Voltámos à ribalta, uma vez mais, ao Sarau de 2026, do Real Sport Clube, tal como quando treinamos. E é uma ribalta egoísta. Quando treinamos, trabalhamos em nós próprios, não no agressor. Estranho? Nem tanto.
A prática envolve a síntese do conhecimento e a transformação da ação em um gesto natural. O verdadeiro objetivo não é vencer o oponente, mas alcançar uma harmonia invencível.
A aprendizagem é um espelho de virtudes partilhadas. Exige do aluno a entrega do esforço, o manto da paciência, o caminhar da prática infatigável e o despojamento da humildade.
Se cada um destes pilares for eco de quem ensina no aprendiz, este conseguirá colocar-se em harmonia com o seu ambiente, limpar do caminho obstáculos e melhorar o desempenho.
Quando treinamos, o publico somos nós, praticantes. Somos nós que assistimos ao nosso desempenho. Treinamos para nós, não para atacar inimigos. Um pequeno egoismo, digamos, saudável.
Treinamos com adversários, não para os bater pela força, mas para lhes conter a energia ou conduzir o impeto de ataque. Mas, também, para neutralizar os nossos laivos de raiva, imprudências, agressividade.
Como diria O’Sensei, “a verdadeira vitória é a vitória sobre si mesmo”. Sou eu contra mim. Eu trabalho em mim, não nos outros. O Aikido pode ser um modelo de vida, uma referência para quem ensina e, sobretudo, para quem aprende.
Um modelo que é possível reconhecer nestes escassos minutos, em que cada um deles demonstrou de uma forma equilibrada, firme e vibrante, o que têm aprendido com serenidade, dedicação e elegância.
NOTA - Nenhuma das fotos é da minha autoria mas foram disponibilizadas on-line.
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