quinta-feira, 16 de junho de 2016

ROTA DE DALI 5 - De Figueres a Barcelona




Esta etapa leva-nos às ruínas gregas e romanas de Empuries e a visitar os vestígios do castelo de Tossa e da igreja de Sant Vicent, após um excelente almoço na marginal da ‘Bahia’ de Tossa de Mar.

ENTRE GREGOS E ROMANOS


Fica numa zona de férias tentadora. Primeiro os gregos, depois os romanos, sabiam ao que vinham. A dimensão surpreende e a localização maravilha. O Mediterrâneo está-lhe aos pés e o azul, doce tranquilo das águas puxa-nos para um mergulho ou simplesmente convida a olhar.
Fizemo-lo depois, tal o prazer de estar ali. Comprometemos a visita ao Castillo de Gala, em Pubol mas, naquele dia, pareceu-me que o ‘dolce fare niente’ sobreveio à arte. Nesta manhã, preferimos a arte da contemplação, repimpados à beira do Mediterrâneo.


GRÉCIA


Entramos na cidade grega com a noção de que o olhar se estava a adaptar ao caminho que levava a três milénios. Comentei com o Arlindo que a entrada se parece com a da Amaia romana, situada perto de Castelo de Vide.
A zona comercial descobre-se com lojas cujas portas estariam viradas para uma rua defendida do sol pela sua estreiteza, mas também tão perto do mar que apetece comprar e vislumbrar a apetitosa água.
Conforme se avança, maior parece o espaço e mais amplo o horizonte. Percebe-se que vastidão dos espaços estava destinada a acolher muita gente. Devia ser ali o centro da cidade e provavelmente o centro de decisão política e o local dedicado ao culto religioso.
Pena é que a dimensão do museu e da zona administrativa seja demasiado alta e contraste de maneira negativa com a pouca elevação das ruínas. Embora tenha sido construído com materiais com textura e sobretudo cor semelhante à das ruínas, é para aquele edifício que vão os olhos ao observar o horizonte.
Todavia, a dimensão das ruínas mostra que se tratava de uma cidade importante, dotada de um conjunto significativo de recursos que nãodiferiam muito da congénere romana que se situa duas centenas de metros acima.
Num dia, passámos das obras artísticas de um homem que viveu no século passado, para os testemunhos de vida de uma comunidade que ocupou aquele espaço há cerca de três milénios. Já não é o talento de um que apreciamos, mas o trabalho de muitos.
Todavia, a arte também lá está, sobretudo no museu, como sejam os mosaicos, as esculturas e outros elementos decorativos. Estão expostos alguns, que datam do IV milénio antes de Cristo, que parecem transcender o próprio Esculápio/Asclepio cuja estátua dominava uma das salas.


ROMA


A Grécia deixou a Roma tudo o que fez e sabia. Os romanos aperfeiçoaram alguns sistemas, coimo seja o de distribuição de água e complexos termais, aprimoraram o ambiente decorativo sofisticando-o com azulejos, aumentando as áreas públicas.
Nota-se um alinhamento mais cuidado, a tal amplitude de espaços, e obras de engenharia com maior fôlego, bem como uma melhor posição estratégica uma vez que do espaço romano se domina uma parte significativa da costa com o simples olhar.
E que bem se está à beira-mar! Não fosse a areia inda ser do tempo grego e teríamos duas enseadas (calas) de truz. O azul do mar deve ter sido pintado com carinho e a água parece ter sido aquecida eternamente nas termas romanas...
Tão bem se estava que fomos estando. Logo após a saída das ruínas, um café com cobertura em palhinhas levou-nos para lá, à vista do tal quadro edílico do mar e da praia. Afinal, a arte não tinha ficado apenas nos museus.

UMA VT MIL AO ALMOÇO


As ruínas da igreja e do castelo ainda lá estão, agora melhor conservadas do que em 1989, quando lá estive com a Julieta e uma VFSabre que nos havia levado pela Suíça, pelo sul da Alemanha e pela Áustria. Curiosamente, uma das fotografias dessa altura, foi tirada para as muralhas a partir do restaurante Bahia.
Há 27 anos.

