segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Moinhos de Vento de Alburrica



Veem-se bem da marginal do Barreiro. São três: o Gigante, o Central ou Poente e o Nascente. Três cilindros alvos, um de topo bicudo negro, os outros de bico cinzento. Estão ali há mais de 170 anos. O maior foi desactivado no final da segunda década do século passado. Os outros, aguentaram-se até 1950.

São os Moinhos de Vento de Alburrica, um quadro bucólico com cenário de fundo, entre a (quase) silhueta da Ponte 25 de Abril (havia névoa) e o Cristo Rei. Num dia em que o vento estava ausente, custa a crer que tenha havia ali moinhos de vento funcionais.

Os dois mais pequenos foram adquiridos pela Câmara há exactamente 50 anos. O maior foi ainda habitado por pescadores até 1998 antes de, nesta data, ter passado também a ser património municipal. Um deles, o Moinho de Vento Nascente foi alvo de reabilitação e pode ser visitado.

 

Estão implantados numa península, na confluência do Coina e do Tejo, junto à praia fluvial de Alburrica, ligados por um passadiço que não tem ainda uma década. Ali perto, num dos moinhos de maré, foi criado o Centro Interpretativo do Barreiro, que não tem mais de 4 anos.

Muito próximo, algumas instalações palafitas, reforçam o cenário rústico, algo caótico, que envolve a península naquele local. Ao contrário dos moinhos, cuja funcionalidade cessou, a pesca artesanal ainda se mantém e mantém os pescadores na faina.

A contrastar com o cenário cativante dos moinhos de vento, a velha Estação Fluvial do Barreiro parece ter sido abandonada e deixada à intempérie e vandalismo. Funcionou quase durante 130 anos - é de finais do século XIX - em substituição de outra, um pouco mais antiga.

 

Já foi uma importante estação fluvial, centro de correio, de manutenção de material circulante e uma interface com as vias ferroviárias de passageiros e mercadorias, de ligação entre o sul e Lisboa. Apesar de degradado, o edifício esteve em vias de ser classificado. Deve continuar à espera.

 


 

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Parque da Paz




Natureza e lazer em 50 hectares. Caminhos e espaços amplos por entre vegetação abundante, fauna e flora variadas, e, ainda uma área didáctica sobre biodiversidade. Charcas e lagos completam o espaço do maior parque urbano de Almada. Estamos no Parque da Paz, implantado “em frente da porta” de Almada.

Tranquilidade e bom ar. O parque, considerado o “pulmão” da cidade - à imagem de Monsanto face a Lisboa - respira natureza e expira serenidade, mesmo contando com algumas lagartixas, coelhos ou melros e ainda outros não identificáveis que, de vez em quando, aparecem de repente, sem contar porém, a extensa comunidade de patos-reais.

Árvores, arbustos e plantas herbáceas são centenas de espécies diferentes, contando com árvores habituais em Portugal, abetos, pinheiros, azinheiras, sobreiros ou oliveiras. Fungos e líquenes crescem em alguns recantos na relva ou nos troncos. E, ainda há espaço, muito espaço, quer nos caminhos, quer nas clareiras.

Cheira bem, a campo, está sol mas o ambiente fresco. Talvez da moldura arbórea, das alamedas de árvores, talvez do deslizar da água que vai para o lago. A contrastar, a textura e a cor das pedras, ora granitos, ora xistos, ora ambos em configurações geométricas. Alguns locais, bem situados, estão dedicados, à contemplação, ao descanso, à observação, ao lazer.

Projetado pelo arquiteto paisagista Sidónio Pardal, o parque é amplo, extenso, tranquilo, limpo,  um espaço verde muito agradável, especialmente dedicado ao lazer e ao contacto com a natureza. Só querendo, se descobrem prédios ou estruturas viárias que, mesmo assim, estão afastadas, constituindo-se como um refúgio tranquilo perto da agitação urbana.

