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sexta-feira, 12 de junho de 2026

O Aikido Como Modelo


Voltámos à ribalta, uma vez mais, ao Sarau de 2026, do Real Sport Clube, tal como quando treinamos. E é uma ribalta egoísta. Quando treinamos, trabalhamos em nós próprios, não no agressor. Estranho? Nem tanto.

A prática envolve a síntese do conhecimento e a transformação da ação em um gesto natural. O verdadeiro objetivo não é vencer o oponente, mas alcançar uma harmonia invencível.  

A aprendizagem é um espelho de virtudes partilhadas. Exige do aluno a entrega do esforço, o manto da paciência, o caminhar da prática infatigável e o despojamento da humildade.

Se cada um destes pilares for eco de quem ensina no aprendiz, este conseguirá colocar-se em harmonia com o seu ambiente, limpar do caminho obstáculos e melhorar o desempenho.

Quando treinamos, o publico somos nós, praticantes. Somos nós que assistimos ao nosso desempenho. Treinamos para nós, não para atacar inimigos. Um pequeno egoismo, digamos, saudável.


Treinamos com adversários, não para os bater pela força, mas para lhes conter a energia ou conduzir o impeto de ataque. Mas, também, para neutralizar os nossos laivos de raiva, imprudências, agressividade.

Como diria O’Sensei, “a verdadeira vitória é a vitória sobre si mesmo”. Sou eu contra mim. Eu trabalho em mim, não nos outros. O Aikido pode ser um modelo de vida, uma referência para quem ensina e, sobretudo, para quem aprende.

Um modelo que é possível reconhecer nestes escassos minutos, em que cada um deles demonstrou de uma forma equilibrada, firme e vibrante, o que têm aprendido com serenidade, dedicação e elegância.


NOTA - Nenhuma das fotos é da minha autoria mas foram disponibilizadas on-line.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

O Caminho Até Aqui


Na adolescência, o Aikido era apenas uma palavra distante e misteriosa. Raros o praticavam, poucos o conheciam, ninguém o via. Um colega de liceu era a excepção, mas estava ainda no início do Caminho.




Um dia, aos cinquenta anos, vi entrar num pavilhão um estranho grupo de praticantes. E assisti à demonstração. Movimentos suaves, firmes, quase poéticos. Havia ali ciência e arte, energia e leveza. Conhecia a ACPA.


Fiquei curioso: poderia eu também aprender? Quem lá estava: jovens, idosos, todos fluíam. Pensei: chego tarde, mas ainda a tempo. Onde praticar? Seria mais perto e mais familiar do que eu supunha.

Descobri o Dojo numa cave, com tapetes que tingiam o Gi. O Mestre, já septuagenário, ensinava com calma e rigor. E foram três meses de treino a dois, um privilégio raro.

Chegaram novos praticantes e o primeiro sarau. Senti-me parte de algo maior. Mas uma lesão no basquetebol obrigou-me a parar. Sete meses de pausa, sete meses de espera.

Voltei ao Dojo, mais prudente, mas também mais determinado. Vieram encontros, estágios, exames. Agora num espaço maior e mais digno, o Dojo crescia em praticantes e eu em motivação.

A Hakama marcou um novo patamar. E uma nova queda. O chão e o ombro encontraram-se violentamente. Outro hiato, mais fisioterapia, mais paciência. Mas o Caminho não se perde, apenas muda o ritmo.

Retomei o treino, passo a passo, com humildade e atenção. O corpo aprende, a mente desperta, a vontade sustenta. Chegou o Primeiro Dan, conquista e renascimento.

O Japão cruzou-se no meu percurso, juntando prática e cultura, em Tóquio e em Kamakura. Uma hora eterna de prática no Hombu Dojo da Aikikai, é outro privilégio, o de aprender na fonte.


Também estive com a Federação. A juntar as mesmas vontades e práticas diferentes. Pelo bem de todos. Excelente tempo de aprendizagem, do que fazer e do que não fazer.




A hipótese de ensinar surgiu no Caminho. Ensinar tornou-se a continuação natural do aprender. O aluno dá (também) lugar ao instrutor. Partilho o que recebi, repito o que aprendi, transmito o que compreendi.

A pandemia implicou mudanças. Transformou salas em parques e casas em Dojos. O Aikido resistiu e adaptou-se a novos espaços. Muitos aprenderam armas em meses o que demorava anos.