Há um mês
Não podia imaginar que, vinte e sete anos depois, íamos almoçar nesse restaurante. Imagino talvez a cara do dono da moto, Josep, chef do Bahia, quando viu as nossas plenas de surpresa e júbilo. A sua moto, uma Honda VT 1000, vermelha, estava literalmente no meio das mesas que formavam um quadrado no interior do restaurante.
Foi a melhor recepção que tivemos em toda a viagem, não esquecendo a simpatia com que fomos recebidos em todos os restaurantes da jornada. Tal como no ano anterior, quando do périplo pela Espanha Mudejar, continuamos a ter sorte e ser bem surpreendidos, de uma forma positiva mas sobretudo saborosa pela gastronomia desta feita catalã.
Josep perguntou-me se tínhamos apanhado vento na via-rápida. Depois, confidenciou-me que já lá tinha caído, ele e um amigo com outra moto. Por vezes, o Mistral escapa de França e abana-se até à costa. O impacto é forte mas o que apanhei há anos perto de Perpignan soprava sempre na mesma direcção.
Depois de uma ‘paella’ deleitável acompanhada com Marqués de Caranó, gran selección, deixamos os fatos no restaurante e fomos rampa acima ao longo das muralhas do castelo até à igreja de Sant Vicent.
O caminho é agradável, está ajardinado e a baía vai-se descobrindo à medida que trepamos. De cima, a vista é excelente vislumbrando-se toda a localidade. Fica-se com uma boa ideia do espaço que, porém, no Verão, é exíguo para tanta gente.
Há um mês
Há 27 anos
Também aqui, à imagem de Cadaqués, há barcos que chegam à praia, estiram uma ponte articulável e permitem saídas e entradas, como se de cacilheiros se tratasse. Comentámos que, por cá, seria divertido saber quais seriam os entraves a este tipo de iniciativas…
Com o meio da tarde a surgir, recuperamos os fatos e os capacetes e seguimos para as motos, que estavam estacionadas na praia, não em plena areia, mas num espaço em remodelação, a uma vintena de metros da água.
Saímos de Tossa, em direcção a Lloret. Entretanto, a vegetação e as urbanizações cresceram na mesma pro porção, em relação há trinta anos. Agora, a paisagem marítima perdeu-se entre as fachadas e as varandas de veraneio.
A partir de Lloret a estrada torna-se aborrecida com uma sucessão de rotundas em espaço urbano que foi fragmentando o grupo. Depois, com as experiências bem sucedidas e frustradas de utilizar a via-verde, nas portagens da auto-estrada já havia dois ou três grupos.

BARCELONA BY NIGHT


Reagrupamo-nos à entrada de Barcelona na C31, após termos percorrido mais de uma dezena de quilómetros em linha recta. O hotel Eurostars Monumental fica muito perto da avenida Diagonal, pelo que não difícil lá chegar. Sair é mais moroso.
Uma vez que a garagem ficava do outro lado da avenida e convinha entrarmos em grupo para ocupar os poucos lugares disponíveis que ainda restavam, foi a vez em que guiámos mais próximo um dos outros, tao perto que ocupámos toda uma faixa destinada à passagem de peões…
Uma das características de cidade de Barcelona, excluindo a zona de Montjuic, é a sua planura e a rectilinidade das suas ruas e avenidas. Por tal, aproveitámos ambas e fomos a pé até ao Porto Olímpico, diz-se… para criar apetite. Ao fim de três quilómetros, estava garantido.
Jantámos num dos restaurantes da marina, por sinal não muito conseguido. À saída e de regresso ao hotel optámos pelo táxi e, lá como aqui, s taxistas não gostam de trajectos curtos, razão possível para que dois deles não conhecessem a morada do hotel…
Mas a cor do céu no princípio da noite compensou esse no-show. Reforçamos a indemnização com Guiness e Gin tónico e, à saída, já a silhueta da Sagrada Família parecia convidar-nos a visitá-la na manhã seguinte.

O vídeo, em
https://vimeo.com/170853575

ROTA DE DALI 4 - De Figueres a Portlligat




Vamos estar perante o génio de Dali. Visitamos o espantoso Teatro-Museu de Figueres, seguimos para Cadaqués pela serra ao encontro da casa de férias do artista em Portlligat, onde ficamos pelos jardins. Almoçamos num chiringuito (bar de praia) à vista da baía preferida de Dali e ainda passeamos pela baía de Cadaqués. Trepamos depois a Sant Pere de Rodes para olharmos de longe o castelo, o mosteiro e Port de la Selva.

