sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Desde o Forte de São Bruno

 

Está praticamente do outro lado do (agora, ruína) restaurante Mónaco. Já teve acesso e estacionamento para veículos, mas - soube hoje - está apenas acessível para veículos camarários e de abastecimento.

O Forte de São Bruno é uma pequena fortificação marítima com planta poligonal em  estrela, expressão típica do barroco militar. Privilegia a eficiência defensiva com dois baluartes robustos que lhe dão um perfil austero e estratégico.

Está lá desde o último quartel do século 17. Trata-se de uma das fortalezas que faz parte da extensa linha de defesa da barra do Tejo. Inoperacional durante algumas décadas teve uma ocupação bastante heterogénea.

Guarnecido, mas depois abandonado, só no início do século 19 foi rearmado com onze peças de artilharia. Mas não durante muito tempo. Foi invadido por areias, parte de  uma pequena muralha ruiu e chegou a ser utilizado como alvo para exercícios de tiro.

Foi morada civil, edifício administrativo fiscal, instalação da Mocidade Portuguesa, altura em que teve intervenção para recuperação. Depois do 25 de Abril pertenceu a um Fundo de Fomento e depois à Associação Portuguesa de Pousadas da Juventude.

Foi ainda instalação de Salvadores Náuticos, recuperado por duas vezes, e a Câmara de Oeiras reabilitou também o espaço envolvente com o objectivo de melhorar o acesso de visitantes ao forte.

Embora se note que não está nas melhores condições de conservação, foi cedido e encontra-se hoje como sede de honra da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, APAC, que também realiza aqui algumas actividades sobretudo para crianças.

Não precisei entrar à sucapa, o portão exterior estava aberto. Porém, o portão interior estava fechado.  A encimar este Portão de Armas, uma placa placa epigráfica faz referência ao rei João IV e ao Conde de Cantanhede, com data de 1647.

Afinal, o portão só parecia fechado. E, havia vozes vindas de lá. Aproveitei para dar uma volta ao longo das muralhas, e observar a paisagem através das aberturas dedicadas às peças de artilharia.

Voltei e a porta estava entreaberta. Aguardei e surgiu quem cuida do sítio, a responsável da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, APAC, pelo espaço. Gentilmente, mostrou-me as duas salas dedicadas a eventos e deixou-me trepar ao  terraço lajeado.

De lá, a vista é excelente, a par do cheiro da maresia, do azul do mar e da luminosidade que o sol empresta. O olhar vai desde a ponte 25 de Abril, passa pela outra margem do tejo e chega à extremidade da Marina de Oeiras.   

domingo, 25 de janeiro de 2026

Balcãs 25. De Montichiari a Trento



Estamos em Montichiari, a pouco mais de 80 kms de Melzo, onde recolhemos as motos que viajaram de camião até Itália. Chegamos à vista do castelo Bonoris, a minutos do hotel Elefante, onde temos estacionamento no pátio. 

Saímos, trepamos numa curta ladeira, mas o castelo já está fechado. Voltamos às ruas e entramos na Piazzetta da Basilica, damos a volta ao Duomo de Santa Maria Assunta e descobrimos uma esplanada simpática para comer gelados

Regressamos às ruas e não tardamos a sentar-nos para jantar na esplanada da pizzaria Al Cervo, mesmo nas traseiras do Duomo. O tempo está excelente, jantamos de manga curta as primeiras pizzas da jornada.

A visita a Sirmione está no programa da manhã. É para lá que vamos, acompanhando o final do Lago di Garda. Sítio turístico por excelência, há quase 4 décadas que não o vistávamos.

 

Hoje, já nem as motos têm direito de entrar no Castelo Scaligero. Ficam num parque estacionamento, onde também pagam! Fazemos um peqeno circuito pedestre, pelas ruas estreitas e voltamos à estrada.

Ficam por ver as restantes vielas, a villa de Maria Callas, as Cavernas de Catullo, o Lido e alguns vestígios arqueológicos que a pequena península encerra. O tempo continua soalheiro mas o trânsito está a ficar caótico.

É pouco mais de uma dezena de quilómetros até começarmos a subir pela margem do lago, mas já lá vai quase meia hora… até que, paramos quando o tráfego sossega num pequeno restaurante onde nos recebem (quase) em português.

Deixamos o almoço, acompanhado por prateleiras de garrafas de vinho, rotuladas e identificadas com graduação, casta e proveniência, e continuamos a acompanhar o lago, agora com menos trânsito e a paisagem a cativar deveras.

 

Paramos, fotografamos, conversamos e resistimos ao desafio da paisagem. Partimos de  para o próximo desafio, a Srada della Forra, que bordeja a falésia junto ao lago. O piso é bom, a estrada é estreita e parece que tem apenas um sentido.

Vamos trepando e passamos por um túnel, vegetação abundante, casas de montanha, sempre com um panorama ímpar. Quando paramos em Tremosine - onde, nem para motos, é fácil conseguir um lugar -,  estamos a meio do monte.

Desde o terraço de Brivido, de onde é possível ver grande parte do lago, também se vislumbra em Malcesine o seu castelo Scaligero, erigido no topo de um pequeno monte, mesmo à beira do lago.

