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domingo, 12 de outubro de 2025

Barragem do RIO DA MULA

Está lá desde o início dos anos 30, de modo a minorar as faltas de água em Cascais. A fase mais recente, a final, é de há mais de meio século. Estamos na barragem do Rio da Mula. Estamos na barragem do Rio da Mula.

Continua a fazer parte do complexo de abastecimento de água a Cascais. Parecendo pequena, a lagoa tem a capacidade de armazenar  mais de 230 mil m3 de água. O muro da barragem tem quase 20 metros de altura e quaase 200 de largura.

O rio que abastece a barragem é o Mula,, que nasce  na serra de Sintra e termina na praia da Ribeira, em Cascais. Mas, tal como a sua congénere Azul, é em seu redor, que muita gente disfruta da natureza envolvente.

Hoje, os trilhos em redor da barragem têm muitos praticantes de caminhadas e de BTT. A barragem é um dos pontos de partida ideais para este tipo de actividades. Seja de dia, ou de noite, esta ideal para um qualquer “nordik walk”, o ambiente é tentador.

Há quem faça trilhos e quem os misture com caminhadas em azimute (a direito, em plena floresta). Um destes passeios, inesquecível, num Dezembro de 79, levou-nos à Peninha, por caminhos que, ainda hoje, nem sei por onde vão.

Mas basta andar à volta da barragem para, mesmo no Inverno, desfrutar da flora e da fauna autoctones. Há sempre pássaros, pequenos répteis e insectos por perto, flores e fungos por todo o lado.

Neste dia, havia o que parecia ser uma “mãe de água”, muitos ramos partidos no solo - alguns de grande dimensão - e, até uma “cabana de índio“ feita com troncos mais pequenos.

E, claro, gente a caminhar, a pedalar, a fotografar, a fazer jogging ou simplesmente a olhar para a floresta, para os cumes da serra, para o espelho de água da albufeira. O ar fresco e o odor floral completam o quadro bucólico do sítio.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ao Longo das Falésias desde a Foz do Lizandro


Março 2009
O mar está lá, omnipresente, extenso, a perder de vista, homogéneo de azul. A separar-nos, rochas brutais, barreiras que defrontam aquele império. Flores, uma ou outra entre calhaus ou véus de folhas esverdeadas. Vegetação rasteira, veredas, uma ou outra cavidade, alguns sulcos, penhascos. Dos mais altos, abrange-se o mar, o oceano, quase a curva do mundo. De tão intensa, porém intangível, a sensação de poder espraia-se nessa sua inutilidade. O estar lá mistura quimeras, teimosias, inspirações, sentidos, sensações, desafios. Anda-se ao sabor do recorte, da charneira entre o mar e a terra. Olha-se o oceano, vigia-se o chão, espreita-se a escarpa. Há brilhos trémulos no mar, cores e texturas ímpares nas arribas. No fundo, há línguas de areia e rochedos sem ordem. As gaivotas são as únicas que cedem ao vento e olham para terra. Vamos até onde o declive parece seguro e a cautela alvitra. Caminhamos pelas falésias, num trilho entre mundos.

Música: Sahara of snow, Bill Bruford

domingo, 15 de junho de 2008

Trepar Sintra, de novo


Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...
Ode Triunfal, Álvaro de Campos

Éramos 13 em dia 14, mas poderíamos ter sido uma trintena no passado 31, os suficientes, porém, para não esticar a fila de trepadores e manter um ritmo serenamente animado.









Defrontámos uma temperatura que raramente exigiu casaco, um ambiente de humidade suave e piso seco. Encontrámos Sintra como se o Verão tivesse perdido a vergonha de aparecer.








Trepámos por entre quintas iluminados por enormes pedaços de lua. Acenderam-se algumas lanternas, mas rapidamente verificámos que as numerosas raves de pirilampos ilumiavam as veredas de forma satisfatória.







A rampa da Pena sofria de mais trânsito do que das duas vezes anteriores que subimos a serra. Igual, estava o ambiente à porta do castelo dos Mouros e do portão do palácio de Pena, ou seja, uma tranquilidade descomunal. Quedo estava também o ambiente na “casa assombrada”, onde a sexta-feira 13 anterior não deve ter tido muitos adeptos.


Já Santa Eufémia, fervilhava de vida o que não comprometia o mar de luz que do miradouro se vislumbrava. Afinal, a rave dos vaga-lumes havia sido transferida para a planície. Tal foi a animação que a estada na Cruz Alta se prolongou até depois do café...






Descemos sem pressa. Ainda espreitámos o terreiro da feira, em S. Pedro, e voltámos a trepar para passarmos pela igreja de Santa Maria.  Terminámos na partida, praticamente com a mesma temperatura com que saímos.





