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domingo, 27 de dezembro de 2020

Festival Corpo. Dança

 


Manifestação estético-artística, forma de divertimento ou ritual, a dança, relacionada com a religião, a estética e o espectáculo de grandes massas, a dança,  a par do teatro e da música, é uma das artes cénicas que herdámos dos primórdios da cultura. Dança, cultura, arte.

 


A dança utiliza o corpo em movimentos harmoniosos, ritmados, detalhados, estruturados e/ou improvisados, acompanhados ou não de música, a solo, em duo ou em grupo, com origens étnico-folclóricas, cerimoniais, histórico-clássicas e marciais, entre outras. Dança, corpo, movimento.

 


Após oito anos de realização em Sintra, o Festival Corpo, desloca-se para Lisboa. Além da dança, oferece workshops, terapias, exposições de artes plásticas e música ao vivo. Mas é a dança que move este festival que tem o habitual contributo do grupo sintrense Ai!aDança. Desta vez, em Lisboa.

 


9 horas de dança, entre as 10 da manhã e as 7 da tarde. Dança, muita dança. A 9º Edição do Festival Corpo, um Encontro Internacional de Dança. Desta vez em Lisboa, no espaço de jardins junto ao Palácio da Ajuda, com participantes portugueses, da Irlanda, Índia, Havai, Haiti, México, Indonésia. Dança, muita dança.


Trata-se de uma co-produção do Ai!aDança, da Junta de Freguesia da Ajuda, da Câmara Municipal de Lisboa e do próprio Palácio Nacional da Ajuda, que tem como objectivo divulgar e democratizar as artes em geral e a dança em particular. Todas as danças.

 

Em volta do recinto principal, o Festival contou com a presença de mais de três dezenas de artistas plásticos, com obras de escultura, artesanato, fotógrafos de dança, workshops dedicados e relacionados com o corpo, o movimento e a dança. Mais artes.

 

Participaram mais de 2600 bailarinos/as em representação de 111 grupos de dança, entre amadores e profissionais, das áreas do Ballet Clássico, Dança Espanhola, Dança Contemporânea, Jazz, Hip Hop, Dança Oriental, Ritmos Latinos, Dança Popular e Bollywood.


Condensar tantas horas, tantos estilos, tanta variedade de dança em escassos minutos de vídeo, é uma tarefa árdua e pouco retributiva. Fica um exercício que dá conta dessa diversidade em detrimento da qualidade. 


 

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Passeio Pelos Impérios XI - HÁ FESTA EM MEKNES

Aproveitámos o dia seguinte para darmos seguimento aquela animação. Optámos pela auto-estrada, rumo a Meknes, onde estava previsto um almoço que augurava animação. O acesso à cidade que já foi capital do reino no século XI, está muito facilitado pela proximidade da auto-estrada que liga Fez a Marraquexe. Tal como anteriormente, não tivemos problemas em chegar ao centro, e foram as extensas e elevadas muralhas que serviram de anfitriã à nossa entrada na cidade. Em curto espaço de tempo, chegámos à Bad Mansour onde, há 3 anos, pousámos para várias fotografias de grupo. Mantém-se deslumbrante. Do lado oposto, uma praça imensa serve de átrio à medina. Entra-se por uma porta em arco, relativamente baixa, que nos incorpora imediatamente no ambiente das lojas e das bancas que já ocupam meia rua. Virámos junto de um segundo muro/muralha e percorremos uma centena de metros até voltarmos para uma rua estreita e escura, onde apenas uma placa de metal indicava existir um riad. Foi lá que nos aguardava o almoço mais divertido da jornada. Tratava-se de um espaço em tons de rosa fucsia, um pátio exíguo mas suficientemente grande para reforçar intimidades, apreciar sabores e abanar o capacete. Receberam-nos à francesa, com espumoso, e serviram-nos as entradas mais saborosas da viagem. Depois, surgiram músicos gnawa e, mais tarde, uma bailarina cintilante e um dançarino pitoresco, que contagiaram as hostes. Houve ainda oportunidade para escutar as palavras (compulsivamente elogiosas, cof!, cof!), protagonizadas pelo Mariano, de agradecimento aos organizadores da viagem, reconhecimento dirigido aos Cordeiros e aos Menaus, incluindo obviamente a Nênê. Ela retribuiu, mas nós achamos que o gozo que nos deu planeá-la já havia sido uma boa retribuição. Todos quiseram reforçar essa recompensa e aquela refeição ficou por conta dos nossos amigos.
Nem o excelente “mechoui” (borrego) impediu que a maioria fosse a terreiro acompanhar os dançarinos. Não tardou que a proprietária do riad, Karina Bouchaara, se associasse à farra. Editora do Sultana Magazine, uma publicação sobre sociedade, e ainda anfitriã de provas de vinhos, e de refeições e eventos sociais, despediu-se de todos e de cada um em plena praça fronteira à Bab Mansour, não sem antes se fazer fotografar junto das motos.

