sábado, 14 de março de 2026

Torre do Tombo

Mais de cem quilómetros de estantes com documentos, papelada de Lisboa a Montemor-o-Novo. É uma papelada singular, um repositório da memória portuguesa que abrange mais de onze séculos. Estamos na Torre do Tombo.

É aqui que estão, em exposição, a Bula Manifestis Probatum, de 1179 - reconhecimento do reino de Portugal -, o Tratado de Tordesilhas, de 1494, a Carta de Pêro Vaz de Caminha, de 1500, e a Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte.

Um dos que mais me chamou a atenção foi - salvo erro, uma carta de foral -,  um documento assinado pelo nosso primeiro rei, Afonso Henriques. É que nem sequer s etrata d euma assinatura das convencionais actualmente: parec uma espécie de selo, em cruz...

 O acervo contempla mais de  83 mil documentos directamente relacionados com a expansão portuguesa e com relações internacionais, incluindo manuscritos medievais, cartografia da era dos descobrimentos e registos notariais e paroquiais.

Possui inclusivamente arquivos de cartórios de corporações religiosas extintas que datam de meados do século XIX. Mas não só. Também lá estão os famosos arquivos da polícia política do Estado Novo, PIDE/DGS.

A instituição vem de 1378, como principal arquivo português, conhecido como Torre do Tombo, designação que remonta ao tempo em que os documentos mais importantes do Reino - como o Livro do Tombo - eram guardados na torre albarrã do Castelo de São Jorge.

A destruição dessa torre no terramoto de 1755 levou à transferência da documentação sobrevivente para o Convento de S. Bento da Saúde, atual Assembleia da República, até que, em 1992, surgiu o organismo Arquivos Nacionais/Torre do Tombo.

O documento mais antigo data do ano 882, uma carta de fundação da Igreja de Lardosa. Do ano de 1129, está lá a Carta de doação pelo infante D. Afonso Henriques a Egas Ramires da igreja de São Bartolomeu de Campelo.

Outro documento, datado de 1214, é o testamento do rei Afonso II. Em destaque, está o tratado de paz, amizade e confederação entre o rei João I, de Portugal, e Eduardo II, rei de Inglaterra, denominado Tratado de Windsor, datado de 1386.

O documento mais comprido tem 36 metros, tratando-se da “Demanda entre D. Constança Suerii, abadessa do Mosteiro de Lorvão, e o Cabido da Sé de Coimbra”,  um documento de entre 1304-1318.

Outro documento curioso é uma carta do espanhol El Cano ao rei Carlos I, do século XVI, a carta de Magallanes ao mesmo rei, bem como a colecção especial de “Diplomas emanados do poder Rial”, do século XV.

Guarado numa mala, está o enorme Tratado de Adesão de Portugal e Espanha às Comunidades Europeias, 1985, traduzido em 10 línguas, assim como a Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte em Portugal, assinada pelo rei Luís I, em 1867.

O edifício, com a arquitectura de Arsénio Cordeiro, estiliza os dois “T” de Torre do Tombo. As fachadas, anterior e posterior, estão encimadas por oito gárgulas, da autoria do escultor José Aurélio.

A base piramidal relembra as pirâmides do Egipto, “construídas para a eternidade, lembrando a missão deste arquivo em fazer perdurar a nossa Memória Colectiva”. Apesar de volumoso, no interior não se sente essa dimensão.

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