quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Carmo. Museu Arqueológico




Festa da Arqueologia! Onde, no Carmo? No antigo convento?! Terá bancas com entidades de pesquisa e arqueólogos e mais qualquer coisa... visitas guiadas, embora! Bom, as bancas estavam lá e o museu também, assim como as ruínas do antigo conveto carmelita. As visitas guiadas, bem, talvez em outra altura, com mais agenda disponível.


Está pertíssimo da estação do Rossio. É uma ruína valiosa, possui peças históricas e mostra uma arquitectura emblemática. O Museu Arqueológico do Carmo é dos “tais sítios” de Lisboa imperativos que nos escarafuncham a curiosidade.

 
Há séculos que ali está, desde finais do século XIV, fundado por Nuno Álvares Pereira, que seria inicialmente lá sepultado. Da colina onde está implantado, vê-se outro dos ícones da lisboa medieval, o castelo de São Jorge. O convento é um dos mais dos mais notáveis monumentos góticos nacionais.






























Ferido seriamente pelo terramoto de 1755, depois parcialmente reconstruido, foi deixado a céu aberto o corpo principal da igreja. Esse facto, associando a arquitectura da ruína e a antiga utilização do espaço, criou um ambiente estético “mágico-religioso”, invulgar no contexto dos monumentos medievais portugueses.


O interior, pétreo e austero, com um "pé direito" bem esticado, encerra um rico património arqueológico e artístico, constituído por diversas colecções de objectos, alguns raros entre nós, como um sarcófago com múmia egípcios, várias múmias pré-colombianas ou inúmeros exemplares de epigrafia romana. E, não só.

 
Túmulos (um, de D. Fernando I, bem como o sarcófago das Musas), estatuária (pelo menos uma do Condestável), adornos (peças de colares?), ferramentas (machados), bustos (um, com dúvidas de atribuição a Afonso Henriques), estão entre os objectos em exposição no interior. No "exterior", domina a pedra, sobretudo capitéis.

 

Mas é a arquitectura gótica e neogótica que “esmaga” o olhar quando lançado ao céu. Era essa mesma uma das intenções da estética religiosa medieval, constituir o local de culto como elemento capaz de salientar a distância entre o crente e a divindade, identificando com relevo a separação e a hierarquia entre o primeiro e o segundo.

 

O aspecto cenográfico, a romântica do traço e dos elementos decorativos, aliados à robustez da pedra das paredes e a algumas formas animais bizarras e fantásticas, emprestam ao local uma atmosfera excêntrica e brutesca, mas igualmente vistosa e cativante.   

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Turquia 2021. 5ª Parte. De Igoumenitsa a Casa



Cerca de sete horas depois de embarcarmos em Igoumenitsa, estavamos na auto-estrada italiana, desta vez junto ao Mar Adriático, via Pescara. Esta, tal como a que anteriormente havíamos percorrido via Nápoles, além da magreza habitual das vias, estava pejada de obras. 

Os cerca de quinhentos quilómetros que nos separavam de Roma, tiveram troços muito lentos, com filas de trânsito a atrasarem a nossa chegada à capital italiana. Pela primeira vez na vida, vimos um posto de abstecimento com gasolina a mais de 2 euros o litro!! E, uma das opções foi meter gasolina até pouco mais do que Barcelona...

MESMO A TEMPO DE SAIR

Desta feita, iríamos deixar as raparigas no hotel para, no dia seguinte, apanharem os aviões, de diferentes companhias, para Lisboa. Era preciso voltar à logística das trocas de roupa, dar outra arrumação às malas laterais e à mala de topo. Depois, foi imperativo voltar a atravessar meia Roma. 

Era preciso chegar a tempo de jantar e fazer o check-in e... acabou por não haver sequer tempo para jantar! “PLF, oblige! E foi esperar que houvesse rede, esperar para utilizar outro telemóvel, esperar que a recepção do porto fosse suficientemente urbana para resolver os problemas logísticos.

- “Empresta aí o teu telemóvel... olha também não funciona!

- O do líder também não…!

- É desta que vamos dormir nas docas!”

Tal como em Igoumenitsa, a ajuda do organizador e vice-presidente do MCPorto, Nuno Trêpa Leite, foi decisiva para nos devolver a casa. 

