não fosse difícil concretizar tal projecto. Porém, a realidade, por vezes, ficciona-se.

E, depois, ficamos envolvidos numa trama que temos de ir descortinando para tentar que o final do filme seja uma boa comédia e não uma tragédia. Este também passou pela aventura, sobretudo pelo risco de ficarmos em dívida para com todos. Para com os participantes e para com as entidades fornecedoras de serviços.


Aliás, a aventura ainda não acabou. Os 384 emails que o Mariano diz ter recebido sobre o programa deste Passeio de Aniversário, não chegaram, nem de perto, nem de longe, aos milhentos que trocamos com quase todas as entidades envolvidas neste evento.

Nos dias anteriores, ainda se discutiam diferenças de valores. Desde alertas de última hora para o serviço de autocarro até pedidos de correcção de pagamentos, passando por acertos de horários, reavaliação de espaços, contabilização de vagas, etc, etc. Isto, antes do evento. Depois, é outro filme.

O PRINCÍPIO DA AVENTURA




O fim de época em Tróia limita-se a si próprio, sem resposta, há anos, para este problema sazonal. Mas, nem por isso, os preços baixam, sobretudo os da restauração. Os serviços atenuam-se ou desaparecem. Ou deixam de ter a qualidade que os preços exigem. Com a proximidade do frio e da chuva, Tróia não consegue sobreviver sem grupos. Por isso, os fins de semana de congressos tentam compensar os dias de semana de aridez. Realmente, quase não vê vivalma durante a semana. Foi isso que constactamos quando fizemos o reconhecimento do percurso. Verificamos também que, entre o dia de semana e o fim de semana, o trânsito se mantém diminuto nesta altura. A chuvada antes de Melides no reconhecimento, contrastou com a ventania do evento.



Durante a semana há vagas para tudo, isto é, para o pouco que está disponível. O El Cristo é o único restaurante aberto na marina, aparentemente durante a semana, bem como ao fim de semana, exceptuando os restaurantes das unidades hoteleiras. Os horários dos ferries distendem-se desde o Verão. O espaçamento entre horários de saída pode obrigar a estar uma hora à espera do próximo barco. Na proximidade, os serviços também deixam de estar disponíveis. A maioria das lojas encerram.



Durante a semana só está um café aberto na Praia de Melides. Em Alcácer do Sal, dos dois restaurantes recomendados e com boa vista para a parte antiga, incluindo a colina do castelo, um estava fechado e o outro não tinha lugares para todos. Um autocarro tem de atravessar o rio para nos levar de Tróia às ruínas. As luzes no acesso ao restaurante da praia são da autarquia, as apagadas, e do Troia Resort, as acesas. A ViaVerde na bilheteira tem problemas. O bolo de aniversário tem de ser feito na Comporta. E, mesmo assim, não há velas que cheguem!


(QUASE NÃO) HOUVE ESTRELAS NO CÉU


Na sexta-feira, a temperatura começou a descer. O El Cristo serviu o jantar aos muitos que estiveram presentes e aqueceram o ambiente. Previa-se que, no dia seguinte, houvesse muitas Pans a cumprir o programa. Mas, hoje, havia Noite de Estrelas. Para assistir ao "espectáculo" fomos de autocarro.




O céu estava nublado e, à vista desarmada, era difícil encontrar as estrelas no fim do ponteiro laser do astrónomo que nos acompanhou a observação do céu, enquanto duas historiadoras nos iam embalando o olhar com lendas estelares. Felizmente, houve algumas constelações que se quiseram destacar naquele céu de sexta-feira.  



Sentados em bancos mais dedicados a juvenis, espreitamos pelas lentes de dois telescópios, apontados a um Marte pequenito e, para a Lua, essa a mostrar a sua habitual face esburacada luminosa. A Cassiopeia percebia-se bem, tal como a Estrela Polar. As restantes estrelas empalideceram sob a névoa.




Não deixamos de achar estranho o facto e estarmos sentados em cima das ruínas. Provavelmente, muitos romanos andaram por lá antes de nós e foram dando uso ao sítio. Nessa altura, porém, não eram ruínas arqueológicas. Há dois anos,quando assistimos pela primeira vez ao evento, distribuíram almofadas... mas para nos sentarmos no chão.



Acabámos a noite no bar do Casino, como se a hora mudasse naquela sexta-feira, com a tranquilidade que os astros e os mitos nos devem ter cedido. No dia seguinte, sim, daríamos início ao passeio conjunto de moto, com uma comitiva de 22 motos. 

