quarta-feira, 8 de junho de 2016

ROTA DE DALI 1 e 2 - De Calatayud a Cardona


Da partida à chegada, o hábito continua fazer o monge. Quilómetros fartos, paisagens soberbas onde não falta um pôr-do-sol com ganas, refeições saborosas q.b., sítios catitas onde pontua arte sobretudo, conversas agradáveis e até um pezinho de dança em sítios e com protagonistas improváveis.

Surpreendeu o dançarete num casamento em Calatayud, assistir ao Grande Prémio de Itália em Lérida em ecrã gigante, o “milagre” da estrada quase seca na subida para Montserrat, um barman inacreditável em Cardona, o sempre extraordinário medieval em Vic e Besalu, assim como o admirável Dali em Figueres e Portligatt.

Excelente foi também a marginal de Cadaqués e o passeio entre as ruínas milenares de Empuries. De pasmar, a moto no meio das mesas em Tossa de Mar. Barcelona arrasou com Gaudi na Sagrada Família e na Casa Batló.  Tarazona surpreendeu pelo conjunto histórico.

Muita gente, muitas motos, algum gin e refeições comedidas em geral. Bons pisos, outros nem por isso, estradas morosas, outras mais céleres. O tempo aguentou-se até ao último dia, de excelente a bera. E muito, muito mais. Algum desse muito, já a seguir, passo a passo.

1 e 2

ROTA DE DALI

DE CALATAYUD A CARDONA


Foi sob o signo da ‘meia hora de atraso’ que passamos uma semana a viajar de moto rumo à e na Catalunha. Embora tenhamos saído de casa à hora prevista, talvez o facto da área de serviço de Palmela estar agora apenas dedicada ao abastecimento de veículos tenha atrasado a jornada.
Por tal, já só fomos beber café a Montemor. Quando chegamos junto do Arlindo, que nos esperava na área de serviço Amal já em Espanha, quatrocentos e oitenta quilómetros depois da partida, levávamos um pouco mais de meia hora ao almoço.

Tapas daqui e dali e fizemos a refeição mais célere. Já aquecia desde o reabastecimento em Talavera la Real e a temperatura foi aumentando á medida que nos aproximávamos de Calatayud. Lá, o tempo parecia de Verão e mesmo à sombra não era preciso casaco.

UM CASAMENTO EM CALATAYUD
 
Tão notável estava o tempo que o local de encontro no Hotel Castillo de Ayud foi na respectiva esplanada, entre um edifício centenário e um bloco de apartamentos recentes. Saíram dali as últimas da viagem do primeiro dia e as primeiras expectivas para os dias seguintes.

Ao jantar, revimos os dias seguintes mas, desta vez, nem foi preciso muitas explicações. Foi seguir quem ia à frente. Poucas perguntas, para o que é habitual, pelo que a rapaziada desta vez fez os trabalhos de casa para positiva.
Calatayud ainda mostra vestígios de cinco castelos. A norte da cidade o sistema defensivo medieval conta com mais de onze séculos de idade, sendo o mais antigo construído pelos árabes na Península Ibérica. Só pela vetustez merecia uma visita.

Desta vez, porém, ficamos mais por baixo, pela zona mais recente, ainda assim próximo do Passeo de Aragon, um jardim por onde se passava obrigatoriamente no tempo em que a ligação viária de Madrid a Saragoça se fazia unicamente pela N-II.
Ali perto, fica o “casco histórico” que integrou uma judiaria e ainda hoje encerra alguns edifícios religiosos, declarados património da humanidade da arte mudejar. Espreitamos pelo menos uma torre nesse estilo que devia pertencer à igreja de Santa Maria.
A noite levou-nos pelo hotel Mosteiro Beneditino - onde podíamos ter ficado se houvesse vagas para todos e a luz indirecta fosse mais recatada. Por isso, à noite, seguimos até à Plaza de S. Francisco e fomos beber um copo ao bar Avalon.
Nós, os convidados e os noivos - provavelmente já não tão noivos quanto isso - que celebravam a boda em ambiente de discoteca. Embora a música se ouvisse no bar, era na cave que estavam as bolas de espelhos e as lantejoulas.
Daí termos descido e passado ao dançarete, actividade que foi excelente para preparar as pernas para alguns passeios pedestres que não deixamos de cumprir à conta de Dali e de Gaudi. A digressão começou em festa.