Enfiámo-nos no barco, mesmo à hora de partida, ainda a tempo de lá jantarmos. Durante a noite, o camarote portou-se melhor do que na ida e os preços mantiveram-se valentes. Valeu a tarde do dia seguinte, sob a animação de grupos de dança tradicional catalães que regressam de um festival na Sardenha.

A dinamizar a extensa travesia do Mediterrâneo, além do folclore catalão, foi profícua a troca de impressões com os restantes portugueses que estiveram no evento turco. Voltei a conversar com o Luís Amaral – anos antes, participante em jornadas sobre viagens de motos e, não só – e a fazer-me sócio de uma ONG, Na Rota dos Povos, que ajuda órfãos na Guiné.

À NOITE, À PROCURA DA BOMBA

Saímos céleres do barco em Barcelona, já com a noite esticada. Tínhamos cerca de 3 horas de caminho pela frente  para percorrer até SARAGOÇA. E havia que reabastecer. Saímos da capaital catalã já passava das 9 da noite.

- Fazemos alguns quilómetros, jantamos, abastecemos e seguimos...

Era o que estava, mais ou menos, previsto. Os quilómetros seguramente, o restante, nem tanto. Fomos adiando o abastecimento e o restante atrasou-se.

Havíamos abastecido muito depois de Bari, mas já levávamos quase 350 kms percorridos ao descer em Barcelona. Fizemos mais cerca de 50 e, postos de abastecimento, nada. 

Andámos, saímos, voltamos a entrar, e a sair da auto-estrada. Separamo-nos, juntámos-nos, voltámo-nos a separar, sempre com o olho numa Galp que teimava em estar do outro lado da AE. Chegámos lá a vapor e, por fim, todos conseguiram. 

Finalmente, pudemos jantar perto de CAN DALMASES.

Já passava das onze da noite, quando deixámos os catalães contentíssimos na esplanada, com a derrota do Real Madrid face a um desconhecido Sheriff. Às tantas, ainda fizemos uma pequena excursão pela NII, mas dado o adiantado da hora, voltámos à segurança da auto-estrada. À noite, tudo se transforma, como em “À Noite, no Museu”. 

POR DO SOL EM MONTEMOR

Na manhã seguinte, saímos para os 900 kms a percorrer neste dia até ao lar-doce-lar. Amanheceu com a frescura típica da meseta. Mas o calor apareceu assim que paramos numa esplanada para beber o último café juntos, no Assador San Ramon, pertíssimo de Calatayud. Foi aí que nos separámos. 

Eu fiquei com o meu companheiro, rumo a Madrid, e os restantes optaram por seguir por Valladolid. Paramos para almoçar numa esplanada, depois da capital espanhola, sob um sol acolhedor que, aquela hora, já prometia um belo poente. 

Entramos em Portugal a meio da tarde, mas já com o sol encadeante, a tramar-nos a vista mas a convidar-nos para lhe observarmos o esplendor. Ainda guiei largos kms com a mão esquerda a fazer de pala, mesmo usando a visiera escura do capacete. Aceleramos um bom pedaço, paramos em Montemor, mas já não conseguimos apanhar-lhe um bom ocaso.

Só nos separamos no dia seguinte. A noite acolheu-nos em minha casa, onde prolongamos a viagem, ouvindo as últimas estórias no feminino, transferindo as nossas, conferindo os últimos quilómetros dos restantes companheiros de viagem, Quilómetros que não serão seguramente os últimos com todos estes companheiros de aventura.



quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Turquia 2021 - 4ª Parte - De Kusadasi a Igoumenitsa




Deixámos Kusadasi cedo. Não havia paisagens deslumbrantes no percurso que nos tentassem. A não ser que... Porém, estávamos a cerca de 400 quilómetros de ÇANAKKALE. A meio do percurso teríamos de parar para almoçar.
Aparece sempre qualquer ponto interessante no itinerário. Não é todos os dias que se encontra um oásis, uma pequena península em madeira sobre o Mediterrâneo, para comer bom peixe, sob um clima quase estival, em boa companhia.

