terça-feira, 15 de setembro de 2026

Kōkyo. Palácio Imperial de Tóquio

 

Saímos na Estação de Metro e tínhamos o Palácio Imperial em frente do nariz. Estamos em Chiyoda - "campo de milhares de gerações" -, uma região especial de Tóquio, que alberga, também, o Templo Yasukuni, a Estação de Tóquio e o Budokan.

Atravessamos a estrada que circunda o complexo do palácio, passamos por uma ponte que cruza um largo fosso e entramos por Sakurada-mon, o maior dos portões remanescentes do que era o castelo de Edo (antigo nome de Tóquio). É o primeiro contacto com o passado da fortaleza.

Entramos numa sala enorme e preenchemos um documento acompanhados por dezenas de visitantes. Aguardarmos instruções. Pouco depois, saímos com um guia. Somos quase uma centena de visitantes.

Passamos por Fukimi-Yagura, uma torre de vigia de três andares, datada do período Edo (1603-1868), uma jóia arquitectónica envolta em pinheiros, um novo contacto com o Japão antigo dentro do complexo.

Ali perto, estende-se a ponte de pedra de dois arcos, chamada Seimon-Ishibashi -ishibashi, significa “ponte de pedra”) -, também do período Edo, construída em meados da segunda década de 1600, datando a actual estrutura de finais do século XIX.

Entretanto, os jardins vão surpreendendo com magnólias e azáleas, nesta altura também floridos com  as magníficas cerejeiras ornamentais japonesas (sakura). Não tarda, estamos na Praça Kyoden Totei.

Trata-se da única área onde os visitantes podem avistar de perto parte dos aposentos imperiais, complexo que inclui o palácio, (kyūden), bem como outros edifícios privativos da família imperial.

Construído sobre as ruínas do antigo Castelo de Edo, sede do xogunato Tokugawa, o Palácio Imperial de Tóquio foi destruído na Segunda Guerra e reconstruído, como outros edifícios japoneses relevantes, mantendo o traço histórico e original das muralhas.

 

Foi aqui que presenciámos (mais) um dos muitos factos insólitos que testemunhamos no Japão. Um grupo de algumas dezenas de voluntários/as, identificados com roupa igual, procedia à limpeza da praça.

Quando nos aproximamos, o grupo afastou-se ligeiramente para nos dar mais espaço para observarmos a parte da arquitetura moderna do palácio. Depois, pelo canto do olho, reparei que nos estavam a saudar com o tradicional de curvar o corpo e inclinar de cabeça.

 

Voltámos aos jardins, agora mais afastados do grupo. E o contraste entre a torre de vigia e o ambiente que o envolve extra-muros é intenso. Lá fora, são os edifícios com arquitectura minimalista geométrica, aqui dentro o confronto com a arquitetura militar feudal.

Outro contraste é o da natureza envolvente - da vegetação arbórea, dos lagos, das pedras e das zonas relvadas - com o típico cenário urbano de torres de vidro, aço e betão armado.

 

O antigo castelo samurai não se perdeu na espuma dos dias, antes manteve a sua personalidade - mesmo apesar da modernidade dos edifícios imperiais - preservando o local exato, os fossos de água, as muralhas de pedra e a traça paisagística do antigo Castelo de Edo.







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