Entre Almoçageme e a Estrada do Rodízio, em Colares, abre-se um velho caminho sobre a costa de Sintra, onde a terra se inclina para o Atlântico e a paisagem se revela em toda a sua grandeza.
Os novos passadiços, primeira etapa do futuro Parque Ecológico, desenham uma promessa de descoberta entre a Praia da Adraga e a Praia Grande, por caminhos que alternam a madeira suspensa e a terra irregular.
Em Setembro, dava ideia que antigos trilhos - nesta altura vedados - se misturam ainda com os novos passadiços, acompanhando os contornos de um território onde o mar, o campo e a montanha se encontram.
Ao longo de cerca de 2,5 quilómetros, o percurso circular convida a caminhar sem pressa, a contemplar os horizontes abertos da Praia Grande - o panorama desde dois dos miradouros é excelente-, e a descobrir a beleza agreste de uma costa moldada pelo vento e pelo tempo.
Entre miradouros e lugares de paragem, cada passo oferece uma nova perspetiva sobre o oceano, enquanto as ligações a Almoçageme e Azóia nos vão mostrando a diversidade paisagística para o que contribui o tipo de vegetação que atravessamos.
Para norte, é a Praia Grande, a Pequena e a das Maçãs, que se esticam ao longo da costa. Para sul, é o Farol do Cabo da Roca que se vislumbra de imediato. Para baixo, é a Praia da Adraga que surge com alguma areia na maré baixa.
Paisagem que é também um livro aberto de milhões de anos, guardando pegadas de dinossauros - situadas numa parede rochosa a meio caminho entre a praia e o topo da falésia, inacessíveis nesta altura -, vestígios paleolíticos e monumentos geológicos.
Com um centro de interpretação ambiental previsto, novos circuitos e espaços de observação e descanso, o projeto estenderá progressivamente os seus caminhos, com conclusão apontada para 2027.
Por agora, entre passadiços e trilhos, o convite é simples e antigo como a própria viagem: avançar, respirar, contemplar e deixar que a imensidão do Atlântico nos devolva a medida da nossa liberdade.