AO LONGO DA COSTA VICENTINA





O dia acordou luminoso. Da varanda do quarto a Arrábida continuava a ser acompanhada por um Sado aparentemente sossegado e um mar apenas assoreado por uma língua  de areia apostada em engolir a boiá de sinalização que indica o caminho para o rio. Deixamos Tróia a caminho de Melides, passavam quinze minutos das dez da amanhã. O frio acompanhou-nos durante o caminho, ao longo de uma planície onde nem sempre o piso era tão mau como o da zona de Pinheiro da Cruz.



Aliás, são cerca de uma dezena de quilómetros onde as raízesdos pinheiros parecem querer sobreviver aso alcatrão. Na praia de Melides vento e frio mantiveram-se unidos não aconselhando grandes aventuras quer no areal quer fora do “Vapor”, restaurante onde parámos para beber um café, dar dois de conversa e voltar à estrada de modo a recuperar o tempo perdido.




Não fosse aquele azul forte do mar no horizonte, algum odor de maresia que ainda chega a terra e o céu a descobrir-se continuamente e a jornada não teria mais do que as raízes dos pinheiros a misturar-se com a incisiva brisa que nos havia perseguido nos últimos 50 quilómetros. Largamos a praia, atravessamos Melides e apanhamos o IP8, agora também assinalado como A26… a caminho da rotunda que dá acesso ao IC1 que, quase até Alcácer do Sal, possui um dos piores pisos d região há já mais de uma década.


MILHARES DE ANOS NA CRIPTA MUSEOLÓGICA




Desde a Pré-História que a zona é habitada. Depois, chegaram os suspeitos do costume, Fenícios, Romanos, Visigodos, Árabes e, de novo Visigodos agora menos bárbaros do que antes. Até que o nosso Borgonhês mais famoso quis investir mais a sul.


Com pouco jeito para o diálogo e alguma teimosia acerca de modelos edificados, ele e os seus descendentes deram cabo do quase tudo o que os Árabes haviam construído, um pouco por todo o lado. Em Alcácer do Sal, salvaram-se um par de torres, algumas candeias e pouco mais.



Mesmo assim, na Cripta Arqueológica do castelo, uma espécie de subterrâneo multicultural, o nome de Alcácer - pequena vila fortificada, composta por casas, armazéns e outras estruturas colectivas – ganha sentido quando se descobrem estruturas milenares na colina do castelo.

E, na verdade, o que encontramos na Cripta são vestígios da Idade do Ferro que remontam ao século VII a.C., bem como estruturas do período romano e da ocupação islâmica, além de muros medievais da época cristã pós-reconquista. Julgo que todos gostamos das explicações, sucintas e essenciais da visita guiada.

São os romanos que conseguem deixar os alicerces mais robustos na Península. Aqui, tal é notório nos arruamentos mais evidentes, nas valas de esgotos, bem como no santuário, para além das paredes de edifícios urbanos. Tudo isto, mediado por estruturas que estendem por 27 séculos. É obra!


SABOR A MARROCOS



Mas não foram apenas os vestígios históricos que nos levaram para o ambiente, mas sobretudo para a memória de países árabes por onde já andamos. Foi um Moscatel de Setúbal, servido a preceito e acompanhado por aperitivos tão simpáticos quanto a nossa atracção por aquele cenário, que nos entreteve entre visitas.

Por iniciativa e investimento do nosso organizador, José Menau, produção de Isabel Menau, apresentação e serviço de Mónica Menau e amiga, os participantes puderam usufruir de um aperitivo antes de almoço, que muito fez lembrar um outro, servido pela irmã do Zé, no nosso segundo passeio a Marrocos, em El Jadida.



Depois de aguentarmos tantos séculos de cultura, o Moscatel libertou-nos daquela herança e convidou-nos a entrar na Pousada do Castelo de Alcácer do Sal, a visitar a igreja do antigo convento, cujo “pé direito” impressiona, e ainda a percorrer o claustro junto do qual iríamos almoçar.



A logística assim havia aconselhado: local de visita e de almoço deviam ser os mesmos. E assim foi, Cripta e restaurante praticamente contíguos. Embora o espaço do restaurante seja luminoso, amplo e com vista quer para as muralhas, quer para o claustro, algumas das “bochechas” foram servidas frias…


CAIS PALAFÍTICO SOB TORMENTA




Vinte e cinco quilómetros depois, invadimos o areal do Cais Palafítico da Carrasqueira. O vento preveniu-nos imediatamente de que andar por cima daquelas travessas de madeira pode ser assustador. Sobretudo quando a maré trepa rapidamente. Não é caso único em Portugal. Mas é capaz de ser o mais conhecido.



