terça-feira, 25 de agosto de 2026

Quinta Nova d'Assunção

 

Andei por lá em miúdo, de bicicleta. Não havia trânsito até Belas, antes subidas e descidas árduas desde Queluz. Hoje, quis lá voltar. Olhei para o Maps e segui o trajecto. Eram escassos 8 quilómetros.

Porém, lá, um dos acessos tinha uma corrente e o outro estava barrado por uma cancela, ladeada por um cartaz que indicava ser uma propriedade privada. Por aqui, não entro na Quinta da Fonteireira.

Parece que o espaço é, agora, particular. Suponho que há outros acessos. Ficará para nova oportunidade. Então, hoje, o caminho será outro, um sítio por onde passei há poucos minutos.

Arquitectura residencial, oitocentista, quinta de veraneio, com jardins românticos, assim o define o Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Talvez não “seja” muito mais, porém merecia mais atenção.

Implantado na serenidade da paisagem rural de Sintra, embora situado quase em pleno bulício viário de Belas, o Palacete da Quinta Nova d'Assunção ergue-se como um diálogo harmonioso entre a arquitetura e a natureza.

Assente num socalco elevado, domina suavemente o jardim que o envolve, revelando-se com elegância a quem o alcança pela escadaria monumental. Antes do portão, que está aberto, há espaço para estacionar a meias com o largo da igreja.

O ferro forjado das guardas e do grande portão - apesar de mal cuidado - confere leveza ao conjunto, enquanto os frontões e os óculos rasgam a solidez da pedra com um sentido de nobreza e luz.

As fachadas - também elas em más condições - prolongam a mesma linguagem arquitetónica, abrindo-se para terraços e jardins que parecem prolongar o edifício na paisagem também bastante arborizada.

Há muitos conjuntos de azulejos - a revestir paredes, nichos, bancos - com motivos românticos, históricos, de natureza ou geométricos. Muitos barrocos, outros em estilo hispano-mourisco, outros com iconografia de paisagens e figuras orientais.

Além de pequenos edifícios e de um muro com ameias, situados no limite norte, o espaço chegou provavelmente a disponibilizar um circuito de manutenção, uma vez que ainda se vêem equipamentos dedicados.

Mandado construir pelo comerciante José Maria da Silva Rego e inaugurado em 1863, sob a invocação de Nossa Senhora da Assunção, o palacete refletia o prestígio e a sensibilidade estética dos seus fundadores.

Embora as obras não tenham ficado concluídas durante a vida do proprietário, o edifício permaneceu como um testemunho da ambição e do requinte da época, hoje uma esquecida sentinela daquele tempo.

Adquirido em 2001 pela Câmara Municipal de Sintra, que encetou um processo de dinamização que passou por exposições temporárias, a edilidade chegou a criar uma experiência teatral intitulada Casa Assombrada.

Tal iniciativa não deve ter corrido bem, uma vez que, há vários anos, não há publicidade sobre eventos, o interior do palacete está interdito - tem apenas um segurança à entrada do corredor - e os jardins são o único espaço visitável, preferenciais para passear cães…

Apesar de o edifício e de os jardins ainda preservarem a memória do passado, o estado de degradação parece continuar. Há muitos azulejos em falta, tal como candeeiros de origem, a madeira das janelas está danificada, há lagos sem água, fontes secas. 

Suponho, ainda, que um cartaz que devia ter informação didática sobre o lugar, está de tal maneira comido pelo sol, que apenas mostra uma superfície completamente branca. Enfim.

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