TEATRO-MUSEU DALI



Por precaução, alteramos o programa de visitas. Esta estava programada para o fim do dia, mas o atraso sistemático que trazíamos dos dias anteriores aconselhava a garantir a visita ao Teatro-Museu Dali. Comprometemos a seguinte mas havia que optar.
Por volta das nove da manhã a fila à porta do museu já tinha mais de dez metros, mas o número de pessoas não desmotivava e era possível imaginar que não iríamos demorar muito a entrar. Realmente o cálculo coincidiu com a realidade e pouco depois das nove e meia estávamos no átrio.
Só este, deslumbra. A luz, a cor e o conteúdo fazem um conjunto atractivo, agradável, e surrealista evidentemente, não fosse dominarem naquele espaço, um Cadilac chuvosos com estranhas personagens no interior, as paredes em redor com nichos preenchidos com esculturas antropomórficas e as composições executadas com lavatórios de mármore, gavetas e presas de elefante.
Este cartão-de-visita dá imediatamente a ideia de que ali há muita imaginação, diversidade e qualidade. As composições fazem um conjunto harmonioso e parece não haver espaços vazios. Talvez apenas os dispositivos de segurança, e talvez nem estes, saem da coerência.
Depois do átrio encimado por uma cúpula em vidro, dois lances laterias de escadas levam a outro átrio envidraçado, com uma altura audaciosa, preenchido por obras de grande dimensão e complexidade.
Uma delas, possui uma ilusão de óptica – Gala olhando o mar ou Lincoln - apenas percebida quando vista através das lentes das máquinas fotográficas. Outra, na parede frontal - o Labirinto - tem uma dimensão colossal.
À medida que se vai avançando pelas diversas salas do museu, vai-se reforçando a ideia de que o artista não tem apenas talento estético, mas também um sentido crítico e de intervenção apurado, mordaz e persistente.
A crítica social está presente em muitas obras, da pintura à escultura, do desenho à montagem. Nota-se por vezes o exagero estético como grito de revolta ou repreensão de uma condição (os modelos de moda) ou de uma classe (a classe alta catalã).
Outra faceta está irredutivelmente ligada ao erotismo, facilmente perceptível na maioria das suas obras, como seja a, simbiose mulher-animal, Lilith, Manequim Barcelonês, ou as diversas Vénus que esculpiu ou pintou, das quais captei algumas.
Os seus “ovos” e as muitas mulheres que desenhou, esculpiu ou pintou, tal como algumas das metamorfoses, vão a outra das suas obsessões com o nascimento e a transformação, e o seu interesse pela psicanálise freudiana.
Mais uma surpresa vem da escultura, que eu desconhecia ser também alvo das mãos e da fantasia de Dali. Móisés, parece uma estátua grega, a Cabeça Otorrinológica é quase um modelo de medicina truncado, a Homenagem a Newton (escultura negra) também não está muito longe do estilo greco-romano.
A surpresa surge em cada canto, em cada parede e até no tecto. Dizem que são os pés do artista e os de Gala, sua mulher, e estão ambos a esvoaçar. A pintura reveste o tecto da sala do Palácio dos Ventos, uma das maiores salas do museu.
A metamorfose, já mencionada, a par do tempo e da morte são outros temas presentes na obra de Dali. A morte é notória no seu Toureiro Alucinogénico, o tempo está evidente nos seus “relógios”, e a metamorfose, por exemplo, na sua Leda Atómica (Gala como Zeus).
O seu narcisismo também está patente em alguns das suas obras. O seu Auto-retrato Mole com Toucinho Assado, ou o estudo sobre o seu próprio bigode, dizem da sua personalidade vincada de olhar para si mesmo. Tal como Gala, também ele foi para si próprio musa.
No exterior, o edifício do museu, um antigo teatro que estava em estado degradado desde que foi bombardeado durante a guerra civil espanhola, tem uma ornamentação considerada como o maior edifício surrealista do mundo.
Tal como a superfície das paredes interiores estão preenchidas com obras do artista, também o exterior está repleto de elementos decorativos obra de Dali. Quer em redor do edifício, quer nas paredes exteriores, quer no telhado, há arte para apreciar.
A escultura de um escafandrista com pão à cabeça, ver o televisor humano ou os ovos gigantes na bordadura do telhado, para além de outros pequenos elementos ou a própria cor do edifício, fazem deste também um objecto artístico.