Não há disto na Europa. A grande dificuldade dos pescadores da Carrasqueira em alcançar águas navegáveis imediatamente a partir de terra firme, ditou a construção daquelas estruturas que facilitam o acesso ao rio sobre o lodo que fica visível na maré baixa.Aquela espécie de marina de arquitectura popular tem cerca de sessenta anos a servir de ancoradouro aos pescadores locais.


Em conduções normais - afinal estamos numa das margens do rio Sado - o Cais é sinónimo de tranquilidade, quer pelo sossego das águas, quer pela ausência de vento. Desta vez, porém, as ondas quase passavam sobre os passadiços e a ventania parecia não querer deixar-nos andar direitos ao longo dos diversos cais onde, junto destes, os barcos balouçavam como varas ao vento. Não nos demoramos muito.

POUCO SOLTRÓIA



Quando deixamos o Cais, o vento instalara-se para ficar. Mesmo no estacionamento de Soltróia o tempo estava desagradável. Perto da praia, pior ainda, soprava forte. Parecia estar a dizer-nos para nos despacharmos e rumarmos ao hotel para a Assembleia Geral do Clube.

 

A praia que, no Verão, os golfinhos visitam, onde é possível estar com o cenário da Arrábida em frente dos olhos, e onde a água do mar de temperatura logo após o primeiro mergulho, estava deserta. Também não nos demoramos muito ao abrigo do bar da praia.


AG NO CENTRO DE CONFERÊNCIAS




Não foram apenas as farmacêuticas a reunir ao fim da tarde. Por volta das sete, o CPEP estava em peso na sala Guadiana do Centro de Conferências do Design Hotel, em Tróia. Sem grande pompa, mas muita circunstância, sentamo-nos em redor da sala, fisicamente longe, mas solidariamente perto uns dos outros.

A (re)eleição do novo presidente do Clube recaiu sobre o anterior, que já leva uns aninhos de experiência no cargo. Serão mais dois, de acordo com a maioria dos votos expressos. A discussão sobre o futuro do Clube passou também e sobretudo pelas diversas hipóteses avançadas para gerir a cada vez maior escassez de Pans.


JANTAR NA PRAIA




Por volta das oito da noite, o frio mantinha-se. Ainda assim, a meia dúzia de minutos que nos separavam do bar da praia não foram suficientes para nos enregelar. E lá fomos, em fila indiana, sobre o passadiço que nos entregou no Beach Bar / Steak House do Troia Resort.


Um pavilhão em madeira, mesas corridas, ambiente aquecido, muitas janelas, vista de mar e serra e muitas lâmpadas daquelas que dão cabo das fotografias. Bifes gostosos e tenrinhos, vinho saboroso, sobremesa aceitável, serviço sem pechas. Até ao abrir das garrafas de champagne e corte do bolo.



Entretanto, a cerimónia de comemoração dos 25 anos do Clube Paneuropean de Portugal passariam pelo reconhecimento do empenho do Arlindo Matos, que todos os anos organiza um Passeio na sua zona, talvez o evento mais antigo organizado por um sócio.



Depois, um agradecimento aos sócios organizadores deste evento, seguido do habitual brinde e do apagar das velas. Velas, que se ficaram por 7, 2 correspondentes aos 20 anos e mais 5 para compor o ramalhete. Não foi apenas a escassez de serviços, mas também a penúria de produtos a caracterizar o evento.

Pior foi o serviço de abertura e distribuição de champagne, aberto na cozinha longe dos presentes, colocado em lugares onde não estava ninguém, deixando apenas uma garrafa na mesa do bolo. Talvez tenha sido a marca, Moet & Chandon, a criar algum desassossego… logo quando a iniciativa e o custo da oferta, quer do bolo, quer do champagne, partiram do empenho do sócio José Menau.


Porém, a festa de aniversário superou o episódio, sobretudo quando, todos os sócios presentes foram chamados a receber uma lembrança desta efeméride, uma placa alusiva ao 25º aniversário do Clube Paneuropean de Portugal. E que será posteriormente distribuída pelos restantes sócios que não puderam estar presentes.


Mágoas houvesse, teriam ficado saldadas na continuação da comemoração que, naquela noite gélida, encontrou de novo no espaço do Casino, mais uns bons momentos de convívio, ao som de música ao vivo de um grupo de jazz/blues.


ESPREITAR TRÓIA E SETÚBAL DESDE SÃO FILIPE





A manhã de domingo não afastou frio nem vento. Depois de uma luta infrutífera com uma ViaVerde avariada na bilheteira do cais do ferry, rumamos a Setúbal. O rio estava mais calmo do que o esperado, as motos não abanaram tanto como na estrada e o ventinho gélido ainda nos obrigou a estar protegidos pela amurada.





