Ergue-se junto à Ribeira de Cheleiros, nota-se de longe, impõe-se na paisagem como um castelo de pedra erguido pelas forças ancestrais da Terra e domina um horizonte de quilómetros em redor. Parei num espaço acanhado que só dá para a moto.
O Penedo do Lexim, uma antiga chaminé vulcânica, com cerca de 72 milhões de anos, revela a grandiosidade de uma natureza moldada pelo fogo e pelo tempo. Ao longe, parece mais uma colina, das muitas que a zona saloia possui. A estrada é estreita - passam dois carros um por outro, mas é quase preciso ir para a berma -, sobretudo quando a vegetação se fecha sobre o asfalto.
O local está assinalado e até tem uma placa informativa em duas línguas. Dali, parte um carreiro estreito onde passa apenas uma pessoa. Depois, vai-se dividindo em outros, até chegar perto do penedo. Aí, nota-se já um conjunto de colunas prismáticas de formas pentagonais e hexagonais, testemunhos do lento arrefecimento da rocha.
De início, não se percebem mas, mais próximo, estas estranhas formações pétreas surpreendem, quer pela forma, quer pela raridade, pelo menos nesta zona. Mesmo apesar de, desde o penedo, se avistarem outras antigas condutas vulcânicas.
Mas a sua história não se esgota na pedra: há cerca de cinco mil anos, homens e mulheres escolheram este lugar para viver. Pastores e agricultores ergueram cabanas, produziram utensílios e deixaram marcas do seu quotidiano, revelando uma comunidade ligada à terra.
A posição dominante e os imponentes penedos ofereceram abrigo e proteção, dando origem a estruturas defensivas e às primeiras muralhas. No terceiro milénio antes de Cristo, estas fortificações testemunhavam novas formas de organização e convivência na Península Ibérica.
Ao longo dos séculos, o povoamento transformou-se, passando de comunidades dispersas à concentração em lugares elevados e, mais tarde, a pequenos núcleos habitacionais. Os vestígios arqueológicos revelam, assim, uma história feita de adaptação, mudança e permanência.
Sair de lá é, também, um desafio. É que, logo após, o lugar que possui meia dúzia de casas, não tem saída em asfalto. Eu optei por seguir e nem cheguei a saber o que havia no fundo da descida em cascalho…
Voltei para trás, não sem ter de virar a moto à mão. Deixei o Penedo do Lexim no silêncio dos seus rochedos, convicto que continuará a guardar os ecos de um mundo antigo, geológico e humano, erguido entre a força da natureza e a persistência da vida.





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