SOB O CAVALO DE TROIA

Ainda aventámos uma tentativa, não conseguida, antes do Mototour, para visitar as ruínas de Tróia. Mas já lá havíamos chegámos em cima da hora de fecho. Por tal, deixámos para depois o encontro com Aquiles e Heitor. 
Ficamos alojados no HOTEL KOLIN, talvez o melhor da jornada, um 5 estrelas moderno, espaçoso, com staff à altura e a bom preço. Situado próximo do mar, permitiu ainda fazermos um passeio pedestre nocturno ao longo das margens do Mediterrâneo.
Ir a Tróia e não estar próximo da História e do mito, seria um ultraje que gregos e troianos não deixariam passar. Por isso, de manhã, entrámos em Çanakkale, qual exército de Menelau, e não deixámos de posar sob a barriga do famoso CAVALO DE TRÓIA, neste caso, a réplica utilizada no filme de Wolfgang Peterson, Trioa.

FRONTEIRA DE FILAS
Se habitualmente já não é fácil, por vezes, torna-se mais difícil acertar a pressão dos pneus numa Paneuropean. Sobretudo, quando: 
- a primeira bomba não tem o equipamento de ar a funcinar (aliás, por tal, o pneu ainda ficou com menos ar);
- a segunda não tem equipamento de ar;
- e, a terceira, tem o equipamento de ar a funcionar demasiado bem!
Lá fomos, obrigados a rodar com pouco ar, depois na mesma, depois com ar a mais.
À quarta, foi de vez...
Era a nossa vez de passar o ESTREITO DOS DARDANELOS para Galipoli, um outro local histórico da Primeira Grande Guerra, onde se distinguiu aquele que seria o construtor da Turquia moderna, Kamal Ataturk. Entrámos no ferry acompanhados de um vendedor ambulante de porta-chaves e quase todos ficamos com uma recordação do local.
Chegamos à fronteira de IPSALA em velocidade lenta ao longo dos últimos 3 quilómetros ladeados por camiões estacionados dos dois lados da estrada. Apesar de estarem pouco mais de uma dúzia de carros para sair da Turquia, esperamos bastante para atravessarmos a fronteira. Porém, seria a entrada na Grécia a testar mais uma vez a nossa paciência.
Avançamos a conta-gotas, empurrando as motos ao sabor do expediente grego e do calor da ocasião. Razão da demora: apresentação do famigerado “plf”, com uma equipa sanitária grega pronta para aplicação de testes. E, se a espera já tinha sido valente, quando o telemóvel se recusa a mostrar aquele ficheiro, há que vencer os gregos pela exaustão...

DO EL GRECO À TORRE BRANCA

Era imperativo atravessar a Grécia para chegarmos a tempo ao já reservado ferry de volta a Itália. Para tanto, elegemos SALÓNICA como ponto de paragem, sobretudo para não passarmos um dia inteiro na estrada, uma vez que os cerca de 500 kms da jornada contemplavam um barco e uma fronteira como filtros. E, aquela hora de atraso na fronteira, fez com que chegássemos já de noite à segunda maior cidade grega.
Porém, a tempo de enfiar as motos, duas a duas, no elevador do HOTEL EL GRECO – o pior da viagem, desgraçado pintor que ficou tão mal na tela! – jantar numa espelunca com atendimento confuso e partir para a noite. 
Noite que, ali perto, era uma espécie de Bairro Alto ao cubo, com ruas estreitas, pejadas de bares, de animação e com a malta nova num vai-vém frenético e numeroso, entre uma das maiores avenidas de Salónica e a marginal. Optámos por um Gin tónico, numa espalnada mais calma, na Praça Aristóteles. 
De manhã, saímos calmamente pela extensa marginal e parámos perto da TORRE BRANCA, priisão durante o século XIX, mas de origem medieval, que fazia parte da muralha da cidade.
Paramos, passeamos e fotografamos. Deixamos a cidade, sabendo que havia muito que ver, para além da área da marginal. Mas, temos de chegar a tempo de mergulhar no Mar Jónico e de fazermos o check-in do ferry. Enfim, parece pouco...

ALMOÇO EM IOANINA...


Voltamos à auto-estrada grega. Percorremos um bom pedaço que ainda não tínhamos feito a caminho de Meteora. Regressamos aos contrafortes montanhosos e reconhecemos incliusivamente a saída para Metsovo. Desta feita, porém, era IOANINA que estava no trajecto como local de paragem desta etapa. Á chegada, parecia estarmos no pino do Verão, de tal forma que, foi imprescindível almoçar numa das esplanadas que marginam o lago, aproveitando a temperatura fantástica.