DA SÉ AO ROCK, EM LÉRIDA

Deixámos o hotel com pouco menos de meia hora de atraso face ao previsto. Afinal, nesta manhã o objectivo era chegar por volta do meio-dia a Lérida, de modo a podermos visitar a respectiva catedral e a fortaleza que a envolve, bem como usufruir da paisagem que se disfruta desde o miradouro.
Depois de uma tentativa frustrada de nos perdermos ainda à saída de Calatayud, efetuámos apenas uma paragem para reabastecimento numa área de serviço da AP2 em Pina del Ebro, a partir da qual passamos a analisar o comportamento de uma das Pans cujo depósito tinha agora bastante gasóleo.
Chegar à colina onde estão situados o castelo e a catedral não é fácil. Há que atravessar um bairro onde foi o GPS que liderou e nos conduziu ao enorme parque de estacionamento do complexo. Em cerca de 30 anos – última vez que aqui havia estado – muito mudou para melhor, pelo menos no enquadramento paisagístico do lugar.
O principal edifício de Lérida é a sua Sé Velha, uma igreja românica gótica que foi construída no início do século XIII e que se destaca por ter uma planta fora os cânones da época, ao localizar o claustro na frente do edifício. Perto, ainda sobrevivem as ruínas da muralha da cidade velha, bem como alguns muros de Zuda, uma fortaleza árabe do século IX.
É mais ou menos isto que dizem os roteiros. Só não especificaram onde é a entrada da catedral. Talvez só abrisse a partir da recepção do castelo, já que todas as portas da catedral estavam fechadas. Por isso, ficámos pelo exterior onde é perceptível a antiguidade do complexo, a existência de um claustro com vista para o exterior e as muralhas que a cercam.
Como já estávamos atrasados, seguimos para o MagicRock um restaurante situado numa das principais avenidas de Lérida cujo logotipo faz lembrar – e julgo que propositadamente, já que os donos são “moteros” – o da Harley-Davidson.
Foi lá que assistimos ao Grande Prémio de Itália e ao despique entre Rossi e Lorenzo, projectados em ecrã gigante, enquanto nos batíamos com caracóis assados na grelha – um dos pratos típicos de Lérida (o outro é um cozido semelhante ao nosso) – e com uns chuletons de ternera.
Quando saímos de Lérida já tínhamos um pouco mais de meia hora de atraso. Sabíamos que a seguir tínhamos um percurso em autovia pelo que podíamos recuperar aí andando um pouco mais depressa. Todavia, não é fácil manter coeso um grupo de quinze motos, sem que uns achem que a velocidade é demasiadamente elevada e outros sintam alguma sonolência.

PELA TRANQUILIDADE DE MONTSERRAT

Tomámos a A2 e saímos para a nacional já perto de Montserrat, quando o céu ainda estava negro de chuva por trás da montanha. Começamos a trepar com a estrada molhada e no cimo ainda se notava que tinha chovido há pouco tempo.
Aparentemente safamo-nos de uma boa carga de água e ainda conseguimos estacionar as motos perto do complexo monástico. De cima dos monólitos - formações rochosas decorrentes do choque de placas tectónicas cujo redor sofreu uma erosão significativa – a paisagem é soberba.
Estamos a mais de 720 de metros de altitude – nota-se bem quando se vislumbra o vale – e há picos que vão a mais de 1200. Os trens de cremalheira vão até lá. O comboio fica a meio caminho. É apanhá-lo em Barcelona ou no sopé da montanha e sair quase em frente de uma aprazível doçaria.
Ainda há cerca de oitenta monges beneditinos, uma das ordens com regras mais severas, no complexo monástico. Não os vislumbramos mas havia um clérigo que rezava em voz alta na catedral que, não mostrando a sumptuosidade de muitas congéneres, é clara e harmoniosa.
Para além do museu, que encerra obras de El greco, Picasso e Dali – era a hipóteses de começar o roteiro Daliano por Montserrat – o complexo monástico possui uma biblioteca tem cerca de 300 mil volumes e é costume ouvir a horas certas um coro de pequenos cantores.
Apesar do complexo ter sítios interessantes e diversificados, como sejam, o portal da muralha, a Praça de Santa Maria, o claustro gótico, o miradouro da praça e a basílica – que visitamos – também possui sepulcros, um baptistério e o antes mencionado museu que encerra peças de arqueologia, obras de pintura, escultura e desenho.
Trata-se de um local tranquilo, nesta altura sem grande agitação e com poucos visitantes, que possui uma paisagem ímpar, espaços interiores e exteriores agradáveis, alguns sítios com um toque gótico e ainda uma extensa rede de percursos assinalados dedicados a passeios pedestres.
De Montserrat a Cardona são pouco mais de meia centena de quilómetros. Escolhemos a estrada nacional, todavia com trânsito lento devido à extensão do traço contínuo e também decorrente de um acidente entre um carro e uma moto.