Saímos para Riva Del Garda, navegando sempre junto à água, ora ao longo de uma outra mansão, ora  a olhar a montanha que se vai erguendo, cada vez mais alta, na outra margem. Está a ficar escuro, mas a paisagem mantém-se soberba.

Agora é preciso, como em redor do lago, conseguir lugar para parar as motos. Não é fácil e ficam encostadas a um enorme edifício que encerra uma central eléctrica. Saímos para a o centro da cidade.

Enquanto extermidade do lago, Riva tem um terminal fluvial e, pelo menos um dos barcos, fazia lembrar os velhos barcos a vapor do Mississipi. Sentamo-nos na praça 3 de Novembro, a sentir a dinâmica da zona lacustre.

À vista da Torre Apponale do século XIII, que tinha como propósito principal vigiar e defender a cidade, circundámos a praça e concluimos uma pequeno passeio pedestre ao longo do cais que circunda o sul da cidade.

Encurtámos o passeio, também porque o céu prometia chuva. E ele chegou, fortee acompanhada por vento. Abrigámo-nos num pequeno mercado de levante, próximo das motos e só arrancámos assim que a chuva deu tréguas.

Com a estrada alagada e os fatos de chuva vestidos, saímos a caminho de Trento. Começamos a subir não tarda. A estrada nacional, com bom piso e curvas largas, é agora acaompanhada por arvoredo típico de montanha.

Chegamos os arredores de Trento, ainda de dia e estacionamos em frente do hotel onde já está um grupo de motociclistas gregos. Jantamos num restaurante que estava  a fazer uma pela enorme paella e ainda temos direito a um pedestre nocturno para lá e para cá.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Balcãs 25. 2 De Trento a Liubliana

Partimos de Trento com o dia a nascer, tão claro e propício como o anterior. Os vales estendem-se à nossa frente como um leito natural, encaixados entre montes que vão dominando o horizonte.

 

A paisagem organiza-se contrastada: o negro profundo do asfalto, o castanho rugoso das montanhas, o verde denso das florestas e o azul límpido do céu. O sol ilumina o caminho como se nos indicasse o destino.

A estrada começa a ganhar altura, sobretudo depois de Cortina d’Ampezzo, enquanto percorremos os Dolomitas. O traçado enrosca-se na montanha, multiplica curvas apertadas, surgem os “cotovelos” e o trânsito intensifica-se.

No Colle de Santa Lucia, o cenário é vibrante: autocarros, autocaravanas, centenas de ciclistas e motos amontoam-se num espaço já escasso. Mas são as montanhas que dominam, algumas tão nuas como colossais.

Andamos por cascatas que irrompem pelas encostas e picos que recortam o céu. A estrada prossegue sinuosa, com melhor ou pior piso, acompanhandos de novo pelo cenário florestal pontiado pelas típicas casa alpinas.

Só voltamos a parar na “fronteira”, para a foto da praxe. Lienz surge pouco depois. Deixamos as motos na garagem do hotel e caminhamos até ao centro. A cidade austríaca acolhe-nos em clima de festa.

 

Há projeções que iluminam a fachada do castelo de Liebburg, palcos que espalham música pelas ruas, pessoas que dançam e celebram. O ambiente festivo prolonga-se nos restaurantes cheios.


Acabamos por procurar fora do centro e descobrir um bar escondido, onde somos surpreendidos pela comida típica, a preços aceitáveis. Há trinta e seis anos que não entrava na Áustria!

Deixamos Lienz, mas continuamos em terrenos montanhosos, por estradas nacionais e regionais. Até que o relevo baixa, o trânsito aumenta e se começa a perceber que está próxima uma área de lazer.

 

Chegamos ao Lago Bled, um espelho de águas límpidas, rodeado por montanhas esguias, com um ilha de sonho e uma castelo de contos de fadas na falésia. Há barcos que sulcam o lago e uma marginal fascinante que o circunda.


Até Liubliana é um instante. Foi muito, num dia muito cativante. Ficamos a dois passos do centro e da incomum Metelkova, da Ponte do Dragão, da Ponte Tripla, da Catedral e mesmo do acesso ao castelo.

O dia seguinte será exclusivamente dedicado à capital eslovena. Apenas o acesso ao castelo é difícil, caso se não use um ascensor de cremalheira. O castelo domina a cidade, mas o interior é um mundo.

Possuiu projecção de imagens artísticas, um pequeno museu, uma sala de audiovisuais, além das dependências e configurações medievais, tais como a prisão, torres defensivas, portões e muralhas.


Na parte baixa, o perfil das ruas é praticamente plano. O rio serpenteia sob as pontes, atravessando a cidade. Nas margens, há bares, esplanadas e lojas pequenas sobretudo com artesanato.

Há lugares icónicos, como a  Metelkova, uma antiga zona hippie, hoje algo degradada, mas ainda com a irreverência e criatividade expostas. Há espectáculos anunciados e arte bruta aqui e ali.


A praça Presernov onde domina a estátua do poeta  France Prešeren, que olha o seu amor não-correspondido, sentada à janela do outro lado da praça é, digamos o centro da cidade, lugar para onde converge a Ponte Tripla.

 

A ponte do Dragão, o animal símbolo da cidade, é outro dos ex-libris da cidade, que possui quatro dragões, um em cada extremidade. Distribuídas sobretudo pelas margens do rio, um conjunto de esculturas reforça o ambiente artístico da cidade.