Aliás, a rua de entrada em Ioannina, capital da região de Épiro, que vai para o Lago Pamvotida, leva-nos ao longo da muralha do castelo, um anfitrião estético e histórico de peso. O lago é calmo, permite passeios de barco, paisagens agradáveis e locais para fotos de grupo. E, como não podia deixar de ser, a (saborosa) comida grega faz o resto.

...MERGULHO EM IGOUMENITSA

Quando chegámos a Igoumenitsa, virámos para a costa, para as colinas que dão acesso a pequenas praias.
- Ali não, que não há acesso! 
- Mais à frente, não, que é um parque de campismo!
- É por aqui, é por acolá... há ali qualquer coisa gira!
- Já voltamos...
Ainda é cedo mas, à cautela, é melhor ir já ao porto fazer o check-in do ferry.
E a coisa esteve preta.
Já tínhamos percebido em Bari que, sem tranquilidade e ponderação, os novos trâmites de controlo sanitário dificilmente teriam bom desfecho. Tudo tinha de estar visível como se de um papel se tratasse. Mas não aceitavam em papel...
Aqui, voltou a ser necessário encontrar uma interlocotora dedicada, já que, as dificuldades de preenchimento do “plf” e de comunicação (rede de telemóvel), originaram stress e, sobretudo, morosidade.
Por isso, quando deixámos o porto já o sol declinava rumo ao Mediterrâneo. Mesmo assim, ainda foi possível encontrar um pequeno oásis, a PRAIA DE GÁTA. Naquele dia, aquela hora, a praia estava "sózinha", à nossa espera, com camas e chapéus de sol gratuitos. O poente recebia-nos a tempo de bebermos um Gin tónico a olhá-lo nos olhos.
A água puxava-nos para lá, para uma calmaria não tão suspeita como as pequenas dentadas de um peixito que não se via, mas picava como gente grande. A minha perna ainda sangrou, enquanto os outros sentiam, de vez em quando, uma espécie de apalpadela traduzida numa pequena picadela. Porém, o pôr do sol superava todos os incómodos, forte e belo, a vincar com determinação o adeus à Grécia. 

À NOITE, NO PORTO MARÍTIMO


Voltamos a IGOUMENITSA para jantar numa esplanada com os restantes participantes portugueses no Mototour. Se a demora na recepção já tinha sido valente, a espera pelo ferry foi-se estendendo pela noite. 

Valeu-nos, todavia, umas horas de convívio com os portugueses com quem fizemos a travessia. Horas de frio mas, também, de troca de ideias e opiniões sobre aquilo que gostamos: motos e viagens, ou seja, viajar de moto! 






segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Turquia 2021. 3ª Parte. De Istambul a Kusadasi

 

Pode parecer que já vimos tudo... mas as grandes cidades enganam. Parece que "está feito", parecemos "cheios" de novidade, mas falta sempre qualquer coisa. Afinal, muita coisa. E, depois, falta o resto até à `Festa: Pamukkale, Bodrum, Kusadasi... 

ADEUS ISTAMBUL, OLÁ ÁSIA


Percorremos a marginal, ao longo das muralhas bizantinas, o que vai oferecendo um cenário que nos coloca mais próximo da velha Constantinopla. Isto, num domingo tranquilo de trânsito, apenas interrompido por uma paragem forçada por um polícia que, afinal, nos deixou seguir assim que percebeu sermos estrangeiros. Acontece!


Deixámos a Ponte Gálata e, num instante, estávamos na Ponte do Bósforo, semelhante à nossa “25 de Abril”, a passar não para a Margem Sul, mas para outro continente. Entrámos pela primeira vez de moto na Ásia, através da auto-estrada, passando pelas cabinas de portagem dedicadas ao cartão que havíamos adquirido depois da fronteira. 

UM DERVICHE NO TELHADO


Íamos a caminho de BURSA, quarta maior cidade da Turquia, a cerca de 150 kms de Istambul. Começava a aquecer. Trepámos a colina, arrumámos as motos num pequeno parque vigiado e entrámos no PARQUE TOPHANE de onde se vê praticamente toda a cidade. Descansámos, bebemos  chá e admirámos a paisagem.