Destino, fortaleza de São Fiipe, situada a meia encosta, no início da Arrábida. Não mais que dúzia de minutos. Saímos do ferry, percorremos praticamente toda a avenida Tody e trepamos a colina, percebendo aqui e ali que o panorama do cimo seria agradável.

Estacionamos próximo da entrada, ao abrigo das muralhas e fomos subindo o túnel que leva ao pátio exterior. Dali, a vista sobre Setúbal e Tróia é esplêndida, quer da esplanada, quer do pátio que ocupa o topo de parte do telhado da fortaleza.


Visitamos a parte interior do edifício, já recuperada, que compreende várias salas de estar, pequenas mas decoradas com gosto. Consta que as restantes instalações estão a ser renovadas para voltarem a acolher pessoas na antiga Pousada.

Às tantas, saímos e voltamos a entrar. Faltava a foto de grupo agendada para o pátio mas que entretanto havia sido preterida face aos milhentos pontos de interesse do lugar. Acotovelamo-nos no túnel, escada acima, escada abaixo, e conseguimos sobreviver a duas ou três posses de grupo.


Voltamos à caravana a caminho do Vela Branca, um restaurante recente com espaço contado, resvés com a respectiva lotação. O sítio é agradável, tem vista sobre a zona nova de Setúbal junto ao rio e sobre a península de Tróia e parte da Arrábida. Espreitando para sul por entre os pinheiros, da esplanada e mesmo do interior do restaurante, é facilmente reconhecível o Hotel Design que havíamos deixado um par de horas antes.

A esplanada teria sido o local ideal  para almoço, mas o frio obrigou-nos a almoçar dentro de paredes. Entretanto, ao longo do almoço em muitas outras coisas, fomos delineando algumas perspectivas sobre o próximo ano do CPEP, sobretudo  no que respeita ao Passeio Internacional, ainda sem destino ou datas definitivas, mas já com algumas ideias em desenvolvimento.


Por volta das três da tarde, começamos a despedir-nos e a deixar o restaurante. Primeiro os que vinham de mais longe, depois os de mais próximo. Para o ano há mais, com mais ou menos Pans, mas com os habituais suspeitos destas andanças que o Clube vai apadrinhando!



Música
Chieli Minucci, Daybreak Live




sábado, 9 de agosto de 2014

A "Escola"




Podíamos ser mais. Mais dois ou três. Desta vez, porém, éramos cinco mais um. Cinco amigos de escola, de liceu, das motos. O núcleo duro, digamos. Conhecemo-nos nos anos 60, mas a maioria nos anos 70. Passámos muito tempo juntos, sobretudo em viagem,  a viajar de moto. Há mais, mas duas dessas viagens são relativamente recentes no blog. Uma delas, está aqui . http://cordeirus.blogspot.pt/2011/11/cb-750-tour-mediterraneo-ii-1983.html. A outra, aqui http://cordeirus.blogspot.pt/2012/10/cb-750-tour-mediterraneo-i-1981.html. 

