segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sorolla, Um Oásis em Madrid

Madrid. O clima é quente e seco no Verão, aliás muito quente e muito seco. O anseio diário é sentir, por frágil que seja, uma qualquer brisa, sobretudo a meio da tarde, quando o sol queima e a pele arde.

Sombra, frescura e sossego são sempre bem-vindos em Madrid por essa altura. No centro da capital, não há grandes parques, exceptuando o do Retiro. Por tal, encontrar um oásis no centro da cidade é como descobrir um trevo de quatro folhas...

...mas, também não é preciso exagerar... afinal, o palacete onde está guardada a obra do pintor Joaquin Sorolla, é só uma das “residências de artistas mais completas e melhor conservadas da Europa”. E (a)parece, despercebida, numa rua de Madrid.

O primeiro contacto encanta imediatamente: o jardim, em estilo andaluz, onde não faltam os azulejos, a água e a sombra, é (já) uma espécie de oásis, uma vez que, tal como em Lisboa, é raro encontrar uma moradia (de época, principalmente) entre prédios.

A Casa-Museu Sorolla é um oásis, mas também é guardiã da maioria da obra do pintor, quer pela preservação da configuração e decoração original da edificação. Foi  a viúva do pintor, protagonista em alguns dos quadros, que fez a doação do espaço e das obras para a criação  do museu, em 1932.

Está praticamente ali há quase um século, encerrando obras do artista e peças que este coleccionou ao longo da vida. Mas não só. O acervo conta com mais de1200 pinturas do próprio artista, um conjunto de desenhos preparatórios das pinturas e, ainda, uma série de esboços de projectos que criou para a sua própria casa.

Entrar no edifício é mergulhar num espaço de arte. “Felizmente”, a casa não é um palácio – se não, seria outro Vaticano ou outro Palazzo Pitty, onde não há espaço na parede para colocar mais quadros -, a casa é “apenas” um palacete.

Muitas das telas retratam a mulher do pintor, Clotilde García del Castillo. Outro tema importante, cujas cores, traços e luz deslumbram, é o mar. É singular o azul mediterrânico, já que as praias valencianas eram um dos locais de eleição do pintor.

Não são apenas as telas de Sorolla que ocupam o espaço de exposição. Além dos móveis de época, que ajudam a criar o ambiente  original da casa, há muitas peças de cerâmica (sobretudo na cave), esculturas, joias e objectos decorativos.

São dois andares onde se reconhece o espírito do pintor, quer através da decoração e da arquitectura, quer através das suas telas. A pintura seduz pela luz, cor e leveza, sobretudo nos temas de praia. “El Caballo Blanco” é uma das suas telas mais empolgantes.

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