segunda-feira, 1 de junho de 2026

Até Dubrovnik


Deixamos Trogir entregue a uma manhã luminosa e não tardamos a encostar-nos ao Adriático. Depois, é por ali abaixo: mar, a perder de vista, sempre a acompanhar-nos, enquanto o azul domina o negro do asfalto.

O mar está calmo, como é habitual. Aqui e ali, uma enseada convida a parar. E o azul ali estendido é um horizonte tão cativante como o nascer ou o por do sol. Paramos, descansamos, damos dois dedos de conversa.

De vez em quando, surge uma ilha, depois outra, maior ou mais pequena, mais perto ou mais longe, árida ou frondosa. São mais de mil e duzentas ao longo da costa Adriática. O azul tudo medeia. Começamos a perceber o fascinio deste mar.

Do lado de terra, a escarpa tanto se agiganta como se atenua. A vegetação não é homogénea, sendo frequentemente baixa, fazendo lembrar amiúde a da serra da Arrábida. O mar compensa alguma aridez aqui e ali.

De tão estimulante, a costa obriga a parar. As praias não têm a “nossa” areia, mas o azul inspira e a temperatura da água recompensa. Há que parar, vestir o fato de banho e dar um mergulho.

A descida da costa Adriática é admirável. É a partir daqui que a viagem junta o romantismo ao desafio do equilíbrio, mistura a estética do ambiente ao deleite das águas calmas e cálidas.

Almoçamos à borda do mar. Enquanto uns reservam e escolhem o menu na espalnada do Hotel Riva - uma unidade pequena mas a meia dúzia de passos da água -, outros já mergulham na praia contígua.

Apesar dos seixos omnipresentes nas praias serem tão chatos como a areia para pneus de asfalto, há sempre uns chinelos que negoceiam o acesso. Por vezes, a água está a meia dúzia de passos das motos.

Damo-nos bem com a proximidade da água. Desde Trogir que tal acontece. Vamos continuar a bordejar o Adriático dando-lhe a direita, pelo menos até à ponte de Peljesac, que contorna  a pequena faixa costeira da Bósnia.

É a única maneira de evitarmos a fronteira do país vizinho, livrando-nos dos procedimentos inerentes à entrada, e depois à saída, de um país que não integra a UE. Parámos e descansámos numa área dedicada no início da ponte.

Dali vê-se o território da Bósnia. Passamos a ponte, recente de há pouco mais de um par de anos, e continuamos, agora com o Adrático do lado esquerdo, bem como do estreito território bósnio que confina com o mar.

Estamos a caminho de Mokosica, a poucos quilómetros da meta deste dia: Dubrovnik.  Ficamos alojados num Airbnb, uma moradia com mais de 6 quartos e um espaço exterior exctamente para as 6 motos.


Fomos recebidos com comida e bebida q.b. pelo anfitrião, talvez a compensar a existência de alguns bichinhos daqueles que mordem e deixam rasto. Saímos para Dubrovnik, onde o estacionamento até para motos é problemático, uma vez que é exíguo.


 Depois de, durante a Expo 98 em Lisboa, termos assistido, sentados em bancos de pé alto, à espectacular entrada de barco no porto da cidade, através de um ecrã de 180º, a espectativa era enorme.

Acrescia o facto de, além da vertente histórica e arquitectónica, a cidade ter sido palco de alguns episódios da série “A Guerra dos Tronos”, pelo que se esperava por cenários reais imponentes.

Aliás, na descida para o centro da urbe - uma escadaria tão íngreme, que só lembra a quem trepa do Martim Moniz para o Castelo, em Lisboa -, lá estava o manequim de Tyrion Lannister, também conhecido pelos apelidos "Duende" ou "Meio-Homem".

Dubrovnik não desilude. Possui muralhas medievais perfeitamente preservadas e um centro histórico, património da UNESCO, revelando séculos de influência veneziana e dálmata.

A principla artéria do centro histórico, a Stradun, é ladeada por palácios, mosteiros e edifícios renascentistas. O palácio do Reitor, hoje Casa da Cultura da cidade, é um dos edifícios mais emblemáticos, que combina elementos góticos e barrocos.

O antigo poder da República de Ragusa está bem patente na fortaleza de Lovrijenac, erguida sobre um rochedo costeiro, símbolo da resistência e independência da cidade. O passeio pelas muralhas é um circuito de rara beleza.

Percorremos apenas a parte gratuita, - que é bastante curta -, mas dá uma ideia curiosa do restante percurso. Depois, o itinerário segue pelas estreitas e íngremes ruas/escadas que levam a becos simpáticos e a algumas casas particulares…

Embora tenhamos percorrido 1/3 das muralhas, apenas estivemos em dois dos grandes portões fortificados da cidade. Apesar de termos visitado quase todo o centro histórico, apenas percorremos 10% da cidade.

Deixámos Dubrovnik à ainda folia dos visitantes, quando os restaurantes se começaram a encher de turistas, a Stradun acalmava e a escadaria para o Portão Buza, por onde havíamos entrado, já nos dava espaço para parar e descansar.