Dizem que parece uma fábrica, mas há quem se lembre de lá ver vacas a pastar. E há mesmo quem assegure que aquelas “estruturas pertenciam a uma exploração agro-pecuária com matadouro”, e quem se lembre que “havia o celeiro onde ainda estavam carroças”.
Extinta há cerca de meio seculo - “a exploração agropecuária manteve-se activa até meados dos anos 70/80 do séc. XX” -, e está hoje muito degradada, com paredes e telhados caídos, muito entulho e invadida por vegetação agreste.
Realmente, ainda se percebem muitas estruturas, tais como, canais de água, armazém, reservatório, assim como um bebedouro exterior, quase oculto por ervas silvestres. Estou no Casal de Vale do Milho que, segundo dizem, a toponímia remonta ao século XVI.
Diz-se ainda que, numa noite de Março de 1805, o Casal do Vale do Milho foi palco de um crime que abalou toda a região, quando cinco pessoas perderam a vida. Entre rumores e lendas, surgiu a suspeita de que o crime escondia segredos da corte.
Os edifícios parecem pairar sobre as ervas esguias que, hoje, abanam fustigadas por um vento forte. Para lá chegar, ou a pé ou de moto - o trilho é estreito com algumas pedras baixas -, há que ultrapassar cerca de 200 metros de “terra”.
De moto, não se sente que o piso tenha grandes irregularidades, mas é preciso avançar com cuidado, não vá algum calhau estar escondido pelas ervas. Junto das ruínas há um pequeno terreiro óptimo para deixar a moto.
Faz-se bem, apesar da quantidade de ervas que cobrem os campos. É possível que, fora do trilho, o piso mude, uma vez que não se consegue ver. Junto das ruínas, o cenário é idêntico, sendo que, em alguns locais, as ervas escondem alguns buracos valentes.
A serra e a silhueta do Palácio da Pena, a sul, a torre de controlo da BA1 (na Granja do Marquês), a norte, e o Tribunal da Comarca de Sintra, a oeste, envolvem o cenário da ruína E o céu é o único espaço onde as ervas não bloqueiam o acesso.
Todavia, os finos carreiros por onde é possível andar, mostram que ainda há quem por lá ande. O sítio é sossegado, mas algo isolado. A paisagem é atraente, quer para a serra de Sintra, quer para sul onde o olhar é capaz de chegar ao Palácio de Mafra.











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