sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Regresso ao Palácio - A Viagem Concerto


Já existira um convite em Setembro de 2015.
Era para visitar o palácio à noite.
Aconteceu por ocasião da conclusão da pintura da fachada interior.
Nessa altura, a diferença face à cor anterior, que também dominava os edifícios em redor – e que foi obrigatória durante anos – já era bem notória.
Com o azul, contrastavam agora o verde escuro das portas e partes dessa fachada interior pintadas de um amarelo quase torrado.

O palácio esteve pintado de cor-de-rosa desde que me lembro.
Descobriu-se há já alguns anos que a cor original era azul.
Para assegurar o rigor arquitectónico e histórico o Palácio Nacional de Queluz foi pintado de azul.
Mas a obra não ficou por aqui.
Integrou um conjunto de restauros, adaptações e melhoramentos.


Há notícias que colocam o valor total das obras praticamente em três milhões de euros.
Para celebrar o final desse projecto de requalificação foi realizado um espetáculo de videomapping.
Segundo consta, trata-se do primeiro concerto mundial e gratuito a ser filmado em videomapping.


Foram 200 metros de imagens projectadas na fachada que envolve a estátua de D. Maria I.
Apesar de haver repetição de cada um dos lados da fachada, o efeito permite um amplo desfrute das imagens.
Quarenta e cinco minutos de música, protagonizada pela orquestra Divino Suspiro.
Uma vintena de músicos que tocaram temas de Mozart e Handel, entre outros.


À música associaram-se imagens animadas com cenas da corte do século XVIII.
Estas, envolveram muitas personagens onde não faltavam sequer as crianças.
As restantes imagens eram representativas do património arquitectónico, artístico e ornamental do palácio.
Aliás, como é praticado em projectos semelhantes que envolvem cenários do mesmo tipo.
Como sejam os espectáculos do Terreiro do Paço, em Lisboa, do Lumina, em Casacais, ou do Festival Aura, em Sintra. 


No que respeita às variadas cenas de época da corte, destacam-se os jogos, a conversas, os passeios a pé, de carruagem, ou de barco no rio Jamor.
Imagens que bem ilustravam o quotidiano da corte da altura.
Figuravam ainda outros lazeres, como fosse andar de baloiço.
A evocação do tempo passado com as crianças e as respectivas brincadeiras, também esteve presente.


Os conteúdos de imagem foram variados e exaustivos.
Nos conteúdos estavam ainda muitas imagens quer das fachadas, quer da estatuária dos jardins.
Outras, contemplavam as porcelanas, as tapeçarias os frescos dos tectos.
Outras, ainda, iam à vegetação e aos animais que animavam o palácio na sua época de ouro. 


A cor juntou-se à música, às imagens e aos contornos que a noite trazia.
Foi um convite simpático para passearmos os olhos pelas cores fortes e vivas, embaladas pela música, pelo som bem perceptível, pelos temas musicais apropriados.
Excelentes, as imagens de uma dimensão épica e de definição cuidada, a encenação tranquila e dedicada e bons executantes musicais.


Pena que o chão irregular em paralelepípedos de basalto não permitisse um estar mais confortável.
Não tivemos o ambiente de bel prazer da corte, mas o facto de apenas estar frio quanto baste e não ter chovido já foi uma mais valia para este excelente espectáculo.
Queluz já merecia um evento deste tipo.

O vídeo em  https://vimeo.com/205593761