quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Balcãs 25. 2 De Trento a Liubliana

Partimos de Trento com o dia a nascer, tão claro e propício como o anterior. Os vales estendem-se à nossa frente como um leito natural, encaixados entre montes que vão dominando o horizonte.

 

A paisagem organiza-se contrastada: o negro profundo do asfalto, o castanho rugoso das montanhas, o verde denso das florestas e o azul límpido do céu. O sol ilumina o caminho como se nos indicasse o destino.

A estrada começa a ganhar altura, sobretudo depois de Cortina d’Ampezzo, enquanto percorremos os Dolomitas. O traçado enrosca-se na montanha, multiplica curvas apertadas, surgem os “cotovelos” e o trânsito intensifica-se.

No Colle de Santa Lucia, o cenário é vibrante: autocarros, autocaravanas, centenas de ciclistas e motos amontoam-se num espaço já escasso. Mas são as montanhas que dominam, algumas tão nuas como colossais.

Andamos por cascatas que irrompem pelas encostas e picos que recortam o céu. A estrada prossegue sinuosa, com melhor ou pior piso, acompanhandos de novo pelo cenário florestal pontiado pelas típicas casa alpinas.

Só voltamos a parar na “fronteira”, para a foto da praxe. Lienz surge pouco depois. Deixamos as motos na garagem do hotel e caminhamos até ao centro. A cidade austríaca acolhe-nos em clima de festa.

 

Há projeções que iluminam a fachada do castelo de Liebburg, palcos que espalham música pelas ruas, pessoas que dançam e celebram. O ambiente festivo prolonga-se nos restaurantes cheios.


Acabamos por procurar fora do centro e descobrir um bar escondido, onde somos surpreendidos pela comida típica, a preços aceitáveis. Há trinta e seis anos que não entrava na Áustria!

Deixamos Lienz, mas continuamos em terrenos montanhosos, por estradas nacionais e regionais. Até que o relevo baixa, o trânsito aumenta e se começa a perceber que está próxima uma área de lazer.

 

Chegamos ao Lago Bled, um espelho de águas límpidas, rodeado por montanhas esguias, com um ilha de sonho e uma castelo de contos de fadas na falésia. Há barcos que sulcam o lago e uma marginal fascinante que o circunda.


Até Liubliana é um instante. Foi muito, num dia muito cativante. Ficamos a dois passos do centro e da incomum Metelkova, da Ponte do Dragão, da Ponte Tripla, da Catedral e mesmo do acesso ao castelo.

O dia seguinte será exclusivamente dedicado à capital eslovena. Apenas o acesso ao castelo é difícil, caso se não use um ascensor de cremalheira. O castelo domina a cidade, mas o interior é um mundo.

Possuiu projecção de imagens artísticas, um pequeno museu, uma sala de audiovisuais, além das dependências e configurações medievais, tais como a prisão, torres defensivas, portões e muralhas.


Na parte baixa, o perfil das ruas é praticamente plano. O rio serpenteia sob as pontes, atravessando a cidade. Nas margens, há bares, esplanadas e lojas pequenas sobretudo com artesanato.

Há lugares icónicos, como a  Metelkova, uma antiga zona hippie, hoje algo degradada, mas ainda com a irreverência e criatividade expostas. Há espectáculos anunciados e arte bruta aqui e ali.


A praça Presernov onde domina a estátua do poeta  France Prešeren, que olha o seu amor não-correspondido, sentada à janela do outro lado da praça é, digamos o centro da cidade, lugar para onde converge a Ponte Tripla.

 

A ponte do Dragão, o animal símbolo da cidade, é outro dos ex-libris da cidade, que possui quatro dragões, um em cada extremidade. Distribuídas sobretudo pelas margens do rio, um conjunto de esculturas reforça o ambiente artístico da cidade. 


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Horizontes alentejanos. O XXXII aniversário do CPEP


Vamos a Beja. E vai chover. Depois de Alcácer do Sal o céu estilhaçou-se e foi o dilúvio. Dez minutos de chuva foi o suficiente para alguns pingos escaparem para as espumas lateriais do capacete.

Apesar de a A26 já ter quase 10 quilómetros, a ligação a Beja, mesmo com piso novo durante grande parte do IC8, tem troços sem qualquer marcação. De noite, a circulação torna-se perigosa, especialmente para quem vai de moto.

Chegámos ao Holliday Inn já de noite, mas a tempo de um aperitivo a anteceder a salada de grão, a carne do alguidar e o minestrone de frutas com sorvete. Lá fora, o frio invernal pareceia ter chegado mais cedo.

Sábado nasceu nevoento. Estava destinado a Serpa, a pouco menos de 30 quilómetros. E foi por lá, depois de resolvermos o puzzle de estacionamento, que demos as boas-vindas a um novo casal que fará parte do Clube.

Depois, andámos em grupo numa visita guiada, que nos levou da praça da República, à Torre do Relógio, ao castelo e ao palácio dos Condes de Ficalho. Saímos por uma das portas do castelo e passámos pela emblemática muralha da cidade.

A péssima noite anterior deu lugar a uma manhã luminosa, excelente para um passeio pedestre. Fomos comprando uns queijos locais, entrando no Museu do Cante, numa ou noutra loja de artesanato, sempre sob um belo sol alentejano.

Ficámos a saber que a serpente alada, "serpe" (serpente), como se dizia no português antigo - que decora muitos dos candeeiros de Serpa -, é o símbolo que protege a cidade, daí a proximidade entre o toponímio e a lenda.

Continuámos pelas ruas estreitas  e fizemos uma paragem obrigatória no “Molhó Bico”, um icónico restaurante serpense, para degustar um saboroso bacalhau com espinafres e um não menos bom arroz de pato, ambos no forno.

Saímos a caminho do Museu do Medronho, perto de Alqueva, a pouco mais de 40 quilómetros de Serpa. O tempo continuou excelente para rodar: sol, bom piso, frio quanto baste, boa companhia.

Gin com medronho, foi uma estreia! Entre outras propostas destiladas ou não, esta foi a mais surpreendente. Depois, de percorremos uma cave onde este tipo de propostas são  produzidas e guardadas em generosos barris.

Sobrevivemos! A tempo de passarmos por  Portel, deixarmos o castelo à direita e apontarmos à Vidigueira. Mais 60 quilómetros por boas estradas, com o frio a apertar, mas com pouco trânsito.

A noite prometia, sobretudo ao jantar. Foi na Adega Tipica 25 de Abril e teve o condão de surpreender, de novo, com uma rapaziada especializada em Cante Alentejano. Sentados numa mesa, os três amigos brindaram-nos com interpretações especiais.

O resto ficou a cargo das diversidades de porco preto, da conversa sadia, do bolo de aniversário do Clube e do espumoso. Acabou no hall do hotel, entre conversas, novidades e alguns líquidos para  aquecer a alma.

 


Na manhã seguinte, regressamos a casa e não acompanhamos as actividades previstas que passavam pelas visitas à Adega Museu do Vinho da Talha e ao Museu da Vidigueira, para terminarem num almoço em Cuba.

Mais uma jornada catita, em boa companhia, com bons repastos e melhores passeios.