domingo, 25 de janeiro de 2026

Balcãs 25. De Montichiari a Trento



Estamos em Montichiari, a pouco mais de 80 kms de Melzo, onde recolhemos as motos que viajaram de camião até Itália. Chegamos à vista do castelo Bonoris, a minutos do hotel Elefante, onde temos estacionamento no pátio. 

Saímos, trepamos numa curta ladeira, mas o castelo já está fechado. Voltamos às ruas e entramos na Piazzetta da Basilica, damos a volta ao Duomo de Santa Maria Assunta e descobrimos uma esplanada simpática para comer gelados

Regressamos às ruas e não tardamos a sentar-nos para jantar na esplanada da pizzaria Al Cervo, mesmo nas traseiras do Duomo. O tempo está excelente, jantamos de manga curta as primeiras pizzas da jornada.

A visita a Sirmione está no programa da manhã. É para lá que vamos, acompanhando o final do Lago di Garda. Sítio turístico por excelência, há quase 4 décadas que não o vistávamos.

 

Hoje, já nem as motos têm direito de entrar no Castelo Scaligero. Ficam num parque estacionamento, onde também pagam! Fazemos um peqeno circuito pedestre, pelas ruas estreitas e voltamos à estrada.

Ficam por ver as restantes vielas, a villa de Maria Callas, as Cavernas de Catullo, o Lido e alguns vestígios arqueológicos que a pequena península encerra. O tempo continua soalheiro mas o trânsito está a ficar caótico.

É pouco mais de uma dezena de quilómetros até começarmos a subir pela margem do lago, mas já lá vai quase meia hora… até que, paramos quando o tráfego sossega num pequeno restaurante onde nos recebem (quase) em português.

Deixamos o almoço, acompanhado por prateleiras de garrafas de vinho, rotuladas e identificadas com graduação, casta e proveniência, e continuamos a acompanhar o lago, agora com menos trânsito e a paisagem a cativar deveras.

 

Paramos, fotografamos, conversamos e resistimos ao desafio da paisagem. Partimos de  para o próximo desafio, a Srada della Forra, que bordeja a falésia junto ao lago. O piso é bom, a estrada é estreita e parece que tem apenas um sentido.

Vamos trepando e passamos por um túnel, vegetação abundante, casas de montanha, sempre com um panorama ímpar. Quando paramos em Tremosine - onde, nem para motos, é fácil conseguir um lugar -,  estamos a meio do monte.

Desde o terraço de Brivido, de onde é possível ver grande parte do lago, também se vislumbra em Malcesine o seu castelo Scaligero, erigido no topo de um pequeno monte, mesmo à beira do lago.

Saímos para Riva Del Garda, navegando sempre junto à água, ora ao longo de uma outra mansão, ora  a olhar a montanha que se vai erguendo, cada vez mais alta, na outra margem. Está a ficar escuro, mas a paisagem mantém-se soberba.

Agora é preciso, como em redor do lago, conseguir lugar para parar as motos. Não é fácil e ficam encostadas a um enorme edifício que encerra uma central eléctrica. Saímos para a o centro da cidade.

Enquanto extermidade do lago, Riva tem um terminal fluvial e, pelo menos um dos barcos, fazia lembrar os velhos barcos a vapor do Mississipi. Sentamo-nos na praça 3 de Novembro, a sentir a dinâmica da zona lacustre.

À vista da Torre Apponale do século XIII, que tinha como propósito principal vigiar e defender a cidade, circundámos a praça e concluimos uma pequeno passeio pedestre ao longo do cais que circunda o sul da cidade.

Encurtámos o passeio, também porque o céu prometia chuva. E ele chegou, fortee acompanhada por vento. Abrigámo-nos num pequeno mercado de levante, próximo das motos e só arrancámos assim que a chuva deu tréguas.

Com a estrada alagada e os fatos de chuva vestidos, saímos a caminho de Trento. Começamos a subir não tarda. A estrada nacional, com bom piso e curvas largas, é agora acaompanhada por arvoredo típico de montanha.