Andámos cerca de oito quilómetros, em três horas, ao longo das veredas sintrenses, entre trepadeiras, odor a bosta de cavalo com suaves toques de pinho,invadindo o universo dos pirilampos foliões, trepando em amena cavaqueira. Uma caminhada em 1ª classe.






Vídeo
Músicos: Focus
Música: Sílvia





quinta-feira, 6 de março de 2008

Ao longo da Poça Do Vau


















A Lagoa de Óbidos é uma zona húmida de particular valor económico e ambiental, já referida nos documentos das cortes de Évora de 1460, e que se encontra sujeita a uma grande diversidade de ameaças.
Maria João Carvalho in
http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=13318

Estimava que existisse uma, duas quanto muito. Afinal, a Poça estendia-se do Vau à foz do Arelho. Catita, este passeio! Pela entrega das pessoas, pela diversidade do percurso, pelo êxito das “surpresas”…

A proposta dos Rituais sugeria partirmos da Amoreira, perto de Óbidos, e terminarmos no Gronho, quando a Lagoa de Óbidos se funde com o mar. “Cerca de 13 quilómetros, quase sem relevo e em piso de terra”, assegurava o Paulo Alves. Assim foi, até que surgiu a água…

Com início numa pedreira, e sempre acompanhados pelo rio Rial, marchámos ao longo de um vale fértil, pleno de culturas hortícolas e frutícolas.

Está nublado. Há gente na faina agrícola: juntam canas, apanham morangos, chegam o tractor às leiras, regam as couves. Seguimos ao longo das hortas e do rio que pouca água leva.

Da pradaria à floresta, patos que levantam e retornam, rapinantes a sobrevoar a campina, e um cãozito guloso, foram quebrando a monotonia da paisagem.

Com a entrada no arvoredo, o terreno cresceu e minguou em picadas rasgadas por velhos sulcos de água. Ficou mais fresco, precioso face aos declives.

Subimos, descemos, espreitamos alguns cemitérios de mobiliário, paramos para um primeiro acerto do apetite. Em redor, a cor deixava o beije e o verde hortícola.
Surgem agora amarelos vivos, violetas fortes, verdes novos, carmins alegres. Como sentinelas, erigem-se pinheiros e eucaliptos.

Passamos a descer. As rugas do piso afundam-se, anunciam a proximidade da água, da lama, de um braço da lagoa.

O trilho empapa-se, os comentários animaram-se, as botas enterram-se, as silvas mordem-nos os polares. Saltamos, afastamos ramos, rimo-nos mais, em equilíbrio precário.

Pouco depois, sentamo-nos para picnicar em mesas de madeira, à beira do restaurante dos Musaranhos. O odor de um peixe grelhado mistura-se com o das sandes, com o ruído de um barco que puxa um esquiador, alguns ais de um entorse e estilhaços da abertura de várias minis.

A areia irrompe agora como praia tropical a ligar o pinheiral ao espelho de água. Aparecem bateiras, vestígios cais palafitas, algumas cabanas de pescadores.

O lado de lá vê-se melhor, o sol espreita mais vezes, reanima-se a passada. Não tarda a que a alternativa fique entre uma passagem a vau com água pelos joelhos ou voltar para trás. Descalçamo-nos.

Há lodo no fundo, a massajar a maioria dos pés nus. Há quem entre de ténis na água ou de calças de ganga, quem passe às cavalitas e quem grite sobre o que pisa no fundo da lagoa.

Depois, a bonança ao longo da margem de uma lagoa adormecida, agora mais arenosa, mais poluída, mais lodosa.

Uma espécie de caniçal abre-se como labirinto. Está encharcado. Dobram-se caniços, escolhe-se o trilho menos pantanoso, deixa-se de ver a cor das botas, das calças, do casaco…

A lama salta como gafanhoto apavorado. Pula-se sobre riachos. Atascamos. Uns safam-se com lama pela peúga, outros atiram-se para cima dos caniços como se o mundo acabasse lá fora.

Olhamos uns para os outros. Não havia provocações fáceis: estávamos todos impraticáveis. O creme pálido da areia ia tapando o castanhão da lama.

O último meio milhar de metros serenou o esforço, já à vista do Gronho, onde evoluíam alguns kites que se batiam com um solitário papagaio de papel.

Enfiámos alguns bolinhos, comentámos o inevitável, saudámos o sucesso da passeata.
Enquanto isso, a lagoa brigava com o mar e a tarde começava a esconder-se no horizonte. As nuvens haviam desaparecido.




