Sobranceiro ao mar, o forte ergue-se como velha atalaia, de olhar fixo no horizonte. Mais uma fortaleza que vigia o tempo e o espaço da barra do Tejo. É uma construção austera preparada para resistir ao inimigo, ao vento, ao desgaste dos dias.
Já nadei até à praia que lhe fica no sopé, antes de ter sido recuperado pela Câmara de Cascais. Já lá vi alguém a dançar, à noite, com holofotes, provavelmente numa produção artística. De lá, de dia ou de noite, a vista é deslumbrante.
Tem forma estrelada, mas uma frente de rio irregular, ladeada por 2 baluartes com guaritas que lhe vigiam as muralhas viradas ao Tejo. O perímetro muralhado voltado para terra possui fosso e mais dois baluartes.
Nascido sob domínio filipino, desenhado para a guerra e para o controlo do mar, foi perdendo lentamente o seu propósito. Como tantos lugares de defesa ao longo da barra, tornou-se vulnerável ao esquecimento. Estamos no Forte de Santo António da Barra.
De fortaleza a posto fiscal, de quartel a colónia de férias, de residência de verão a palco de um acidente que marcaria a história - queda de Salazar -, o tempo foi-lhe atribuindo novos papéis, cada vez mais distantes da sua origem.
Depois veio o abandono, a degradação, o fogo que consumiu parte da sua memória. E, ainda assim, como se recusasse desaparecer, foi resgatado, restaurado, devolvido à luz. Abre ao público desde 2019, mas apenas aos fins de semana e feriados.
Hoje, partilha cicatrizes - e algumas caliça a deslizar pelas paredes húmidas -, e histórias com imagens - exposição numa das salas -, permitindo que quem o visita escute não apenas o mar, mas também os ecos da respectiva História.
Há um interessante conjunto de azulejos, com versos de “Os Lusíadas”, de Fernando Pessoa, alusivos a episódios da História de Portugal, além de outros decorativos tradicionais portugueses de padrão "Ponta de Diamante".
Possui ainda uma pequena capela em invocação de Santo António. O forte permanece não já como arma, mas como testemunho. Uma presença que resiste, agora com visitantes, entre pedra e sal, à passagem inevitável do tempo.



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