Está por ali há quase duas décadas e mal se dá por ele. O plano inicial é de 1975, quandp a autarquia reservou o espaço. O enquadramento paisagístico é de 1979 e o início das obras de 1995. Hoje, são cerca de 7 kms de caminhos, entre flora exuberante e uma fauna de bichinhos simpáticos.





quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Passadiço das Escarpas, De Maceira a Porto Novo

 

Estamos na zona Oeste, no fim de Maceira. Deixamos o carro no estacionamento e confirmamos que estamos no Passadiço das Escarpas, que leva de Maceira a Porto Novo. É um troço novo que liga a localidade à praia de Porto Novo ao longo de uma pequena zona florestal e da planície aluvial.

Vamos acompanhar o percurso do rio Alcabrichel, até à respectiva foz, junto ao Hotel Golf Mar, na praia de Porto Novo. Um primeiro troço com subida ligeira e várias entradas, sempre entre arvoredo, depois uma descida também ligeira, para terminarmos a restante metade em terreno plano.

Viramos para a praia, praticamente à vista de Santa Rita. Não é mais do que um quilómetro, entre verdes, ao longo do vale do Alcabrichel. Num instante, através de um percurso tranquilo, estamos na baía da praia de Porto Novo.

Já lá vão dois séculos, desde que a praia foi palco do desembarque do exército britâncio, quando da primeira invasão napoleónica em 1807. Vimeiro, não fica longe, local onde as tropas enfrentaram o exército francês.

Ali perto, na praia da Vigiada, sem nada que a ligue (?) à Virgem dos Rochedos, um enorme rochedo alberga uma imagem da Virgem Maria. Mais abaixo, outra escultura de alguém com um manto, tem à sua frente o que parece um altar.

O mar está calmo, a areia dourada, o céu limpo. Há pouca gente nas imediações e ainda menos a vadiar na praia. É a pandemia ainda a pairar. Um barco de pesca está preste a entrar na água. Não há cafés abertos, É hora  de regressar.

Voltamos acompanhar a margem direita do Alcabrichel. Já não estamos sozinhos. Pouco mais de 500 metros e temos de trepar. Subimos uma escarpa, primeiro abrupta, depois suave. Paramos para ganhar fôlego, e damos com umas imagens arbóreas fantasmagóricas.

È o único troço “fora de estrada”, em terreno íngreme e irregular. No topo, estamos com mais de 3 quilómetros nas pernas. Porém, só este, o último a trepar, é valente. Passear, mexer pernas, excitar olhares, inspirar o espírito, surpreender novos cenários. No lusco-fusco do Convid. Done!


sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Forte Velho do Outão



Toda a gente conhece o Forte Velho do Outão. Ou já lhe vislumbrou a silhueta degradada. Mas, ainda assim, é um conjunto edificado que se salienta e articula na paisagem da serra da Arrábida com algum sucesso. É o panorama que de lá se vê que lhe gaba o sítio.

Está ali desde os últimos anos da década de 40, constituindo-se como parte das baterias fixas dedicadas à defesa costeira, colocadas ao longo das margens do Sado e da península de Setúbal. Esta foi designada como 7ª Bateria do Outão.

Além dos edifícios destinados ao posto de comando, a bateria dispunha de 36 peças, abrigos subterrâneos, vários corredores e túneis de ligação e armazéns de projectéis. Hoje só 2 peças de grande calibre e as respectivas armaduras estão visíveis.

Com as peças obsoletas há várias décadas, a actividade militar cessou ao findar o século XX. As instalações foram-se degradando e hoje todo o conjunto não passa de uma ruína, que o tempo e a mão humana vai inexoravelmente agravando.

No edificio do comando, do qual restam apenas as paredes, estas têm sido alvo de tags, desenhos e pinturas, que emprestam algum colorido ao interior. Em redor do edifício, uma espécie de longo balcão acompanha a área voltada ao mar.   

Todavia, mesmo considerando o elevado estado de degradação das instalações, é sobretudo a posição estratégica e a situação paisagística que surpreendem, colocando-se ao nível do Convento da Arrábida, chegando a ser deslumbrantes alguns dos panoramas dali observados.