Música: Beyond Words
Autor: Craig Chaquico

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sintra nocturna: serra acima, por entre a névoa
















Caminhada em SINTRA
7 de Dezembro de 2007

O vocábulo Sintra nasceu muito provavelmente da palavra cynthia, símbolo da luana mitologia céltica. Os romanos chamavam-lhe Mons Lunae, o monte da lua. Foi a “Xentra” árabe. Depois a medieva “Sintria” ou “Suntria” (astro luminoso).
in http://portal.icn.pt/



Faz-se a pé, de noite. Há que trepar um desnível de quase duas centenas de metros, ao longo de alguns quilómetros, poucos. Começamos perto das dez da noite, por ruas antigas que levam desde o Palácio da Vila, e passam entre as quintas do Relógio e da Regaleira.

Andamos sobre passeios tradicionais, tortos e estreitos, ao longo de contrastes luz/escuridão, a notar algumas silhuetas recortadas e esguias de edifícios seculares. Está húmido, escorregamos nas primeiras folhas húmidas pousadas entre calhaus, logo após o asfalto que deixámos em Seteais.

A meio, surge uma névoa envergonhada. Não há lua à vista, mas existe uma luz difusa que ilumina os primeiros degraus do trilho. As lanternas raramente se acedem. Ao baixar da névoa, os vultos tomam-nos o lugar. Alguns afastam-se, mais habituados a desafios translúcidos. O som distende-se. O bulício da vila esbate-se.

A meio da subida é praticamente apenas a natureza que se manifesta. Na claridade de um cruzamento, viramos a caminho do castelo dos Mouros.

Paramos para reabastecimento e admirar o gato negro que por ali mia. Do Palácio da Pena, alcantilado algures, nem sinal. A névoa oculta-o, como o faz com o bosque em redor. Agora é trepar para Santa Eufémia.

Entramos na terra, por entre calhaus, sobre chão húmido e hastes salientes. Vamos dar a uma ruína, palco de outros rituais.


Ao entrar no asfalto, circundamos a Pousada da Juventude e voltamos à terra, por entre veredas e salamandras entorpecidas. Lá em cima, a névoa mal deixa ver a ermida. Paramos. Ouvimos mais um excerto de um relato de uma viagem à Tunísia e à Líbia.

A seguir, descemos sobre cimento, rumo a S. Pedro. A névoa fica no cimo e, a meio da descida, já é possível vislumbrar o manto embaçado de pequenas luzes que se estende até Mem Martins, não mais.

Regressamos ao casario, por entre habitações térreas e muros de quintas. Candeeiros com luz mortiça mostram-nos o empedrado uniforme que pisamos. Mais à frente, aproveitamos para espreitar o panorama cintilante da planície que vai até à Praia das Maças.

Voltamos à vila que, desta feita, está animada junto aos bares da zona antiga.

Pouco passa da meia-noite do … Paulo, Pedro, Catarina, Paulo, Tiago, Célia, Nila, Julieta e Carlos.




Música: Concerning Hobbits
Álbum: The Lord Of The Rings
Autor: Howard Shore

Up & Down at Sintra, among the mist

We have done it on foot, at night.
Only have to climb two hundreds meters, throughout some kilometres, few ones.
We start close to ten, along old streets that lead since the Palácio da Vila, and leave behind Quinta do Relógio and Quinta da Regaleira.
We walk on traditional, twisted and narrow strolls, throughout light/blackout contrasts, looking for some notorious and thin silhouettes of secular buildings.
It was wet, as we slide over first dripping leaves over rocks and between farm walls, then after the black tarmac that we left in Seteais.
Half way to the top, suddenly an ashamed mist appears.
Without the moon at sight, we went on with a diffuse light that illuminates the first steps of the track.
Lanterns were not often turned on. When mist gets lower, shadows took our place. Some of us are moved away, more familiar with translucent challenges.
Old village noise disappears as we climb. At half way to the top, it’s practically only nature that we listen.
In the clearness of a crossing, we turn the way to the Moorish Castle. At the entrance, we stop restocking and to hear a black cat complains.
From Pena’s Palace nor a sign, due to the mist that involves surroundings.
Now it is time to climb to Saint Eufémia’s. We enter soft ground, among rocks, on wet soil and salient tree branches. We enter a ruin, stage of other rituals.
Back to tarmac, we surround the Youth Inn and got terrain again, among trails and torpid salamanders. Up there, the mist badly leaves to see the old little church.
We stop to hear plus an extract from a written story of a trip to Tunisia and Libya. Next, we went down hill on cement, route to Saint Peter village.
At half of the way to the mountain base, mist went off and we could saw a little bit of a small lights carpet extended for more than a dozen kilometres.
We returned to the residential area, among small houses and high walls from urban farms. Old street lamps with fragile lights on showed the typical ground materials that we step on. Some minutes ahead, another sparkling panorama from old Saint Peter’s streets to the plain that goes until Praia das Maçãs.
We return to Sintra old centre, when bars were full of young people. Only few minutes after midnight…