Chegamos os arredores de Trento, ainda de dia e estacionamos em frente do hotel onde já está um grupo de motociclistas gregos. Jantamos num restaurante que estava  a fazer uma pela enorme paella e ainda temos direito a um pedestre nocturno para lá e para cá.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Balcãs 25. 2 De Trento a Liubliana

Partimos de Trento com o dia a nascer, tão claro e propício como o anterior. Os vales estendem-se à nossa frente como um leito natural, encaixados entre montes que vão dominando o horizonte.

 

A paisagem organiza-se contrastada: o negro profundo do asfalto, o castanho rugoso das montanhas, o verde denso das florestas e o azul límpido do céu. O sol ilumina o caminho como se nos indicasse o destino.

A estrada começa a ganhar altura, sobretudo depois de Cortina d’Ampezzo, enquanto percorremos os Dolomitas. O traçado enrosca-se na montanha, multiplica curvas apertadas, surgem os “cotovelos” e o trânsito intensifica-se.

No Colle de Santa Lucia, o cenário é vibrante: autocarros, autocaravanas, centenas de ciclistas e motos amontoam-se num espaço já escasso. Mas são as montanhas que dominam, algumas tão nuas como colossais.

Andamos por cascatas que irrompem pelas encostas e picos que recortam o céu. A estrada prossegue sinuosa, com melhor ou pior piso, acompanhandos de novo pelo cenário florestal pontiado pelas típicas casa alpinas.

Só voltamos a parar na “fronteira”, para a foto da praxe. Lienz surge pouco depois. Deixamos as motos na garagem do hotel e caminhamos até ao centro. A cidade austríaca acolhe-nos em clima de festa.

 

Há projeções que iluminam a fachada do castelo de Liebburg, palcos que espalham música pelas ruas, pessoas que dançam e celebram. O ambiente festivo prolonga-se nos restaurantes cheios.


Acabamos por procurar fora do centro e descobrir um bar escondido, onde somos surpreendidos pela comida típica, a preços aceitáveis. Há trinta e seis anos que não entrava na Áustria!

Deixamos Lienz, mas continuamos em terrenos montanhosos, por estradas nacionais e regionais. Até que o relevo baixa, o trânsito aumenta e se começa a perceber que está próxima uma área de lazer.

 

Chegamos ao Lago Bled, um espelho de águas límpidas, rodeado por montanhas esguias, com um ilha de sonho e uma castelo de contos de fadas na falésia. Há barcos que sulcam o lago e uma marginal fascinante que o circunda.


Até Liubliana é um instante. Foi muito, num dia muito cativante. Ficamos a dois passos do centro e da incomum Metelkova, da Ponte do Dragão, da Ponte Tripla, da Catedral e mesmo do acesso ao castelo.

O dia seguinte será exclusivamente dedicado à capital eslovena. Apenas o acesso ao castelo é difícil, caso se não use um ascensor de cremalheira. O castelo domina a cidade, mas o interior é um mundo.

Possuiu projecção de imagens artísticas, um pequeno museu, uma sala de audiovisuais, além das dependências e configurações medievais, tais como a prisão, torres defensivas, portões e muralhas.


Na parte baixa, o perfil das ruas é praticamente plano. O rio serpenteia sob as pontes, atravessando a cidade. Nas margens, há bares, esplanadas e lojas pequenas sobretudo com artesanato.

Há lugares icónicos, como a  Metelkova, uma antiga zona hippie, hoje algo degradada, mas ainda com a irreverência e criatividade expostas. Há espectáculos anunciados e arte bruta aqui e ali.


A praça Presernov onde domina a estátua do poeta  France Prešeren, que olha o seu amor não-correspondido, sentada à janela do outro lado da praça é, digamos o centro da cidade, lugar para onde converge a Ponte Tripla.

 

A ponte do Dragão, o animal símbolo da cidade, é outro dos ex-libris da cidade, que possui quatro dragões, um em cada extremidade. Distribuídas sobretudo pelas margens do rio, um conjunto de esculturas reforça o ambiente artístico da cidade.