Ali perto, a MESQUITA VERDE - mais uma que é possível visitar mesmo não sendo muçulmano – apesar de relativamente pequena, possuía uma decoração diferente das que tínhamos visto até ali. Lá fora, porém, desde o pequeno jardim fronteiro à mesquita, era ímpossível não dar de caras com um elegante derviche, parecendo rodopiar por cima de um telhado: surpreendente!


Mas, "não há bela, sem senão". Ou seja, não há fechadura que não tenha chave. Se não, não abre. Ao reabastecer em Bursa, a chave da tampa do depósito partiu-se. Spray lufricante, alicate de pontas, jeito deste lado, puxa do outro, parecia difícil. Ás tantas, mercê de jeito e paciência de quem o/a tem, metade da chave saiu. Podemos continuar com a chave suplente.

A CAMINHO DO NASCER DA LUA


Saímos da cidade e continuámos na nossa etapa mais longa da jornada, pouco mais de 400 kms a percorre naquele dia. Após sairmos da auto-estrada, entrámos na estrada nacional, a deixar duas faixas de rodagem em cada sentido e, pontualmente, pequenas rotundas para desviar ou mudar de sentido. O tráfego continua a ser escasso.



Da estrada principal, passámos para uma secundária e desta para o que parecia uma municipal, piorzita, a passar por aldeias, cujos campos estavam sempre cultivados. O entardecer concedeu-nos uma das melhores imagens da jornada, com a lua a aparecer junto de um planalto alvo, praticamente junto a PAMUKKALE.

VENUS SUITE


Apesar de a estrada ter sido uma das piores que pisámos e as povoações circundantes serem desinteressantes, nada nos diria que, ali, numa zona rural desprovida de fascínio, iríamos chegar a um excelente oásis denominado HOTEL VENUS SUITE, um dos melhores desta viagem. Um caso sério!


Parte deste charme, estava nos quartos, na piscina central, na esplanada junto desta, no espaços funcionalmente dedicados, no serviço praticado. E, do ponto de vista estético, até as pequenas lanternas distribuídas pelas árvores que cobriam a esplanada nos proporcionou um agradável “jantar em família”.

HIERÁPOLIS


Aproveitámos a boleia da carrinha do hotel – um serviço gratuito, de realçar – para treparmos ao que julgávamos ser apenas o tal maciço branco, que havíamos visto no crepúsculo do dia anterior. Todavia, o que nos surgiu algo foi muito diferente. Logo à chegada, os olhos davam com um gigantesco teatro romano que dominava a paisagem. O primeiro, e é enorme! Começa bem!


Estamos em HIERÁPOLIS, uma cidade grega fundada no século II, antes de Cristo! É realmente o teatro romano que o olhar vai buscar. É enorme! Talvez a dimensão se agigante, uma vez que, à volta, para além de alguma aridez, as ruínas que se estendem em redor também são imensas. Porém, são ruínas jazentes, decorrentes de dois grandes terramotos, um no século I e outro no século XII. 

NOS BANHOS DE CLEÓPATRA



Do cimo do anfiteatro é possível ter uma ideia da grandeza da urbe. É surpreendente! E, mais longe, o que parece ser um pequeno oásis, é afinal um conjunto de fontes, e de piscinas termais que, juntamente com Hierápolis, foram consideradas Património Mundial da UNESCO. O tal monte alvo que havíamos visto no entardecer do dia anterior, era afinal esse conjunto de piscinas de origem calcária. Singular!


É realmente uma espécie de “castelo de algodão” – significado de Pamukkale, em turco – essas piscinas consecutivas que descem a colina em cascata e dão a sensação de uma manta branca e azul gigantesca que a cobre. Andamos entre as piscinas sobre carbonato de cálcio solidificado, que parece oleoso, mas nem por isso é escorregadio. 

Segundo a lenda, Cleópatra teria tomado banho aqui, tendo sido o lugar conhecido pelo nome de Banhos da Cleópatra. Porém, não é permitido tomar banho, excepto numa área reservada, junto da recepção. Toda a gente se descalça para poder andar sobre a plataforma calcária. A profusão de cores, sobretudo da roupa dos visitantes, contrasta com o azul esbranquiçado da água. Lindíssimo!