UM BARMAN ESPECIAL EM CARDONA

A partir de Manresa a estrada continua com bom piso e deixa de ter trânsito. Aproveitamos quase todos para reabastecer e fazer os pouco menos de vinte quilómetros que nos separavam de Cardona, local de pernoita neste dia. À chegada o castelo estava iluminado pelo pôr do sol. 


Subimos para o castelo, percorrendo a sinuosa estrada de acesso, ultrapassando alguns ganchos que nos levaram à muralha exterior. Dentro da muralha interior está situado um dos Paradores mais caros de Espanha de onde se vê todo o burgo de Cardona.
O hotel Bremon estava a um par de minutos, dispunha de uma parque de estacionamento fronteiro e de uma garagem praticamente exclusiva para as motos, em cuja entrada e saída era preciso ter atenção para não raspar os capacetes na ombreira do portão.

O hotel de gestão praticamente familiar foi o mais simpático da jornada. Sem grande luxo ou mesuras, conseguia criar um ambiente familiar, servir bem e ter uma localização excelente. Talvez tenha sido o hotel que mais agradou em matéria de conforto pessoal.

Foi lá que jantamos distribuídos por duas mesas próximas. A seguir, fomos pelas ruas estreitas e praticamente desertas descobrir Cardona “by night”. Depois de descortinarmos alguns túneis sob os pisos superiores das casas mais antigas, ainda desembocamos na igreja de São Miguel, uma construção gótica do século XI.
Mais tarde, a surpresa viria do bar El Celler, onde um barman especial entusiasmou a noite com um desempenho singular. O nosso multifacetado barman conseguiu acompanhar brindes ao Real e ao Barça e foi o animador de uma espécie de discoteca improvisada numa das ruas mais tranquilas de Cardona. 
Já não havia ninguém na rua quando regressámos a hotel. Se o dançarete da noite anterior já tinha servido de preparação para os quilómetros do dia seguinte, a animação do bar prometia dar alma aos valentes protagonistas desta noite. O desempenho ficou registado em vídeo, tal como estes dois primeiros dias de viagem, em

https://vimeo.com/169294131


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Algarve, Marafado de Bom





Não era preciso inventar outro. Este título calhava como ginjas. Furtei-o à Zeza. Aliás, para além do bom tempo, bom mar, bom céu, boa praia, bom ar, o que é que se espera do Algarve? Se a isso juntarmos meia dúzia de amigos que já se conhecem desde os tempos do liceu, o Algarve converte-se realmente em marafado de bom.
Por alguma razão a Zeza o escolheu para mote das mensagens que todos fomos trocando acerca de um encontro em faro. Eram mensagens que diziam da vontade, da expectativa e do programa do fim-de-semana. Daquela mensagens convincentes, sem política nem propaganda. Vale a pena, não vale?
Tal como esta data emblemática em matéria de mudança, também nós a aproveitamos para ir ao “sul da Europa”, como diz habitualmente o Rui. Também por lá a mudança aconteceu, no tempo, no ar, no céu, no mar e na praia mas, sobretudo, no nosso estar. Um dilema, “estar lá e escrever aqui”, como diria um tipo que tive de ler na faculdade, Clifford Gertz? Ou um prazer? Vou por este último.

PASSEIO EM CABANAS

Saímos à boleia dos ‘Pepes’. Chovia, em especial no Alentejo mas, à medida que íamos ‘descendo’, o temporal ia mirrando. Na Via do Infante já pouco pingava e quando chegámos a Cabanas o céu já estava azul, não tanto como os frisos decorativos que circundam habitualmente as janelas e as portas algarvias.
Almoçamos no Sabores da Ria. Peixe, infalivelmente. Foi barato. E estava bom, assim como o espelho azulado da ria que já indiciava um fim-de-semana catita. Simpática é também a plataforma pedonal que margina Cabanas junto à ria, uma espécie de açoteia para passear sobre a água. Fomos por lá, antes e depois de almoço. Até as compras’ estavam abertas!

POUSADA EM FARO

Sabíamos que era perto da zona histórica, mas não sabíamos que tinha história. Parámos próximo de um muro comum e da fachada de uma moradia antiga, ambos luminosos de branco. Lá dentro, porém, traços modernos, espaços amplos, linhas direitas, contrastes, harmonias, superlativos para nos sentirmos bem.
Estávamos em casa da Zeza, quase paredes-meias com o Centro Interpretativo de Faro. Fomos para lá, espreitar a memória da cidade, desde a época romana até hoje, que passava especialmente pelo terramoto de 1755 e também afectou a cidade e a região.