CASA DE PRAIA EM PORTLLIGAT

Passamos a manhã no Teatro-Museu Dali, inebriados por arte. Saímos para Cadaqués e seguimos pela serra até ao quintal da casa que o mestre tinha à beira-mar. Vamos até à baía de Cadaqués e terminamos à vista do mosteiro de Sant Pere de Rodes a cerca de 700 metros de altitude.
Se os primeiros quilómetros após Figueres são despachados com rapidez, a serra para Cadaqués já foi mais lenta, quer devido ao traçado sinuso, quer à estreiteza da estrada, quer sobretudo a ponto de termos de seguir atrás de camionetas de carreira que se arrastam serra acima.
Já que vamos tão lentamente por que não desfrutar da vista e da calma do percurso. Por isso, parámos para a foto de grupo com as camisolas alusivas ao passeio, um misto Dali-Gaudi que em última instância era precisamente o que acabaríamos por cumprir.
A tal meia-hora de atraso voltou a manifestar-se. Como alteramos o nosso roteiro matinal com a visita ao teatro-museu, a visita à casa de praia de Dali em Portlligat ficou definitivamente inviabilizada. Quanto muito, podíamos percorrer o jardim. Foi isso que fizemos.
Entramos pelas traseiras. Daí a pouco estamos a trepar uma escadaria branca interior que nos leva ao pátio da casa de praia de Dali. Surgem ovos brancos cal, monges, figuras barrocas, um leão, e até uma campânula em vidro proveniente de um farol.
Mas também há reclamos da Pirelli, garrafas de Tio Pepe e o incontornável bucha da Michelin. Julgamos que seriam ícones de vanguarda na altura. Tal como as figuras alienígenas ou cibernéticas que vigiam a casa desde o telhado, ou o robot artilhado com peças de automóvel e telhas deitado no chão sob as oliveiras.
A piscina parece ser mais consensual, não fosse esconder o tal boneco banhudo. Já com olhos e mente adestrada, depois de algum tempo, parece que há bancos normais e algumas passagens vulgares. Parece.
Tal como no Teatro-Museu, em Figueres, em Portlligat a arte surge a cada esquina, muito ao nível dos olhos e do olhar que se eleva para o céu. Por isso, as paredes, os muros e os telhados são os alvos preferenciais das obras do surrealista.
Damos com figuras antropomórficas mas sem expressão (as duas que vigiam desde o telhado), com figuras animalescas (quase gárgulas), figuras neo-clássicas que parecem saídas do barroco (no quintal), figuras naturais (ovo) e formas industriais sofisticadas (robot).
Há algumas cadeiras estrategicamente colocadas, com uma ergonomia que dá a ideia de que estão meio enterradas, viradas para o mar num dos miradouros de onde se desfruta da vista sobre toda a baía de Portlligat.
A paisagem também é terrivel…mente atractiva. O azul do mar mistura-se com o ocre da terra e com os verdes da vegetação mediterrânica. Aqui, dominam as oliveiras que recortam o olhar que se lança irremediavelmente para o mar calmo da baía.
Deve ser ‘pavoroso’ estar ali sentado a ver o poente pintar o mar e as pequenas ilhas. Deve ser um cansaço olhar o pôr-do-sol com um copo à frente dos lábios e pensar que no dia seguinte aquela água, as ilhas e o sol vão insistir naquele magnífico cenário.

NA BAÍA DE CADAQUÉS

A baía é muito agradável. As casas brancas contrastam com o azul do mar, as árvores do jardim dão-lhe frescura e as ruas estreitas que se afastam do centro asseguram sossego ao burgo. Em redor, uma marginal simpática vai mostrando a pequena mas aprazível baía onde apenas a areia é bera.

À hora de almoço, houve quem apostasse no chiringuito (bar de praia) junto da casa de praia de Dali. Outros foram até à baía de Cadaquès e apostaram no Can Rafa, uma referência da gastronomia local, bem visível aliás pelo semblante dos participantes.
No fim, juntamo-nos todos na baía, demos um passeio, assistimos ao desembarque de uma carreia entre várias praias da costa, posamos junto da estátua de Dali e na borda do cais, e a ainda tivemos tempo para comprar recordações numa das lojas de artesanato do jardim.

QUASE TOCÁMOS SANT PERE DE RODES

A tarde já se via quando arrancámos de Cadaqués. A estrada continuou sinuosa mas com piso aceitável. Enquanto alguns seguiram pela costa após Port de la Selva, outros seguiram para o mosteiro de Sant Pere de Rodes.
Poucos devem ter percebido que ao longe se via França. Estávamos a menos de 30 quilómetros de França por estrada e a 12 em linha recta. Quando olhámos para nordeste no estacionamento do mosteiro, estávamos a ver França, duas ou três baías a seguir a Port de la Selva. A subida para o mosteiro é ‘peregrinativa’. O piso é mau, as curvas são fechadas e não há rails. Fizemos a nossa “via sacra”, trepando a mais de seiscentos metros de altitude, um pouco mais do que o sítio mais alto da serra de Sintra.
O panorama desde o parque de estacionamento é excelente, mas é capaz de não compensar a subida, para mais quando o horário de visita do mosteiro há muito que havia sido ultrapassado. É o panorama que pode surpreender, dada a altitude do local. Os ganchos manhosos e a necessidade de acertar na estrada entre buracos deixa ao mosteiro o isolamento que parece querer assegurar.

À NOITE NO MUSEU


A noite ajudou ao passeio que nos levou em redor do Teatro-Museu Dali. A perspectiva com que é habitualmente apresentado é captada de noroeste onde é possível apreciar as cúpulas e o telhado, enquanto do lado contrário é preferível observar as estátuas na fachada e nas paredes laterais.
Em redor, sofisticam-se os restaurantes, os passeios, a estatuária e a as paredes do museu ganham cor e luz sobre os milhentos elementos decorativos que parecem pães de Mafra estilizados.
Descemos até à entrada principal do museu e damos com a igreja de San Pedro, um edifício românico com mais de mil anos. Tentamos traduzir, “tu segueix-me, tu sigeme”, mas não conseguimos melhor do que ficar com a ideia de tínhamos percebido alguma coisa. 
O vídeo em,
https://vimeo.com/170948396