NA CONCHA DE BODRUM


Não é longe, pouco mais de 250 kms. BODRUM fica a cerca de 2 horas de caminho, ao longo de uma costa bastante recortada, banhada por águas tranquilas. Alojámo-nos num hotel da colina, com uma configuração em socalcos, que dominava a baía da cidade como se de um miradouro se tratasse. Que vista!


Dali, inclusivamente desde as piscinas, era possível ver o castelo, o porto e a marginal que lhe dava acesso, bem como o manto de casas brancas que se estendia pelas colinas. Percorremos a marginal à noite, entre animação musical de 100 em 100 metros, quer com grupos musicais, quer com cantoras folk.


A marginal serpenteia por entre bares, restaurantes e lojas de artesanato. O mar está ali a meia dúzia de metros e, embora a praia seja de pequenos seixos, tal facto permite estender as esplanadas até sentirmos os pés dentro de água. A tranquilidade da maré faz o resto, duplicando no mar as luzes de terra.

A CAMINHO DA FESTA


Volta a não haver trânsito significativo. Sabíamos da localização de Mileto a meio do trajecto seguinte, mas precisaríamos desviar e queríamos chegar relativamente cedo para proceder às inscrições no Mototour. Fica para a próxima, dissemos. Optámos por ir parando ao sabor da paisagem.

Realmente, até Kusadasi é um instante, desde que se opte pelo itinerário directo. Pena a parte final da estrada que bordeja o mar e se enrola pelos montes, tenha um piso degradado e o alcatrão um perfil rasgado, originado provavelmente pelo trânsito a pisar asfalto a temperaturas valentes. 


À chegada ao hotel Le Bleu, em KUSADASI, já se viam no parque de estacionamento, exclusivo para o evento, um grande número de motos. Outras, chegavam continuamente. Após o registo na recepção, assistimos a um dos mais bonitos ocasos da jornada. Se em Bodrum já havia sido sério aqui, em cima do mar, aqui o pôr do sol foi espectacular.


A apresentação do programa revelou uma mudança face ao previsto, para melhor, contemplando mais locais a visitar. O briefing nocturno, à beira-mar numa esplanada do hotel, sob temperatura estival, alertou ainda para um aumento de quilometragem, que se estenderia a cerca de 200 kms, também no segundo dia. 

De Istambul a Kusadasi


NO MERCADO DE URLA


Organizados em 4 grupos, fizemos a primeira paragem do périplo onde julgamos tratar-se apenas de um porto de pesca. Aqui, ficámos aquém do que nos podia ter sido mostrado, uma vez que a área contemplava, além da marina, ruas típicas de localidades mediterrânicas, praias, marginais, ruínas, etc.
Logo após rumámos a URLA, local de reunião de todos os grupos. Estacionámos as motos em plena praça central e saímos para um almoço volante, tão rápido - como convém com tanta gente – mas, demasiado frugal – como não convém a gente que gosta de comer. O passeio na zona do mercado completou a romagem com um café excelente e gelados compensadores.

À TARDE, NO MUSEU


Oitenta quilómetros depois, estávamos no KEY MUSEUM, inaugurado em 2015, o museu de clássicos mais abrangente da Turquia. Conta com 76 carros e 40 motos, veículos que constituem o acervo principal do museu. Espaçoso, requintado e luminoso, o museu mostra ainda mais de dois mil modelos de miniaturas de carros em diferentes escalas.
O espaço dedicado às motos contempla diversos modelos de BMW’s, Harley’s e Indian’s, entre outras marcas, de diversos anos, sendo a armada alemã que conta com mais modelos. É possível ver ainda o primeiro modelo de moto do mundo produzido com motor de combustão interna, Daimler Reitwagen, produzido em 1885.

APOTEOSE EM KUSADASI

Prevista para o dia seguinte, a chegada simultânea de todos os grupos para registo fotográfico do evento, iria ter lugar algures em Kusadasi. Antecipada para o primeiro dia, aconteceu na marginal da cidade anfitriã, no sítio junto da escultura de El Heykeli, praticamente ao pôr do sol, a desaparecer atrás do castelo genovês situado na ilha de Güvercinada.
Foi aqui que a diversidade de origem dos participantes foi mais notória, quer pelas matrículas – raras na Europa Ocidental – quer pela exuberância de alguns grupos. Curiosamente, os mais excitados era os de origem árabe. Certos pneus ostentavam sinais dessa euforia... 