CENTRO HISTÓRICO

Escadas acima e estávamos e estávamos quase de mãos dadas com uma comunidade de cegonhas que guarda o relógio da torre. Nunca tinha visto um ninho de tao perto, o que permitiu verificar que a respectiva arquitectura é complicada. E estes tinham, pelo menos, duas ou três assoalhadas.
A comunidade de cegonhas tem aqui um "peso" significativo. Depois de reivindicar os telhados, conseguiu também um lugar privilegiado junto do relógio da torre. Preparar-se-à para exigir que aqueles bicos tão salientes no telhado não lhes façam concorrência.
Das açoteias vislumbra-se um misto de telhados com telhas de barro e açoteias da zona histórica, notando-se também a irregularidade do traçado das ruas. O sol realçava as cores claras e estas contrastavam mesmo assim com o azul de um céu quase limpo, a prometer um fim-de-semana de estalo.
Passamos ainda pelo bar Castelo, na zona antiga em frente à antiga fábrica de cerveja, e sentamo-nos para o primeiro de muitos brindes da jornada. A paisagem desde a esplanada é deliciosa. As imagens do pôr-do-sol não precisam de talento fotográfico.
Aliás, em ambientes em que impera a proximidade com outros que conhecemos bem, a paisagem passa a ser acessória, motivo de, ou melhor, inspiração para recuperar mais uma memória ou accionar uma actualização.

PARABÉNS!


Um dos motes, se não o principal da jornada, foi o aniversário do Quim. No jantar de aniversário, voltamos aos brindes e à boa conversa entre os aperitivos e o arroz. O fim-de-semana, que já era uma data especial - contemplava o “25 de Abril” – trouxe além do aniversário outras pessoas ao nosso convívio.
Já não éramos os “suspeitos do costume”. Para além dos “9 da ordem”, contávamos com mais dois elementos do antigo Liceu Nacional de Queluz, a Nice e o Tó Campos, com quem fomos partilhando as novidades de anos – também ouvi, séculos – de distância.

ILHA DO FAROL


Juntámo-nos em Olhão, já estava quentinho e havia fila para comprar bilhetes. Partimos num barco repleto de aficionados da praia e do bom tempo - e não se notava grande diferença face ao ambiente de Agosto (estava mens gente...) - sendo que muitos eram turistas estrangeiros e outros parecia não me verem há décadas...
Chegamos ao cais da ilha pouco menos de meia hora depois, seguidos por um canoísta em boa forma e cujo remar aproveitou a boleia do barco. Foi uma estreia. Eu nunca tinha ido à ilha do Farol. O canoísta, esse, deve ir e vir todos os dias e chamar-lhe casa.
Entre conversas cruzadas e a ilha da Culatra – que antecede a do Farol. O farol vê-se bem ao longe, como é conveniente. É o edifício mais alto da ilha, contrastando com as casas térreas e as dunas baixas. Nota-se a sua magreza espetada como um alfinete nas areias da ilha.
Contende também com os edifícios mais altos da parte nova, poente, de Olhão. A praia da ilha, essa, é a “perder de vista”, já tinha fregueses e a água tentava ao mergulho. Hoje, porém, nem sequer a avaliamos. Entretanto, o tempo aquecera ainda mais tal como estava previsto.
Depois das caipirinhas no bar da praia, o que cotámos e bem, foi o arroz de lingueirão que estava especialmente bem feito. Almoçamos num restaurante de praia que estava previamente reservado. No Verão, é impossível ter aquele serviço e provavelmente o esmero gastronómico.

OLHÃO HISTÓRICO


Saímos do barco direitos à esplanada para fazermos um pleno de águas. Depois, avançamos para os meandros da zona histórica, acompanhando o percurso das lendas assinalado por esculturas representativas de cada história. Começamos pela “tradicional” lenda da moura…
O menino dos olhos grandes - tal como a moura anterior que qual sereia levava os marinheiros a afogarem-se também perdia os homens - possuía um a espécie de encantamento cujo choro levava as pessoas a pegarem-lhe para depois aumentar de peso até não ser possível levá-lo. Sendo cromado, percebe-se que não era leve…
Passamos por muitas habitações renovadas há pouco tempo, por entre ruas estreitas, sombras apetecíveis, fachadas alvas, açoteias, que fazem lembrar Marrocos. Aliás, os passeantes também já começavam a parecer marroquinos. O bronze, porém, só se notou melhor no dia seguinte.

