O elogio da arte, em “projecto inédito de iniciativa privada”. É assim o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, que reune arte moderna e contemporânea, portuguesa e internacional.
Mas não só. O edifício é também ele um elemento artístico, um “espaço historicamente conhecido como Palácio dos Condes de Vila Franca”, do início do século XVIII, mandado construir, em 1701, pelo Marquês de Nisa.
Trata-se de uma construção sólida, capaz de ter sobrevivido ao terramoto de 1755, um edifíco onde nasceu, João Zarco da Câmara, o primeiro português a ser nomeado, em 1901, para o Prémio Nobel da Literatura.
Hoje, o edifício do antigo palácio foi alvo de uma intervenção nas paredes, tectos e pavimentos, preservando a traça pombalina. Nas salas de exposição o abobodado ainda reflecte a estrutura arquitectónia de época.
Também foram mantidas a capela e a escada monumental, todavia com a primeira convertida em bar e a segunda com um tratamento estilizado, conciliando a integridade histórica com exigências funcionais técnicas de um hotel.
Os dois pisos superiores do palácio original são agora acomodações hoteleiras. O piso térreo tem muitas salas dedicadas sobretudo à pintura e escultura. Mas o espaço expandiu-se para as traseiras em novas galerias.
O piso superior do edifício paralelo, mediado por um jardim que se abre desde a escadaria, está também dedicadoa exposições, estas que me pareceram temporárias e com carácter de instalação.
A nova ala perpendicular alberga o hotel e espaços de restauração. O conjunto é agradável, sedutor mesmo e, apesar de visualmente serem, digamos três corpos diferentes, articulam-se harmoniosamente.
O museu possui mais de 600 obras de arte - mas apenas pouco mais d edua sdezenas em exposição - que contemplam uma grande diversidade de linguagens e estilos artísticos, entre pintura, escultura, desenho, vídeo, fotografia e instalação, que abragem os últimos 3 séculos.
A arte portuguesa incluiu um primeiro espaço, com um conjunto de obras do final do século XIX e vai aos vanguardistas e modernistas da década de 80 do século. Estão ali, Malhoa, Almada, Amadeo, Vieira da Silva.
Está lá um “Fernando Pessoa” de Júlio Pomar, o “Diálogo” de António Dacosta, “The Knight, the Lady and the Priest 2”, de Paula Rego. Eduardo Nery, Nadir Afonso, Júlião Sarmento e Pedro Cabrita Reis, também estão representados.
Já tivemos a possibilidade de visitar o segundo núcleo, que contempla artistas estrangeiros e compreende obras datadas dos anos 80 até à actualidade. Está lá, o curioso “Un jour de grève ou la lampe d'Aladin”, de René Bertholo.
“Women Massaging Breast”, uma obra da série “Épico Erótico dos Bálcãs“, de Marina Abramović, não deixa muita gente indiferente. A instalação “Still Life”, de Paloma Varga Weisz, também surpreende. Atravessando o pátio, também ornamentado com esculturas, uma delas de Angela Bulloch, e outra de José Pedro Croft, ambas criando “jogos de luz, movimento e uma falsa rotatividade”.
O pátio dá também acesso outro edifício e, na sala do piso térreo, deparamos com uma exposição temporária, “O Antropoceno: em busca de um novo humano?”, sobre a temática ambiental. No piso de cima, outra temporária, “Guerra: Realidade, Mito e Ficção”, sobre um tema tão actual como abrangente, explorando um conjunto de temas que vão da violência às notícias falsas.
Ainda lá estão notas trituradas, de Fábio Colaço, numa alusão artística aos interesses da guerra, bem como uma impressionante escultura de dois cavalos mortos, de Berlinde de Bruyckere.
São mais de duas centenas de obras e artistas que estão, respectivamente, expostas e representados na exposição, em dois mil metros quadrados, “contemplando vários conjuntos autorais e diversos núcleos temáticos”.
É um sítio atractivo, mesmo cativante, um local esteticamente diferente que junta história e arte, arquitectura, restauração, hotelaria, espaços de lazer, com fácil estacionamento ao fim de semana.









