Para além dos europeus do sul - portugueses, espanhóis e italianos - ali estavam, croatas, eslovenos e até nórdicos. Porém, também havia, para além das turcas, matrículas sírias e iranianos, com quem raramente nos cruzamos, 

NO SÍTIO DE TALES E ANAXIMANDRO


De manhã, magia! Rumámos a MILETO, cidade de origem grega onde, além de ter sido muito activa comercialmente, surgiu a filosofia e a primeira escola filosófica. São daí originários nomes sonantes da filosofia, matemática, astronomia, como Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Em boa hora deixámos a visita para esta oportunidade!
À chegada, onde o imponente anfiteatro domina a colina, vemos imediatamente ao que vamos. A dimensão é impressionante. Estamos em ruínas cuja antiguidade remonta a mais de cinco séculos antes de Cristo. Além do teatro, Mileto conta ainda com uma fortaleza bizantina e com os “Banhos de Faustina”, uma área termal com designação curiosa.

APOLO E DAFNE ANDARAM POR LÁ... E A VIRGEM MARIA REFUGIOU-SE AQUI PERTO

Voltamos à costa mediterrânica mas continuamos sob o signo dos deuses. Em DIDIM, fomos recebidos pelo presidente da autarquia local, na antiga cidade de Didyma ou Dídimos, um antigo santuário jónico, lugar de oráculo e do TEMPLO DE APOLO. Apesar de o templo original ter sido destruído, o actual data de mais de 300 anos a.C.

O complexo inclui outros espaços profusamente decorados – alguns com referências teatrais – mas é o templo – a dimensão, a escadaria, as bases das colunas – e são sobretudo as colunas que espantam. As colunas jónicas são esteticamente ricas e belas, talvez por isso o arquitecto Vitruvius tenha associado o jónico às proporções femininas.
Fizemos uma pequena paragem na CASA DA VIRGEM MARIA, local atribuído mas não confirmado à estada da mãe de Cristo. Trata-se de um santuário cristão (também muçulmano, aparentemente), com uma pequena ermida e uma panóplia de lojas de recordações, sítio visitado quer por cristãos quer por muçulmanos. Daí, saímos para o que seria o último lugar de visita, mas também o mais espectacular.

ESTAMOS EM ÉFESO
Andámos ora em planícies amplas cultivadas, ora no sobe e desce de montes florestados. Sobretudo nas zonas urbanas, mas também no acesso aos locais de visita, fomos acompanhados, quer pela polícia, quer especialmente pelos batedores da organização, inexcedíveis naquele vai-vem de controlo de acessos. Por tal, a merecida homenagem que naquela noite os contemplou.
ÉFESO! É aqui que cai o queixo e a Trindade! São três ou quatro quilómetros de História, entre lajeados, templos, bibliotecas, portais, fóruns, num continuum urbano com muitos edifícios preservados. Percebe-se, também, que os vestígios que ainda estão no chão, constituiriam (mais) “outra” urbe.
Em certos pontos, o espaço identifica-se praticamente com as configurações actuais do traçado viário urbano, com ruas, praças e locais amplos e funcionais dedicados às actividades económicas e culturais. Cada um é diferente do anterior, cada um de acordo com a função, surpreendendo, não só pela funcionalidade, mas também pela sobriedade.  

NOITE DE GALA


Estava previsto. A organizou gizou uma noite de festa, incluindo fotos à chegada, entrega de prémios e sobretudo animação. O jantar não convenceu. Afinal, somos latinos e estamos sempre à espera de um bacalhau, de um cozido ou de uma feijoada. Valeu o espumante nos brindes.


A subida ao palco dos diversos protagonistas deste evento, foi um dos momentos mais marcantes. Estiveram ali os que tinham percorrido mais quilómetros – Portugal, evidentemente – os mais velhos, os mais novos, etc, habituais estrelas destes acontecimentos. Assim como, organizadores, instituições e dirigentes. De notar, infelizmente, a ausência de gregos no evento. E, não só. Também não há turcos em eventos gregos...

O entretenimento musical foi outro ‘must’ da noite. A música e as canções pareceram universais, e os diversos grupos nacionais presentes – evidentemente com preponderâncias para os que bordam o Mediterrâneo – fizeram a festa e não deixaram de dançar, alimentando uma noite de gala que deixámos já próximo da meia-noite.

Mototour