O nome nasce do monte. Mas a degradação é tão notória que, não sendo alvo de intervenção, não irá demorar muito tempo até que a destruição total seja consumada. Ainda assim, entre ruínas, lixo e silêncio, persiste uma estranha beleza.
Ainda é possível lá chegar e estacionar na entrada. Porém, com a intempérie deste inverno - havia árvores caídas sobre as paredes -, e a continuação da degradação do lugar, o acesso, mesmo de moto, vai ser cada vez mais difícil.
Há sítios onde o tempo não se limita a passar, permanece como memória e como alerta. A 5.ª Bateria das Raposeiras, erguida entre finais do século 19 e início de 20, no alto da Trafaria, é um desses lugares suspensos entre o esquecimento e a quietude.
Integrada no sistema defensivo do Campo Entrincheirado de Lisboa, fazia parte do conjunto de baterias costeiras destinadas a proteger a barra do Tejo e a entrada marítima da capital, cruzando fogo com o Forte do Bom Sucesso, em Belém.
Também conhecida como Bateria Infante D. Manuel, ocupava um lugar estratégico no monte da Raposeira, dominando a paisagem entre o Tejo e o Atlântico, apoiando ainda a defesa do Bugio e da frente atlântica da Caparica.
O complexo militar articulava-se com o Forte da Trafaria, o reduto da Alpena - para visitar um dia destes -, e uma antiga estrada militar construída em 1890, formando uma rede defensiva que vigiava o horizonte marítimo de Lisboa.
Hoje, sobrevivem as três imponentes peças Krupp de 150 mm, fundidas em Essen, Alemanha, entre 1904 e 1907. Cada canhão, com quase oito toneladas, disparava projéteis de mais de quarenta quilos a dezenas de quilómetros de distância.
Exigia uma equipa de nove homens para alimentar o ritmo metálico da artilharia. São agora peças mudas apontados para uma paisagem sobre a Trafaria, outrora estância balnear frequentada pela rainha D. Amélia.
Entre muralhas de defesa e ecos de treinos, a bateria foi também território de inovação tecnológica e de modernidade. Foi neste lugar que se realizaram algumas das primeiras experiências de telegrafia sem fios em Portugal.
Hoje, o cenário é de abandono e degradação contínua. Desde a desocupação militar, iniciada nos anos 1980 e concluída definitivamente na década de 1990, as construções foram entregues ao tempo e ao vandalismo.
Muitos dos subterrâneos permanecem ocultos sob a vegetação, os edifícios deterioram-se lentamente, e os graffitis cobrem paredes onde outrora ecoavam ordens militares e exercícios de tiro que faziam estremecer as janelas da Trafaria.
A 5.ª Bateria das Raposeiras continua a guardar a memória da defesa de Lisboa, da engenharia militar oitocentista e dos primeiros passos das telecomunicações portuguesas. É um lugar de património esquecido, de onde, porém, a paisagem ímpar apaixona.
A panorâmica, hoje algo oculta pelo crescimento selvagem da vegetação, é um dos aspectos mais atraentes do sítio. Outro, é o silêncio que acompanha o olhar sobre a porta do Tejo.













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