Quarenta minutos de comboio. É o tempo que leva da Central de Copenhaga à Central de Malmo. E, a maior parte do tempo, vai sobre a Ponte do Øresund, a olhar o imenso Báltico e as enormes e numerosas turbinas eólicas.
Estreamos a Suécia por um túnel subterrâneo. Emergimos na Central envidraçada, à vista do porto, da universidade e de uma zona residencial. A arquitectura não muda muito face a Copenhaga, mas há algo de diferente, luz, traço e/ou cor.
Porém, muito se mantém: há vidro, muito vidro. A luz exterior é escassa, claro! A repetição por superfície, o modular, estende-se nas três dimensões. Bicicletas, também não faltam. Um barco nomeado “TinTin” é que já não é comum.
Argolas coloridas e dezenas de sapatos em bronze, também não. Mas o vidro e os tijolinhos das fachadas, continuam a marcar o ambiente, conjugando o tradicional com o funcional, o antigo como o moderno.
Apesar de o barroco também estar muito presente, surgem linhas fluidas e formas esféricas, algumas obras abstractas, quase como contraste ao retilíneo e ao perpendicular tão típico da Escandinávia.
Encontrámos uma loja de arte fascinante na Praça Lilla Torg, onde almoçamos numa esplanada aquecida. Obras em vidro, madeira, cerâmica, pedra, tinta, numa diversidade de materiais, motivos, estilos e autores.
Nas ruas, há apontamentos exóticos, como sejam, sapatos de bronze numa ponte, identificados com nomes de artistas suecos, músicos e actores, por exemplo. Ou uma escultura com uma pilha de animais no jardim do Kungsparken.
De um lado, o mundo natural assume uma presença assídua e marcante nos parques, com a coexistência de animais e plantas, tal como a natureza humana também se revela notável num cemitério em pleno parque urbano.
Mais à frente, mas ainda no coração da cidade, ergue-se o Castelo de Malmö como um testemunho silencioso do tempo, de quando Malmo ainda pertencia à Dinamarca e era governada por Cristiano III.
A sua história começa nas fundações de um baluarte erguido em 1434, pensado para defender e resistir. Décadas mais tarde, entre 1537 e 1542, reinventou-se: pedras antigas acolheram novas ideias e o castelo renasceu.
Entre a herança medieval e o sopro renovador do Renascimento, tornou-se um marco pioneiro no Norte da Europa, o exemplar mais antigo de uma fortaleza no estilo renascença nos Países Nórdicos.
Hoje, já não guarda soldados, mas memórias. O fosso profundo e as torres de canto continuam a vigiar, mas agora acolhem visitantes, curiosos e sonhadores. No seu interior, a arte e a ciência substituem o eco das batalhas. Mas tínhamos horário de regresso…

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