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sábado, 21 de março de 2026

Bordalo Pinheiro, impagável!

 



Braços ao alto jubilosos, lenço amarrado ao pescoço, bigode farto, expressão tão risonha como vistosa. É o boneco de Rafael Bordalo Pinheiro que parece saudar de forma extravagante quem passa no fim do Campo Grande.

Uma moradia Prémio Valbom, um corredor de glicínas lírico, um pátio com um estouro de andorinhas, caracóis gigantes que lambem as paredes. É o cartão de visita do Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa.

 “Em tudo e de tudo artista”, como o definiu o seu amigo César Machado, Bordalo Pinheiro foi ceramista, decorador, caricaturista, cenógrafo, grafista, humorista e, ainda, empresário. Em tudo se descobre a perspicácia e o talento do artista.

 Um dos aspectos mais significativos na cerâmica prendeu-se com o naturalismo, patente nos temas, nos objectos e no conjunto de produções onde a cerâmica se destaca. A (pequena) fauna e a diversificada flora foram amiúde temas da sua obra.

Os gatos e os sapos foram frequentemente alvo do seu talento, bem como objectos de luxo e ornamentação: molduras para quadros, jarrões, espelhos, mobílias completas, pianhas, mísulas, tamboretes.

Crítico, sarcástico e mordaz, Bordalo Pinheiro deixa, sobretudo no jornal satírico “A Paródia”, ilustrações, figuras e textos que, ainda hoje, são tão actuais como autênticos, chegando, através do ridículo, ironia e do exagero a identificar a sociedade portuguesa.

Dizem que fez rir a sociedade do seu tempo e, ainda hoje, nos faz reflectir sobre os desmandos socais e especialmente sobre os abusos políticos. É comparar o ambiente político-partidário da altura, com o mais recente…

Basta observar algumas das suas ilustrações e perceber que o seu espírito crítico, aliado ao talento artístico, consegue surpreender ainda hoje, mesmo com temas, situações e dilemas novecentistas. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

MACAM 200 obras de arte



O elogio da arte, em “projecto inédito de iniciativa privada”. É assim o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, que reune arte moderna e contemporânea, portuguesa e internacional.

Mas não só. O edifício é também ele um elemento artístico, um “espaço historicamente conhecido como Palácio dos Condes de Vila Franca”, do início do século XVIII, mandado construir, em 1701, pelo Marquês de Nisa.

Trata-se de uma construção sólida, capaz de ter sobrevivido ao terramoto de 1755, um edifíco onde nasceu, João Zarco da Câmara, o primeiro português a ser nomeado, em 1901, para o Prémio Nobel da Literatura.

Hoje, o edifício do antigo palácio foi alvo de uma intervenção nas paredes, tectos e pavimentos, preservando a traça pombalina. Nas salas de exposição o abobodado ainda reflecte a estrutura arquitectónia de época.

Também foram mantidas a capela e a escada monumental, todavia com a primeira convertida em bar e a segunda com um tratamento estilizado, conciliando a integridade histórica com exigências funcionais técnicas de um hotel.

Os dois pisos superiores do palácio original são agora acomodações hoteleiras. O piso térreo tem muitas salas dedicadas sobretudo à pintura e escultura. Mas o espaço expandiu-se para as traseiras em novas galerias.

O piso superior do edifício paralelo, mediado por um jardim que se abre desde a escadaria, está também dedicadoa exposições, estas que me pareceram temporárias e com carácter de instalação.

A nova ala perpendicular alberga o hotel e espaços de restauração. O conjunto é agradável, sedutor mesmo e, apesar de visualmente serem, digamos três corpos diferentes, articulam-se harmoniosamente.

O museu possui mais de 600 obras de arte - mas apenas pouco mais d edua sdezenas em exposição - que contemplam uma grande diversidade de linguagens e estilos artísticos, entre pintura, escultura, desenho, vídeo, fotografia e instalação, que abragem os últimos 3 séculos.

A arte portuguesa incluiu um primeiro espaço, com um conjunto de obras do final do século XIX e vai aos vanguardistas e modernistas da década de 80 do século. Estão ali,   Malhoa, Almada, Amadeo, Vieira da Silva.

Está lá um “Fernando Pessoa” de Júlio Pomar, o “Diálogo” de António Dacosta, “The Knight, the Lady and the Priest 2”, de Paula Rego. Eduardo Nery, Nadir Afonso, Júlião Sarmento e Pedro Cabrita Reis, também estão representados.