Recuperado o bem-estar, o regresso aos Dojos foi lento mas constante. Pouco a pouco, a magia do Aikido reforçou vontades e estimulou o Caminho. A cerveja também ajuda.

Hoje, há tantos ou mais praticantes do que naquela época, e mais eventos. Continuo, com amigos, Mestres e alunos, no mesmo Caminho, o bom Caminho do Aikido.

Dezoito anos depois de começar, a maioridade da prática é tão deliciosa como responsável, tão festiva como profícua.





segunda-feira, 3 de março de 2025

Festa do Japão 24


Um marco das celebrações da cultura japonesa, uma vez por ano, tal como no anterior, no palco do Jardim Vasco da Gama, em Belém. Envolve um conjunto de expressões da cultura popular actual, a que se juntam as manifestações de tradição milenar.

Os primeiros envolvem, por exemplo, actividades como o cosplay, anime e mangá, música pop japonesa e música contemporânea japonesa, misturando elementos modernos e tradicionais.

A cultura tradicional japonesa está representada por aoresentações de Taiko (tambores japoneses), mas também por um conjunto extenso de demonstrações de artes marciais. Entre outras, o karaté, shorinji kempo, judo, kendo, naginata (lança com lâminas na ponta), iaido(arte de desembainhar a espada) e kyudo (arco e flecha japonesas).

O Aikido tem estado sempre representado. Este ano, coube à Associação Portuguesa de Aikido e Disciplinas Associadas, APADA, a honra de fazer uma demonstração.

Há também workshops e degustações de culinária japonesa, a par de actividades de origami (arte de dobrar papel), shodo (arte da caligrafia) e ikebana (arte de arranjos florais).

Isto, entre ou representações culturais, tais como artesano (bonecas Loleshi) ou artigos de cerâmica ou leques, acompanhas por bancas institucionais, do turismo e da embaixada nipónica.

 

 

domingo, 9 de junho de 2024

Festa do Japão. 2023


Tem muito da cultura japonesa. Anime, música japonesa, cosplay, artes marciais, artes florais, manga, dança, etc, etc, Promove o Japão em Portugal há muitos anos, através de um evento que celebra a amizade e a permuta entre os dois país anualmente.

Para tal, a embaixada do Japão que organizou o evento, trouxe um grupo de entretenimento de dança “Awa Odori”, intitulado Takarabune, uma dança tradicional de Tokushima, curiosamente cidade onde morreu um consul português, grande apaixonado pela cultura japonesa, Venceslau de Moraes.

Do ponto de vista musical, também esteve presente um duo japonês de flauta e percussão, desta feita num registo de fusão entre a tradição musical japonesa e a música ocidental, num estilo “Edo-bayashi”, utilizando diversos tipos de tambores e flautas japonesas.

O evento teve lugar no Jardim Vasco da Gama, em Belém, num dia quente mas sem vento, propício à visita das muitas bancas que rodeavam o jardim. Diz-se que estavam mais de 70 instituições representadas, desde a gastronomia à indústria automóvel, das viagens às manufaturas.

Com o habitualmente, há demonstrações de artes marciais no palco principal, que decorrem a seguir à hora de almoço. O Aikido nacional costuma estar presente representado por uma das associações nacionais, por convite da Federação Portuguesa de Aikido, FPA.

Este ano, coube à Associação Portuguesa de Aikido e Disciplinas Associadas, APADA, a representação do Aikido nacional, tendo englobado jovens e adultos, homens e mulheres, numa demonstração de um dos emblemas culturais significativos do Japão.

 

Outra disciplina representada no palco principal foi o Tenchi Tessen, uma arte inspirada no Budo japonês, criada por Georges Stobbaerts - o fundador do Aikido (e não só) em Portugal, baseada sobretudo no Iaido e no Aikido, assim como no Yoga e no Zen.

 

Uma outra disciplina representada, obrigatória até nas escolas japonesas, foi o Kendo, cuja tradução simples é “o caminho da espada”, desenvolvida a partir do combate com espadas dos samurais do Japão feudal, cuja prática actual se faz com uma “Shinai”, uma espada de bambu.

Uma boa ocasião para estar próximo das diversas actividades que fazem parte da cultura japonesa, para rever amigos e praticantes de Aikido (ou mesmo de outras artes marciais), vaguear pelas diversas bancas de artigos japoneses, assistir a espectáculos e ou demonstrações.