O "um", do "cinco mais um", é um estrangeiro, amigo das motos, já dos anos 80. Nunca viajamos juntos, mas já fizemos muitos quilómetros por cá e por lá. Por isso, ele tem cá uma moto. É nosso amigo de longa data. Uma estória a contar. 
Aproveitamos um dia de Verão, céu azul, calor quanto baste, para andarmos de moto. Só os rapazes. Deixamos as mulheres em casa, mas prometemos regressar a tempo de jantarmos todos juntos. Porquê ir? Sobretudo para partilhar as mesmices que nos juntaram primeiramente e continuarão a juntar. 
A rapaziada da escola é como a noite ou o dia, a chuva ou o calor. Podem não estar sempre presentes, mas são para sempre. Quando estamos juntos, abrimos constantemente álbuns de recordações, como se esses ficheiros de memória fossem o GPS da nossa existência. Repisamos cenas, elegemos ocasiões, puxamos pelas mais notórias,  insistimos nas mais recônditas quando falha algum detalhe. Juntamo-nos recentemente mais organizados. Temos agenda, marcamos datas e horas, e aparecemos todos. E somos responáveis à vez. Parecemos profissionais. Ganhamos ordem mas desperdiçamos alguma voluntariedade. Como se fosse preciso…
O jeito português é não estar a horas. Porque há sempre algo no processo que falha, porque “fica bem” ou porque há sempre alguma coisa para fazer. Estando a tempo, parece que não temos mais nada que fazer. Ou pode ainda ninguém ter chegado. Embora tenhamos chegado mais tarde – o “outro” (que já sabe como os portugueses funcionam) também precisou de fazer algo em cima da hora – tínhamos margem para cumprir o resto do programa. A ideia inicial era ir beber um copo a Alcácer – tarefa que ficou de parte – para saciar o apetite. Só depois rumaríamos à “Escola”. Sairíamos por Troia, de barco.
Imprescindível era ir de moto. Além da amizade que nos une desde o tempo de escola/liceu, as motos foram um elemento que reforçou essa estima. Mas uma delas não quis trabalhar e a outra há anos que não trabalha. Daí terem aparecido dois penduras para três motos, uma XX (sport), uma STX (touring), uma XRJ (naked). E ainda uma XT (trail), do nosso amigo holandês. As duas primeiras têm mais de 10 anos. A XJR não sei se já tinha quinhentos quilómetros percorridos. A XT é dos anos 80. É caso para dizer ser estranha a diferença que nos une...
Deixámos a A2 na Marateca e entramos no IC1. O piso está bera, mas faz-se. Pouco trânsito, um ou outro carro para ultrapassar, raros camiões, escassas motos. Chegámos a Alcácer com o sol a iluminar o castelo e as voltas do Sado, já perto da uma da tarde. Metemos rumo à Comporta e a meio caminho virámos para a “Escola”. Tínhamos feito cerca de 120 quilómetros. Os últimos já envolvidos pelo aroma fresco dos pinheiros.
Vamos à “Escola” há anos, há mais de trinta. Mas também fazemos intervalos valentes. Passávamos por lá quando vínhamos do Algarve ou ficávamos alojados em Troia. Há anos, não era preciso reservar. Agora é necessário, sobretudo no Verão e ao fim de semana. A fila à entrada é um alerta importante. Por duas ou três vezes, fomos obrigados s recorrer a Alcácer ou a Troia, ou mesmo a casa, para almoçar ou jantar. Desta vez, estava tudo previsto. Até o atraso à partida, que resultou num achegada à tabela.
O restaurante está na mesma... o ambiente e a ementa não têm mudado. http://restauranteaescola.pai.pt/. Malta nova - muitos deles da nossa idade J – famílias, habitués. O proprietário que também orienta a cozinha e algumas empregadas são os mesmos. O parque de estacionamento também não mudou. Aliás, tudo está na mesma, sobretudo os sabores que continuam a surpreender. Ah, o vinho branco da casa, mudou. Para melhor. Partilhámos, pelo menos, enguias, coelho bravo e salvo erro chocos.

Ainda lá está o quadro em ardósia, as janelas continuam a abrir o “recreio”, as pequenas casas de banho cumprem a sua função. Registamos a ocasião à porta e à mesa. À porta, nota-se que o único vestido para a ocasião foi o Ivo que não prescindiu dos calções. À mesa, a conversa não deixou melhor ângulo, mas ainda possibilitou conhecermos os vizinhos, da mesa contígua, um arquitecto que já havia estagiado em Breda – próximo da morada do nosso amigo holandês em Maastricht – casado com uma italiana e em cuja mesa estava uma iraniana. Um pote de nacionalidades, uma mistura de culturas. E, nisso, como bem dizia o arquitecto, nós exageramos.
Saímos com a sensação do dever cumprido. Percorremos os 50 metros de terra batida até ao asfalto e seguimos para a Comporta. Continuava um tempo quente a estimular um mergulho. Por isso, o parque de estacionamento da praia da Comporta estava a romper pelas costuras. A estrada para Troia não tinha muita gente e só havia alguns carros parados nas bermas onde a praia está perto. Daí a pouco entrávamos no (já não novo) cais com acesso logo a seguir à urbanização Sol Troia.
Esperámos cerca de dez minutos pelo barco, entrámos e arrumamos de lado, junto de mais duas ou três motos. A travessia é rápida e a saída do barco também. Depois, foi optar pela auto-estrada rumo à ponte sobre o Tejo. Andámos sempre em velocidades de passeio e nunca ultrapassámos os 120 km/h, quer para podermos apreciar o sossego da paisagem, quer para não puxar pela XT nem seduzir a neófita XJR. À vista de Lisboa, a ponte já levava muita gente. Não era tarde e neste domingo a fila estava quase na subida para a portagem. Ao entrar na ponte, percebe-se de imediato que Lisboa dava o rosto ao sol como é habitual. E, como é costume, nós seguimos o sol. Aliás, "nous sommes du soleil"!


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