Podíamos ter zarpado para outras paragens. Porém, parece que temos a curiosidade ainda com poucos quilómetros e fomos ao sabor das vielas tentando descobrir mais lendas, outros espaços, melhores impressões. 
Esta zona está muito agradável. Reconhece-se um esforço de melhoria e a manutenção da traça. Por vezes, surpreendem-se açoteias que fazem imaginar espaços exóticos, seguramente excitantes de quentes no Verão. E nem faltou um gato com uma serenidade adequada à vetustez dos azulejos e da janela. 


JANTAR DE GALA

Não há encontro que não tenha um jantar de gala. É pretexto, evidentemente, mas dá aquele ar institucional (que não n diz nada…). Desta feita, aconteceu no último piso do Hotel Faro. Jantámos com a marina e a “baixa” as nossos pés, embalados pela magia dos brilhos que se percebiam numa noite límpida.

E do jantar, não fotografias!?

Jantamos um tornedó de atum honesto entremeado com as retrospectivas da manhã e da tarde e ainda com as expectativas do dia seguinte. Tivemos tempo de sobra para ainda experimentarmos a temperatura fina que envolvia a varanda do último piso e meter o dedo na cálida água da piscina.

E do jantar, não fotografias!?

Faro não tem edifícios muito altos no centro. Daí ser apelativo estar alto e olhar para fora sem o incómodo de estar a ver outras janelas no horizonte próximo. Mais, permite ver o ambiente em redor, por exemplo, a feira de produtos típicos que se estendia em pleno jardim Manuel Bivar.
A noite não acabou ali. Ainda voltamos ao bar do Castelo para pôr a escrita em dia. Relegados para a esplanada – o interior estava pleno de concorrentes de um trivia challenge – pudemos constatar que a temperatura da noite não estava muito diferente da diurna.

PASSEIO NA RIA FORMOSA


A manhã esperou por nós até garantir que a temperatura estava perfeita. De ténis calçados, abrimos por um trilho que sai pouco depois da rotunda que leva ao aeroporto de Faro. A entrada no caminho fica praticamente no enfiamento do corredor de aterragem. Dizia-se que dali é possível ver a cor dos olhos ao piloto.
Mas não foi preciso. Pese embora o ruído, o ambiente cativa imediatamente os sentidos. Luz, espaço, cor, não faltam. Em linha recta, vai-se até à Quinta do Lago. Ao longe, sobre a esquerda, veem-se ao longe as casas da ilha de Faro, minúsculas a preencher a linha do horizonte. Do lado da Quinta, mal se veem os telhados.

Em redor do trilho, anda a água a tentar escapulir por onde pode, entre tufos em meandros à volta de pequenas ilhas. O verde e o azul conjugam-se com a cor da terra seca, parecendo que se formam pequenos lagos desde o trilho até à ilha.
Com o calor a aumentar e o sol a sentir-se cada vez mais agressivo na pela, sobrou uma ligeira brisa que conseguiu apaziguar o passeio de regresso. Este iria terminar junto de uma fila imensa de veículos que, enquanto durarem as obras na estrada, vai provocar alguma morosidade no acesso à ilha.

ILHA DE FARO


Nada porém que nos impedisse de ir espreitar a praia e sentir a temperatura da água nest 25 de Abril. Não foi precisa qualquer senha revolucionária para reconhecer que ainda não chegado o Dia do Trabalhador, já não apetece fazer nada, se não dar uns valentes mergulhos naquela água tão tépida e aprazível.
Daí a pouco estávamos no restaurante Elementos, numa esplanada virada para Faro, coberta por um céu azul, límpido, sentir uma ligeira brisa refrescante e envolvidos por uma luz única. Desta vez, para além do tempo de Verão, o destaque da refeição foi para as pontellitas e para o polvo.

Deixámos os nossos anfitriões com garantias de que havíamos de voltar. Agora, que o Verão parece ter chegado – neste 25 de Abril a temperatura chegou aos 25º - começa a contagem decrescente para as apelidadas férias grandes.
Ou que se querem grandes, como foram estes três dias, durante os quais voltamos às mesmices que nos asseguram aquele gozo que nos permite continuar a partilhar o tempo de que dispomos, e que, com amigos tem dias marafados de bons.
A tarde manteve o brio e o bom tempo estendeu-se até Lisboa. Vale a pena repetir. Para breve, como habitualmente. O título da música que acompanha o vídeo está por acaso. Como habitualmente.

Música - Area, Gerontocrazia