Já tivemos a possibilidade de visitar o segundo núcleo, que contempla artistas estrangeiros e compreende obras datadas dos anos 80 até à actualidade. Está lá,  o curioso “Un jour de grève ou la lampe d'Aladin”, de René Bertholo.

 “Women Massaging Breast”, uma obra da série “Épico Erótico dos Bálcãs“, de Marina Abramović, não deixa muita gente indiferente. A instalação “Still Life”, de Paloma Varga Weisz, também surpreende. Atravessando o pátio, também ornamentado com esculturas, uma delas de Angela Bulloch, e outra de José Pedro Croft, ambas criando “jogos de luz, movimento e uma falsa rotatividade”.

O pátio dá também acesso outro edifício e, na sala do piso térreo, deparamos com uma exposição temporária, “O Antropoceno: em busca de um novo humano?”, sobre a temática ambiental. No piso de cima, outra temporária, “Guerra: Realidade, Mito e Ficção”, sobre um tema tão actual como abrangente, explorando um conjunto de temas que vão da violência às notícias falsas.

Ainda lá estão notas trituradas, de Fábio Colaço, numa alusão artística aos interesses da guerra, bem como uma impressionante escultura de dois cavalos mortos, de Berlinde de Bruyckere.

São mais de duas centenas de obras e artistas que estão, respectivamente, expostas e representados na exposição, em dois mil metros quadrados, “contemplando vários conjuntos autorais e diversos núcleos temáticos”.

É um sítio atractivo, mesmo cativante, um local esteticamente diferente que junta história e arte, arquitectura, restauração, hotelaria, espaços de lazer, com fácil estacionamento ao fim de semana.

domingo, 18 de maio de 2025

Open House nos Jerónimos


Setembro de 2024. Este ano, a Open House de Arquitectura leva-nos ao Mosteiro dos Jerónimos. Não ao que comumente abriga o Museu de Arqueologia, mas sim ao espaço vago que, agora, é possível visitar no andar superior.

O museu está fechado há mais de 2 anos para renovação. O piso térreo nem sequer está acessível, uma vez que as peças museológicas foram protegidas, logo após muitas terem sido objecto de intervenção para recuperação.

Estando vedado o piso térreo, a visita proporcionou conhecer o piso superior. Lugar onde existiram as celas monásticas, está agora com o piso e paredes limpos, além do tecto em madeira praticamente renovado.

 

Notam-se ainda que algumas das intervenções, umas anteriores e outras actuais, modoficaram a forma das janelas, bem como outras aberturas anteriormente mais vastas. Os tectos em pedra também foram alvo de limpeza.

 

Continua-se a ter uma vista privilegiada para o jardim fronteiro, a polémica Praça do império, bem como para o Tejo, desobrindo-se facilemnte o Padrão dos Descobrimentos. 

No claustro do mosteiro, está instalada uma unidade de recuperação de peças museológicas, que vão desde testemunhos pétreos até objectos em metal. Prevê-se que as obras terminem até final deste ano.

 

A intervenção inclui a requalificação de toda a estrutura do museu. Tem por objectivos fundamentais,  melhorar a infraestrutura museológica e a apresentação da coleção arqueológica. Vão estar mais de 32 milhões de euros nos trabalhos de recuperação.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Festa do Japão 24


Um marco das celebrações da cultura japonesa, uma vez por ano, tal como no anterior, no palco do Jardim Vasco da Gama, em Belém. Envolve um conjunto de expressões da cultura popular actual, a que se juntam as manifestações de tradição milenar.

Os primeiros envolvem, por exemplo, actividades como o cosplay, anime e mangá, música pop japonesa e música contemporânea japonesa, misturando elementos modernos e tradicionais.

A cultura tradicional japonesa está representada por aoresentações de Taiko (tambores japoneses), mas também por um conjunto extenso de demonstrações de artes marciais. Entre outras, o karaté, shorinji kempo, judo, kendo, naginata (lança com lâminas na ponta), iaido(arte de desembainhar a espada) e kyudo (arco e flecha japonesas).

O Aikido tem estado sempre representado. Este ano, coube à Associação Portuguesa de Aikido e Disciplinas Associadas, APADA, a honra de fazer uma demonstração.

Há também workshops e degustações de culinária japonesa, a par de actividades de origami (arte de dobrar papel), shodo (arte da caligrafia) e ikebana (arte de arranjos florais).

Isto, entre ou representações culturais, tais como artesano (bonecas Loleshi) ou artigos de cerâmica ou leques, acompanhas por bancas institucionais, do turismo e da embaixada nipónica.