Saímos de Trogir de barco. Está fresco e uma nevoa contrastante, mas a paisagem abre-se a 360º, permitindo perceber que navegamos numa enorme baía do suave Adriático. É menos de meia hora até Split.
Visitar Split é entrar num lugar onde o tempo abranda e a história se deixa tocar. No coração da cidade está o Palácio de Diocleciano, não como um monumento fechado, mas como um museu vivo.
Trata-se de um espaço aberto, feito de ruas, praças e memórias que se revelam a cada passo. Caminhar por ali é percorrer séculos, entre pedras antigas e a energia vibrante de quem lhe dá vida.
Estivemos no seio da atmosfera da corte imperial para assistir a uma encenação teatral na praça central do palácio, onde um ator representando o imperador Diocleciano e a imperatriz, acompanhado por guardas romanos, saúda o público.
O centro histórico, classificado como Património Mundial, convida a deambular sem rumo: ruelas estreitas, fachadas de pedra, ruínas discretas e a presença marcante da Catedral de São Domnius.
A cidade velha é muralhada, constituindo-se como fortaleza desde o século IV, tendo dado origem à cidade moderna. Escondido numa das vielas mais estreitas da urbe, passamos pelo curioso Templo de Júpiter com uma esfinge à porta.
Pelo caminho, surgem pátios, onde colunas e luz se encontram num equilíbrio quase sagrado, e espaços como o Vestíbulo, que ecoam a grandiosidade de outros tempos. Até os mosaicos, simples e silenciosos, pedem um olhar atento.
A entrada na cidade antiga faz-se por portões carregados de história, como o Portão Dourado, outrora majestoso, ainda hoje imponente. Mas há outros acessos, como o Portão Prateado ou o de Ferro, que levam o visitante para além das muralhas.
Passamos por praças e recantos cheios de autenticidade. Tudo se liga, tudo flui, como se a cidade fosse um só organismo, antigo e presente ao mesmo tempo. A pedra volta a dominar e as fachadas transferem-nos para outras eras.
Fora das muralhas, Split continua a encantar. A Riva, marginal local, estende-se junto ao mar, elegante e luminosa, onde barcos e iates embalam o olhar. E, como ponto de partida privilegiado, a cidade abre portas a ilhas de sonho como Hvar, Brač e Korčula.
Porém, como estamos a meio da manhã, há muitos turistas, um rumor notório de gente. Teria sido ideal chegar mais cedo. Percorrer as ruas vazias, antes da agitação turística, e Split revelar-se-ia silenciosamente na sua forma mais íntima.
E, tão incontornável como em Dubrovnik, as referências ao Game of Thrones têm testemunho em loja. Aqui, foram os subterrâneos do Palácio de Diocleciano, em pleno centro histórico, que serviram como cenário importante na série.
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