Dali é possível vislumbrar a costa alentejana quase até Sines em dias claros, dominar a foz do Sado, ver Tróia como numa maqueta, quaase tocar no Forte de Santiago do Outão, reconhecer os meandros da zona costeira próxima com Setúbal ali à mão, Em baixo, junto ao mar é facilmente reconhecível o forte de Santiago.

A paisagem é admirável. Em dias, como foi o caso, em que o assoreamento do Sado mais se nota, é possível ver pequenas ilhas de areia que se formam perto da foz. Apesar da temperatura da água por ali, ser habitualmente fresca, as ilhas convidam muita gente para aquela areia alva e fina. 

Se já o passeio pela Arrábida possibilita excelentes panoramas, quer sobre o mar quer sobre a serra aqui, deste local, a vista deslumbra-se especialmente com a dimensão da abrangência. É um sítio simpático para mostrar a amigos.  




domingo, 10 de setembro de 2023

NPR Barracuda



Ao longe, de lado, parece forte, grande e comprido. Mais perto, parece encolher-se. A blindagem lembra chapa com rebites e, estando no convés, parece mais curto. Mas, quando lhe trepamos para cima, percorrido de proa a popa, rodeada a torre, pisando-lhe a blindagem, não deixa de impressionar. O Barracuda, que já foi o mais antigo submarino das marinhas da NATO em operação, é um veterano dos mares.

Foram 42 anos ao serviço da Marinha Portuguesa, de 1968 a 2013, nos quais deu cerca de 36 voltas ao mundo, qualquer coisa como 800 mil milhas náuticas, ao longo de mais de 300 missões, levando habitualmente uma guarnição de cerca de 56 militares, submarinistas mais propriamente, possuindo todavia apenas 45 camas, sendo fixas apenas a do comandante e a do enfermeiro. 

Mais números impressionantes: 4 motores, 2 de combustão e 2 eléctricos; falta-lhe uma centena para os 3 mil cavalos de potência; 12 mil litros de água potável, mas banho só no dia anterior à chegada ao porto e apenas para o comandante e escalados de serviço; autonomia de cerca de um mês até 300m de profundidade. Saiu de serviço em 2010.

Olhando para a escotilha da ré, parece a do condutor de um carro de combate M47. Mas afunda mais, muito mais, pelo que o corrimão é bem-vindo. Com um pé no deque interior e olhando à volta, junta-se uma ligeira sensação de "aperto". As “paredes” laterais são arredondadas, parecendo o espaço ainda mais reduzido.



Aos poucos, vamos percebendo algumas das soluções para minimizar essa falta de espaço, que passam por mesas e bancos amovíveis e arrumáveis aos cantos, e por equipamentos e objectos com dimensões minúsculas. São os mínimos para garantir algumas condições de habitabilidade, poucas todavia, experienciando o espaço destinado à passagem dos militares.

Nesta matéria, para além do respeito e admiração pelas pessoas que alí prestaram serviço militar, é clara e directa a percepção das condições escassas e arriscadas de operação neste ambiente, sendo de valorizar o empenho e dedicação dos submarinistas às suas missões. Se, no interior de um carro de combate, já se pode experimentar a pequenez do espaço, dentro do Barracuda ninguém quer ser alto. 

A área técnica ocupa as partes laterais do submarino, sendo o meio o centro nevrálgico, que engloba o posto de comando, local onde as decisões são tomadas. À frente, na proa, a área destinada ao disparo de tropedos é portentosa, fascinante sobretudo na capacidade - múltiplos tubos de disparo - e,  no visual, a lembrar as tubagens gigantescas do Museu de Electricidade…  

O Barracuda ficará, por enquanto, no pólo museológico da Marinha Portuguesa, na Doca de Cacilhas, muito perto do terminal de ferries. Como vizinha, tem a Fragata D. Fernando II e Glória - ver https://cordeirus.blogspot.com/2012/12/d-fernando-e-gloria.html - outro navio muito interessante, igualmente visitável e em muito boas condições de manutenção.