Música: Passport, Happy Flight

sábado, 20 de dezembro de 2008

PIAZZA, FOLIA, CAMINHOS. Pedaços Artísticos



















“Temos a arte para não morrer da verdade”
Friedrich Nietzsche

















Esforço, talento, percepção transformação, harmonia, emoção, criatividade, espírito, ritmo, ideias, matéria, vontade, amor, invenção, fazem arte. Mas é habitualmente o carácter estético, a qualidade técnica e a destreza da comunicação que lhe subsiste, que a distingue, que a premeia.
É difícil atribuir a uma obra essa definição, tão débil é a fronteira entre arte e quotidiano, belo e feio, bom e mau, hoje e ontem, aqui e ali. Mais fácil é reconhecer uma técnica, um desempenho, uma intervenção. Ou seja, não decidir como arte, mas definir (se for necessário) como artístico.
A representação, a música e a dança estão intimamente ligadas à condição artística.

A representação marca-se pela teatralidade, pela aparência, pela criação de personagens. A música evidencia-se pela invenção dos ritmos, pela harmonia dos sons dos instrumentos e pelo toque, encadeamento, melodia das palavras. A dança distingue-se pela relação fecunda entre o movimento e a sua natureza ou significado.

Em comum, porém, encerram exultação, diversidade, envolvimento estético, intencionalidade. É a alegria na representação, a agilidade na dança, a fantasia na música. São os múltiplos cenários da representação, os variados estilos de dança, os diversos acordes e instrumentos da música.
Três exemplos.

FOLIA, TU ÉS ISSO
Quinta da Regaleira, Sintra, Setembro 2007
















Um espectáculo dos Tapa Furos de difícil catalogação. Uma itinerância pelas sensações, pela alegria, pela alma, pela reificação da vida, mas também pelos vícios, iniquidades, enganos da natureza humana. Deambula-se pelos jardins, e por sítios místicos da Quinta da Regaleira. A entrada leva à fachada do edifício principal, daí a uma ponte vizinha, a um caminho iluminado por lamparinas. Os músicos intervêm, as personagens interagem com o público, os cenários assomam no caminho. Depois imagens, duras e denunciantes, que o público é “obrigado” a ver numa espécie de gaiola/prisão. Sucede-se um itinerário iniciático e purgatório através de passagens misteriosas. A finalizar, o espaço de convívio, de festa, de folia. Sempre acompanhados por convites, hospitalidades, reconhecimentos iniciáticos. Culmina com uma espécie de banquete, à luz de uma representação derradeira, seguida de um baile em que participam actores, músicos e público.

Música: Alegria - Cirque du Soleil




ORCHESTRA DI PIAZZA VITTORIO
CCB, Lisboa, Final de Agosto 2007









Seriam dezasseis os músicos a actuar, se não fosse uma lei néscia sobre imigração decretada por Belusconi, o Primeiro-Ministro italiano nessa altura. Dizia-o o condutor da Orchestra ao denunciar que a riqueza da diversidade musical e étnica daquele grupo havia sido comprometida politicamente. O grupo surgiu da consciência da riqueza da fusão de culturas e de tradições, que se juntou no quarteirão Esquilino, próximo Stazione Termini, em Roma. Foi esta diversidade de sonoridades, traquejos e fantasias que músicos do Equador, Argentina, Senegal, Hungria, Estados Unidos, Cuba, Brasil, Tunísia e Itália, trouxeram ao CCB numa noite de Verão. Um misto de ritmos latino-americanos, de motivos árabes, de precursões africanas, de tonalidades de samba. Sonoridades que puxam, que excitam, que exultam. A alegria dos músicos, embrulhada com intervenções críticas do maestro, marcadas quer pelo ritmo, quer pela harmonia das diversas entoações, extravasou do concerto.

Música: Ao Gi - Orchestra di Piazza Vittorio




CAMINHOS
Praça do palácio da Vila, Sintra, Início de Setembro de 2007















Fado, flamenco e música árabe. Local, praça fronteira ao Palácio Nacional de Sintra. É a Dança Contemporânea de Sintra e o grupo Al Mahira. A fachada do palácio de um lado, o casario que trepa para o castelo, de outro. Dança contemporânea, oriental e flamenco. Música, voz, multimédia, luz, cenários, alegria. A música, guitarras de fado, alaúdes árabes, tambores populares. A voz, de fado. Multimédia, com um preto e branco intimista a perder-se nos tons sombrios da noite. A luz, a mudar entre tonalidades frias e quentes, com azuis gélidos e amarelos tórridos. Cenários, escadarias com fado, palco com dança, as escarpas da serra e a frontaria do palácio a envolverem o espectáculo. E a alegria do empenho, dos temas, dos movimentos

Música: Caminhos